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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

21
Out19

Sobre a busca de (um) sentido...


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O livro, "O Homem em Busca de um Sentido", do médico psiquiatra/psicoterapeuta (logoterapeuta, como gostava de ser reconhecido) Viktor Frankl, divide-se em duas partes. A primeira constitui uma narrativa autobiográfica, onde o autor relata a sua luta pela sobrevivência num campo de concentração, enquanto a segunta parte, teórica, pretende descrever de forma (muito) resumida (e simplificada) a sua doutrina terapêutica - a logoterapia.

Este livro acompanha-me há muitos anos e serviu de base à minha prática profissional em Cuidados Paliativos.

"Precisávamos de deixar de perguntar pelo sentido da vida e tinhamos, em vez disso, de pensar em nós mesmos como aqueles que estavam a ser questionados pela vida - em todas as horas de cada novo dia. A nossa resposta deve consistir, não em conversa e meditação, mas na ação e conduta corretas. A vida significa, em última instância, assumir a responsabilidade de encontrar a resposta adequada aos seus problemas e ultrapassar os desafios que constantemente apresenta a cada indivíduo."

Viktor Franklin "O Homem em Busca de um Sentido"

 

 

18
Out19

A Liberdade de... Maria


A MJP pediu-me um texto sobre a Liberdade de...

Fiquei honrada pelo convite para escrever numa casa que não a minha.

“Todas as vitórias ocultam uma abdicação.”

Simone de Beauvoir

 

“Liberdade, liberdade quem a tem chama-lhe sua,

eu não tenho liberdade nem para pôr os pés na rua”

Meu avô trauteava esta canção quando eu era criança. Tinha imensa pena da senhora, sempre assumi que fosse do sexo feminino, pois eramos educadas para ser recatadas.

Eu tinha tanta liberdade pensava.

Vivia numa ilha e numa cidade pequena, não se falava de pedofilia nem de raptos.

A rua era o meu mundo, onde jogávamos ao berlinde, corríamos o arco, jogávamos à macaca, saltávamos à corda, e de vez em quando “pregávamos” umas partidas aos vizinhos.

Só havia uma regra, o horário de regressar a casa, imposto pela mãe, tinha de ser cumprido ao segundo, qualquer atraso significava dias sem sair. Aconteceu apenas uma vez, tentei negociar, um açoite em vez do castigo, a resposta foi não, fiquei 3 dias sem sair.

E assim fui crescendo convencida que tinha liberdade.

Um dia, no 7º ano do liceu, num teste de OPAN, para os mais modernos – Organização Política e Administrativa da Nação – armada em intelectual, referi que a Constituição de 1933 tinha sido inspirada nos ideais fascistas de Mussolini.

O que fui escrever! Fui chamada à reitoria, o Reitor, um gentleman, alertou-me para a gravidade do que escrevera. 

Meu pai também foi chamado e alertou-me que havia determinados assuntos que não se podia referir.

E assim, descobri que a tal liberdade que pensava ter era muito relativa, estava apenas associada à responsabilidade é à confiança que tinham em mim.

A verdadeira liberdade, a de pensamento, não me era permitida.

Já em casa, meu pai falou-me que na Colónia Penal do Tarrafal, que ficava na ilha onde vivia, havia muitos presos, com histórias sinistras e humilhantes, porque tinham ousado desafiar o poder vigente. 

Foi quando percebi que uns nunca se deixavam subjugar, preferiam perder a liberdade numa prisão, que perder uma outra liberdade muito mais importante - a de  pensamento e do sentido crítico - pois só assim seriam verdadeiramente livres.

Muito obrigada, MJP

 

Texto da autoria de: Maria

 

16
Out19

Dia Mundial do Pão


Hoje, 16 de Outubro, a par do Dia Mundial da Alimentação, celebra-se também o Dia Mundial do Pão, instituído em 2000, pela União Internacional de Padeiros e Afins.

O pão é um alimento ancestral, dos mais apreciados (e mais consumidos) em todo o mundo. É muito versátil, prestando-se a diversas utilizações no panorama gastronómico. São múltiplas as suas variedades e formas de apresentação.

Eu adoro pão e gosto, particularmente, de o confeccionar... há, lá, coisa melhor que o cheirinho a pão acabadinho de sair do forno?!...

 

Partilho uma imagem da minha última fornada...

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15
Out19

Dia Mundial da Alimentação


Amanhã, 16 de Outubro, assinala-se o Dia Mundial da Alimentação, tendo sido comemorado, pela primeira vez, em 1981. Foi criado com o intuito de promover uma reflexão sobre a alimentação a nível mundial e, principalmente, sobre a fome no planeta. A data foi escolhida para assinalar a criação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), em 1945.

Todos os anos é seleccionado um tema e, a partir dele, diversas actividades artísticas, desportivas e académicas vão sendo desenvolvidas, por todo o mundo. 

O tema do Dia Mundial da Alimentação 2019: "Healthy Diets for a #zerohunger World" tem, como objectivo fundamental, sensibilizar para a importância de promover uma alimentação saudável e sustentável, disponível e acessível, para todos. 

 

Dia-mundial da alimentação -2019_FAO.jpg

 

O Dia Mundial da Alimentação foi criado com o fim último de promover a discussão e a reflexão acerca de assuntos como fome e segurança alimentar, evocando temas que nos fazem pensar na população carenciada, sua segurança alimentar e nutrição.

Enquanto, para muitos de nós, a dificuldade reside em escolher o que vamos comer, muitas pessoas não têm acesso a qualquer tipo de alimento.

Sabia que mais de 800 milhões de pessoas vivem numa situação denominada “insegurança alimentar”?

Isto significa que mais de 800 milhões de pessoas não usufruem de uma alimentação saudável, de qualidade ou em quantidade suficiente para suprir as suas necessidades.

A alimentação adequada é um direito fundamental do Ser Humano, inerente à dignidade da pessoa humana, consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), no seu artigo 25º, “toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação (…)”, devendo o poder público adoptar as políticas e acções que se considerem necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e nutricional da população.

Entende-se por segurança alimentar uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente. Uma realidade que, infelizmente, não é vivenciada por uma parte, cada vez maior, da população portuguesa e por grande parte da população mundial.

É muito importante alertar para a necessidade urgente da redução imediata do desperdício alimentar. A mudança está em cada um, nomeadamente, não comprar em demasia, não ter excesso de produtos no frigorífico, ter atenção aos prazos de validade, não confeccionar refeições em excesso, utilizar, sempre que possível, os produtos da época.

Aproveite o dia 16 de Outubro e reflicta acerca dos seus hábitos alimentares, no desperdício e de que forma pode contribuir para mudar o contexto da alimentação mundial. Pequenas atitudes fazem a diferença e tornam o mundo melhor.

Enquanto muitos (cerca de 820 milhões) lutam contra a fome, outros tantos (ou mais) debatem-se com a obesidade...

 

 

14
Out19

O ponto final...


Hoje vou partilhar, convosco, aquela que foi uma das relações mais longas da minha Vida...

Tudo começou na, longínqua, Primavera de 1996... acabara de ingressar no Curso de Enfermagem e, sem que tivesse voto na matéria, a CGD entrou na Minha Vida, com um cartão de estudante que era, simultaneamente, cartão de débito (MB)... um namoro relâmpago, seguido de casamento, imposto pela Instituição de Ensino (por ser bolseira).  

Ao longo dos três anos (de duração do curso), o casamento decorreu sem sobressaltos (talvez por não partilharmos o mesmo espaço).

Findo o curso, ingressei no mercado de trabalho e decidi comprar casa... mas (há sempre um mas...) precisava de dinheiro... como seria natural (pensei eu), dirigi-me, obviamente, ao "banco da Minha Vida" (o único até então) e, aí, começaram os problemas... as exigências (da outra parte) eram mais que muitas e a relação "azedou"... procurei resposta à minha solicitação na concorrência (e encontrei)...

Entretanto, o casamento foi-se arrastando no tempo, apenas, por comodismo... até que, em meados do ano passado, sou brindada com uma missiva pouco romântica, a comunicar-me que lhe devia dinheiro!!! (cerca de 30€)... Como assim?!... a conta não era movimentada há "séculos", o valor que lá estava depositado era residual, mas não tinha sido gasto...

Contactei a CGD, por e-mail, e fui informada que, tal montante em dívida, correspondia à cobrança de despesas de manutenção de conta!!!... Despesas de manutenção?!... qual manutenção, se a conta não era movimentada há anos?!... responderam-me que a lei, assim, o permitia. Decidi, então, encerrar a conta e pôr termo a este casamento de fachada. Fui informada de que teria de me dirigir a uma agência da Instituição bancária para tal desiderato.

Após fazer um belo stock de paciência, julgando-me apta para tal façanha, dirigi-me à agência e... após 3 (longas e desesperantes) horas de espera (e com o stock de paciência na reserva), decidi solicitar o livro de reclamações... e, de súbito, sou chamada para um "gabinete especial" e atendida pelo gerente (todo ele sorrisinhos afectados e pedidos de desculpa) que, a contragosto (e após muita insistência da minha parte), lá me ofereceu o livro... depois de redigir a reclamação, pedi clarificação do valor em dívida, ao que este me explicou que, para além das despesas de manutenção de conta, também se encontrava por saldar a anuidade de um cartão de débito, que nunca recebi!!!  O dito sr. afirmou que o cartão havia sido expedido para a morada (que estava correcta) e que, eu, deveria reclamar junto dos correios!!!

Não satisfeita com a resposta, decidi saldar a dívida (porque queria, a todo o custo, terminar aquela maldita relação), mas, seguidamente, fiz uma exposição ao Banco de Portugal que, volvidas poucas semanas, me enviou uma resposta politicamente correcta a dizer que "não foram encontrados indícios de infracção por parte da referida instituição"...

Fiquei furiosa com a resposta mas, decidi que não desperdiçaria mais tempo ou energia com aquele assunto...

E, eis que, no final de Agosto (14 meses depois do divórcio, quando julgava já ter feito o luto), sou agraciada com nova missiva do "ex"!!! Desta feita, o conteúdo da dita, deixou-me perplexa!!!... parece que afinal, agora, a credora era eu!!!... queria restituir-me a módica quantia de 17€, cobrada indevidamente, referente à anuidade do tal cartão de débito (que nunca recebi)... e que, para que tal se pudesse efectivar, teria de (voltar a) dirigir-me a uma das suas agências... nem queria acreditar que teria de voltar a pisar semelhante território e... ponderei (muito) se valeria a pena o sacrifício ou se deveria ignorar e, assim, contribuir para aumentar os lucros do "ex"...

Entretanto o tempo foi decorrendo e, na passada sexta-feira, ganhei coragem e lá fui, determinada a reaver o que era meu por direito...

Para começar ("bem"), tirei senha para a fila errada (bem fez a senhora que chegou, imediatamente antes de mim, e retirou uma senha para cada fila)... vinte e cinco minutos depois, sou informada de que terei de tirar outra senha para outra fila (23 pessoas à frente)... após mais 2 horas e meia de espera, lá consegui ser atendida e colocar, definitivamente, um ponto final nesta relação de má memória...         

 

13
Out19

Para Ti...


Hoje, escrevo para Ti, Meu Querido Pai...

Se fosses vivo, completarias, hoje, 90 anos (que bela idade!)... mas, infelizmente, há muito que me deixaste (apenas fisicamente, eu sei!)... tempo de mais... demasiado cedo... mas... "é a Vida" (como, sempre, me dizias)...

Não te preocupes, não vou queixar-me da Vida, nem das suas circunstâncias... sempre me ensinaste a ser corajosa (modéstia à parte, até, acho que nem te saiste nada mal...), a encarar a Vida "de frente", a assumir, a aceitar e a integrar os acontecimentos da Vida (causados por mim ou por terceiros)... a "dar a volta por cima", a lutar para mudar o que não me agradava, a renascer a cada "tropeção" ("só se levanta quem cai", como Tu dizias...), a não ter medo nem vergonha de expressar sentimentos e opiniões (mesmo que o resultado final não seja o esperado)... a ser humilde, genuína, honesta, generosa, tolerante, leal, AMIGA...

Ensinaste-me o valor da Liberdade (teria, eu, uns quatro anos!... um dia conto, por aqui...), algo que tanto prezavas e respeitavas...

Ensinaste-me tantas coisas que não "cabem" em palavras... és a prova clara de que sabedoria e instrução (académica) são coisas bem distintas... eras bem mais sábio, com a tua 4ªclasse, do que eu, alguma vez serei, com os meus sucessivos graus académicos...

Foste o Meu Melhor exemplo, o Meu Melhor Professor... nunca falavas das coisas antes de as fazeres... primeiro exemplificavas (fazendo) e depois explicavas-me o procedimento e as razões subjacentes a cada pormenor... ensinaste-me a ser curiosa... a não ter medo de questionar e de assumir (o) que não sabia... ensinaste-me que a dúvida corrói e que não devemos viver com ela...

Ensinaste-me a AMAR a Vida e tudo o que ela contém (sem lhe querer subtrair peças)...

Ensinaste-me a ser uma Pessoa, com gente dentro (como Tu eras!)...

AMO-TE Muito!

 

Sagres

Sagres... (...do Nosso lugar...) 

 

12
Out19

"Velai comigo"...


Porque, hoje, se assinala o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, não poderia deixar de recordar Dame Cicely Saunders, sua grande obreira (pioneira do movimento moderno dos Cuidados Paliativos).

Velai Comigo é um pequeno livro, que reune um conjunto de textos da autora, constituindo um importante documento histórico sobre a temática, onde são relatados, de forma fidedigna, os primórdios do movimento moderno dos Cuidados Paliativos.

 

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"Velai comigo" significa mais do que ganhar competências. Significa transmitir aquilo que aprendemos e tentar compreender o sofrimento mental e a solidão. Significa também muita coisa que não pode ser entendida.

"Velai comigo" significa, simplesmente, e acima de tudo, "estar lá."

Dame Cicely Saunders

 

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