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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

30
Jun20

2020 vai a meio... e os profissionais de saúde?!...


E assim, de repente (ou talvez não!), estamos a meio do ano...

Um ano diferente... arriscaria, mesmo, dizer que 2020 será, provavelmente, o ano mais atípico que a maioria de nós já experienciou...

Fomos brindados com acontecimentos inesperados (inimagináveis) que abalaram, provavelmente, algumas das nossas certezas...

Muito se tem opinado sobre o assunto... muitas teorias emergiram (com maior ou menor fundamento) sobre a origem do vírus, sobre a sua disseminação... 

No início do ano, creio que poucos pensariam que o vírus chegaria à Europa... à medida que o tempo foi decorrendo e as imagens do desespero (e da morte), que chegavam de Itália e de Espanha,  invadiam os nossos ecrãs, fomo-nos dando conta de que isto era "real"... que o "nosso dia" haveria de chegar... era inevitável a chegada do vírus a Portugal... muitos de nós, conhecedores das fragilidades do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS) - onde eu me incluo - temeram o pior...

O SNS é (ou deveria ser) a "jóia da coroa"... a salvaguarda da nossa saúde, em última instância, da nossa Vida... o que é facto é que, ao longo de décadas, sempre foi negligenciado, subfinanciado, pelos sucessivos governos... era público... toda a gente sabia, mas ninguém parecia importar-se verdadeiramente... desde que "o trabalho aparecesse feito" ninguém queria conhecer "os meios usados para atingir os fins", porque o importante é ter estatísticas bonitas para apresentar - números de consultas, de cirurgias realizadas, etc....

Sempre houve uma tremenda falta de respeito pelos profissionais de saúde, estes sempre foram vistos como meras "peças de engrenagem" facilmente substituíveis... os sucessivos governantes nunca lhes prestaram atenção, nunca quiseram saber quem eram, nem precisavam de um nome, um número era suficiente para os identificar - o número mecanográfico - torna tudo mais fácil, não é?!...

Com a pandemia instalada, muitos rostos de profissionais de saúde tornaram-se públicos (por tristes razões), muitos tomaram consciência que os profissionais de saúde também são Pessoas, que têm famílias, amigos, que têm medos, fragilidades, que são vulneráveis ao contexto que os envolve... bateram-se palmas à janela, teceram-se rasgados elogios... mas...

O que é facto é que não sabemos quando esta pandemia chegará ao fim, prevendo-se que o caminho a percorrer ainda seja muito longo, e os profissionais de saúde, que não abandonaram a luta, continuam frágeis, vulneráveis, desprotegidos, com deficientes condições de trabalho, que não são novas mas que, em muitos casos, se acentuaram (e muito) com esta crise sanitária...

Os profissionais de saúde sempre acreditaram no SNS... ao contrário dos sucessivos governantes... que, apenas, se serviram dele e dos seus números (sem rostos)... e, lamentavelmente, prevejo que assim continuará...

 

29
Jun20

Alimentos de A a Z... açúcar


Hoje vou falar-vos sobre um inimigo invisível: o açúcar!

 

Alimentos de A a Z_açucar.gif

Nem todos os açúcares são iguais!1

A atracção pelo doce é o motivo de sobrevivência do ser humano desde sempre. Sabendo que, na natureza, nada do que é doce é simultaneamente tóxico, podia colher plantas desse tipo sem correr risco de vida. O açúcar processado só entrou mais tarde na dieta: até ao século XVII, era uma especiaria de luxo, como o cardamomo.

 

O que é, afinal o açúcar (ou, melhor dizendo, açúcares)?2,3

 

“Açúcares” é um termo genérico utilizado para designar alguns dos hidratos de carbono que ingerimos.

 

Os hidratos de carbono podem ser classificados em simples ou complexos:

Os hidratos de carbono simples são compostos por uma ou duas moléculas de açúcares, de fácil digestão e rápida absorção pelo organismo – a lactose (leite e derivados), a frutose (fruta, milho e leguminosas) e a sacarose (o comum açúcar de mesa).

Por sua vez, os hidratos de carbono complexos são compostos por várias moléculas de açúcares, o que torna a sua digestão e absorção muito mais lenta. Estes são os hidratos de carbono que devemos priorizar na nossa alimentação, sobretudo o amido, presente na batata e nos cereais.

 

Tipos de açúcar:

1. Açúcar mascavado

É o primeiro tipo de açúcar a ser extraído do sumo da cana-de-açúcar, não sofrendo qualquer refinação. Este contém menos sacarose (95%) do que o vulgar açúcar branco (99,9%), os restantes 5% dizem respeito a sais minerais e matéria orgânica que dão ao açúcar mascavado a cor e aroma específico (baunilha e rum).

Apresenta melhor qualidade nutricional. É menos solúvel que os outros açúcares. Existe em versão mais clara, mais aromático e em versão mais escura. É útil quando se pretende dar cor a bolos sem usar, por exemplo, o chocolate.

 

2. Açúcar cristalizado branco (refinado)

Este é constituído por 99,9 % de cristais de sacarose, que são naturalmente brancos.

 

3. Açúcar em pó

Trata-se de um açúcar granulado normal moído finamente. Existem dois tipos de açúcar em pó: (1) açúcar em pó com amido onde é adicionado uma pequena percentagem (inferior a 3 %) de antiaglomerante, que evita a formação de grumos e torna os produtos finais mais leves. (2) açúcar em pó sem amido que também é um açúcar moído, mas sem antiaglomerante. Os principais utilizadores deste produto são empresas da indústria farmacêutica.

 

4. Açúcar light

É uma mistura de açúcar de cana e de um adoçante feito a partir do açúcar, a sucralose. A sucralose é um derivado do açúcar obtido através da modificação da molécula de açúcar tornando-se aproximadamente 600 vezes mais doce que o açúcar, garantindo o mesmo paladar com zero calorias. Deste modo, quando usado para adoçar comidas ou bebidas, não é acrescentada nenhuma caloria.

 

5. Açúcar amarelo

É parcialmente refinado. O melaço não é totalmente eliminado, o que lhe confere a cor dourada. Apresenta maior teor de humidade e é ideal para receitas de bolos em que se pretende uma maior durabilidade.

 

6. Xarope de açúcar

Consiste na combinação de sacarose com água. Pode ter adição de aromas e cor. É utilizado, por exemplo, em bebidas, bolachas e rebuçados.

 

7. Açúcar Demerara

É obtido por um processo mais simples de refinação do açúcar. A sua cor é o resultado da adição de xaropes no processo de fabrico. Mantém alguns minerais da cana, mas não tanto como o mascavado.

 

8. Biológico

O seu cultivo (da cana) é realizado sem recurso a fertilizantes químicos e utiliza processos protectores do meio ambiente. Apresenta características nutricionais similares às do açúcar mascavado.

 

9. Frutose

É um açúcar natural, presente em frutas, milho e leguminosas. Adoça mais do que os restantes açúcares, pelo que se pode usar em menor quantidade.

 

10. Mel

É um alimento produzido pelas abelhas a partir do néctar recolhido das flores e processado pelas suas enzimas digestivas. Ao contrário do açúcar refinado o mel possui inúmeros benefícios para a saúde nomeadamente: poder antioxidante; cicatrização de feridas; propriedades antidiabéticas (devido ao baixo índice glicémico) e actividade antimicrobiana.

 

11. Açúcar de coco

A extracção do açúcar de coco é feita a partir das flores da palma de coco. O néctar dessas flores é retirado e aquecido criando um caramelo espesso. Esse caramelo é então triturado em pequenos cristais. 

 

E... os adoçantes?!...

De forma a substituir o açúcar surgiram os adoçantes, também designados de edulcorantes, que possuem um poder adoçante muito superior ao açúcar. Existem dois tipos: os calóricos e os não calóricos.

Os calóricos contêm calorias, mas em quantidades significativamente inferiores ao açúcar [Polióis (Sorbitol, Manitol, Xilitol, Maltitol) e Stévia]. Os não calóricos, tal como o nome indica, não contêm calorias nem alteram a glicémia. Possuem um poder adoçante muito superior ao açúcar (Acessulfame de Potássio, Sacarina, Aspartame, Sucralose, Ciclamato).

Os adoçantes, quando consumidos nas quantidades diárias recomendáveis, não representam perigo para a saúde humana nem se relacionam com um aumento do risco de cancro ao contrário do que tem sido afirmado ao longo das últimas décadas.

 

Valor energético comparado

O açúcar mascavado é ligeiramente menos calórico do que o açúcar branco, pelo que, em cada 100g de açúcar mascavado existem 377 kcal enquanto que 100g de açúcar branco contêm 391 kcal. Para além disso, com o processo de refinação, o açúcar branco perde minerais como cálcio, magnésio, fósforo e potássio. No entanto estas características não tornam o açúcar mascavado mais interessante nutricionalmente do que o açúcar branco - a sua ingestão pode ser tão prejudicial, para a saúde, quanto a ingestão de açúcar branco.

Em cada 100g de açúcar de coco existem 360 kcal, menos que no açúcar mascavado e refinado. O açúcar de coco é considerado um substituto mais saudável para o açúcar refinado devido ao seu baixo índice glicémico.

O mel possui 304 kcal por cada 100g, valor substancialmente mais baixo que o açúcar mascavado e refinado.

 

Consumo de açúcar em Portugal4

O consumo médio nacional de açúcares simples é de 90 g/dia. Cerca de 9,8 milhões de Portugueses (mais de 95% da população) consomem açúcares simples acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (10% do aporte energético). Um quarto das crianças consome uma quantidade superior a 32 g/dia.

O açúcar é necessário, constituindo a principal fonte de energia do organismo e está presente em diversos alimentos. O verdadeiro inimigo dá pelo nome de: açúcar(es) simples, livres ou vazios (a glicose e a frutose que formam a sacarose ou o açúcar de mesa), que apenas acrescentam calorias sem adicionarem qualquer outro valor nutricional.

 

Malefícios do consumo excessivo de açúcar

Obesidade

5,9 milhões de Portugueses (quase 6 em cada 10 Portugueses) têm obesidade ou pré-obesidade. Os idosos são o grupo mais vulnerável - 8 em cada 10 têm obesidade ou pré-obesidade.

Os números do Inquérito Alimentar demonstram ainda que 80% dos idosos e 50% da população adulta portuguesa está em risco de obesidade abdominal (gordura visceral)

A gordura visceral é a responsável pelo aparecimento de diabetes, hipertensão; aumenta 20 vezes a probabilidade de cancro de colo do útero, do ovário, da bexiga, de enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular-cerebral, insuficiência renal, infertilidade.

 

Diabetes

Um dos problemas dos açúcares simples ainda não referido é que estes têm um índice glicémico muito precoce. Dito de outro modo: se comer pão branco, talvez em meia hora a sua glicémia esteja alta. E esta disponibilidade rápida de glicose vai exigir que o pâncreas produza insulina. A diabetes surge quando o pâncreas é constantemente estimulado – na medida em que ingere mais e mais açúcares simples.

 

Fígado gordo e insuficiência renal

Robert Lustig, endocrinologista pediátrico norte-americano, assegura que o consumo excessivo de açúcar tem "os mesmos efeitos crónicos para a saúde que o álcool: a depressão, a cirrose, os riscos cardiovasculares".5

O fígado é o filtro do organismo humano - transforma o açúcar em triglicéridos (gordura). É um órgão inteligente, que reage de acordo com as necessidades do organismo: quando não há açúcar, fabrica e, quando há excesso, armazena-o. O problema surge quando o fígado ultrapassa a sua capacidade máxima de armazenamento, tornando-se disfuncional - o chamado fígado gordo - que pode evoluir para inflamação hepática e, eventualmente, cancro do fígado.

No caso dos rins, o excesso de açúcar origina a formaçao de compostos tóxicos que, numa primeira fase, prejudicam o funcionamento e a longo prazo conduzem a insuficiência renal.

 

Doenças Cardiovasculares

Uma revisão de estudos científicos publicada no British Medical Journal6, por dois investigadores, sugere que uma dieta em que 25% das calorias são açúcares adicionados (quando comparada com uma em que estes representam apenas 10%) triplica o risco de mortalidade cardiovascular (em Portugal são cerca de 35 mil por ano).

 

Comprometimento do sistema Imunitário

Os parasitas intestinais, sobretudo a Candida albicans, adoram açúcar. O que significa que, quanto mais deste hidrato de carbono ali chegar, mais estes parasitas vão crescer, alterando a flora intestinal e destruindo as bactérias benéficas, fazendo com que o intestino diminua a sua capacidade de absorção de nutrientes, vitaminas e minerais, com consequências nefastas para o sistema imunitário.

Como o organismo recebe mais açúcares do que nutrientes essenciais para o seu funcionamento, inicia-se um processo inflamatório que pode levar a doenças auto-imunes. Se este ocorrer na mielina, uma camada que envolve as fibras nervosas do cérebro, pode originar esclerose múltipla; se for nas articulações, artrite reumatóide.

 

Alterações cerebrais

De acordo com Celso Pontes, neurologista da Associação Alzheimer Portugal, a ligação entre demência e diabetes é conhecida "há muito". Através das alterações na circulação (com excesso de açúcares no sangue), a diabetes "pode ser causa directa de uma demência vascular, que muitas vezes acompanha a doença de Alzheimer"

 

Doenças orais

A cárie dentária é a doença mais comum no mundo, segundo a OMS. E apenas 3% dos portugueses nunca tiveram este problema, de acordo com o último estudo epidemiológico de doenças orais.7 

A ingestão de alimentos açucarados (sobretudo quando feita fora das refeições e antes de dormir, porque não se lavam os dentes) cria ácidos que levam à perda mineral e, por fim, às cáries. Em casos mais avançados perde-se o dente. Mas as consequências vão muito além de uma dor. São "mais de 150 as doenças que podem ser agravadas por doenças orais, de uma simples cárie até infecções bacterianas que podem alastrar a órgãos vitais", alerta a médica dentista Marta Novais.

 

Alterações da pele

Quando o açúcar se liga às proteínas, o colagénio e a elastina perdem a sua flexibilidade e tornam-se rígidos, consequentemente, a pele perde o seu aspecto saudável, torna-se seca, baça, flácida e com rugas.

 

1https://www.cmjornal.pt/viver-com-saude/bem-estar-e-nutricao/detalhe/acucar-amigo-ou-inimigo

2https://lifestyle.sapo.pt/saude/peso-e-nutricao/artigos/os-seis-tipos-de-acucar-quais-os-seus-beneficios

3https://saboreiaavida.nestle.pt/alimentacao-saudavel/nutricao/374/tipos-acucar/#gs.7tgopn

4https://nutrimento.pt/activeapp/wp-content/uploads/2017/03/IAN_Apresentacao-sumaria-resultados.pdf

5https://www.lepoint.fr/sante/dr-robert-lustig-le-sucre-a-tous-les-criteres-d-une-substance-toxique-et-addictive-19-10-2017-2165646_40.php

6https://openheart.bmj.com/content/4/2/e000729

7https://www.dgs.pt/em-destaque/iii-estudo-epidemiologico-nacional-das-doencas-orais-ppt.aspx

 

 

28
Jun20

Bom domingo!


XLI - No entardecer dos dias de Verão, às vezes,

 

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,

Ainda que não haja brisa nenhuma, parece

Que passa, um momento, uma leve brisa...

Mas as árvores permanecem imóveis

Em todas as folhas das suas folhas

E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,

Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...

 

Ah!, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!

Fôssemos nós como devíamos ser

E não haveria em nós necessidade de ilusão...

Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida

E nem repararmos para que há sentidos...

 

Mas Graças a Deus que há imperfeição no Mundo

Porque a imperfeição é uma coisa,

E haver gente que erra é original,

E haver gente doente torna o Mundo engraçado.

Se não houvesse imperfeição, havia uma coisa a menos,

E deve haver muita coisa

Para termos muito que ver e ouvir...

"O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa

 

Algar seco.JPGAlgar Seco_Carvoeiro

 

26
Jun20

A Liberdade de... Ó Menina


Liberdade

 

Desafiaram-me a escrever acerca da liberdade. Aceitei, sem imaginar o quão difícil poderia ser discorrer, por estes dias, acerca de algo que julgávamos tão simples e adquirido.
Os dias foram correndo sem conseguir encontrar o caminho certo a percorrer com este mote.
Podia escrever sobre os pássaros que preenchem o silêncio da rua sem que lhes limitemos tanto as asas como noutras Primaveras, mas não me apetece, deixo para os poetas.
Podia escrever acerca do teletrabalho e do quanto estávamos enganados acerca da liberdade que lhe supúnhamos, antes do escritório ter ocupado a nossa casa sem pedir licença, mas também não me apetece, deixo para os sociólogos.
Lembrei-me das crianças que podem andar para trás na box e escolher a que horas assistem à aula de estudo do meio que pode muito bem ser a hora a que o colega de carteira está a treinar a leitura, a fazer ginástica ou no mais profundo silêncio, sem se mexer, à espera que o pai acabe o trabalho para o ajudar com os deveres ou o jantar porque o mundo é das crianças mas as facturas para pagar são dos pais e um pai em teletrabalho não é considerado cuidador ou trabalhador por inteiro... Passo! Vou deixar para os psicólogos.
Olhei em volta e as opções já eram poucas.
Pensei na liberdade que sinto ao trabalhar, resguardada na intimidade, sem soutien mas isso diz mais da falta de liberdade que temos em sociedade do que dela propriamente dita.
Demorei-me mais um pouco e quando reparei já estava no fim do prazo e a falta de tempo tolhe-me a liberdade de reflectir e criar um texto que correspondesse às expectativas que a autora do desafio em mim depositara, o que me faz pensar no quanto limitamos a nossa liberdade por aquilo que achamos que esperam de nós mas já não tenho tempo.
Agradeço o desafio que me permitiu reflectir acerca da liberdade mesmo que não tenha terminado sem a certeza de que escrevi acerca dela.
 
Texto da autoria de: Ó Menina
 
 
24
Jun20

Bolo de cenoura...


 

Para celebrar o São João, sugiro-vos um delicioso bolinho de cenoura:

 

Bolo de cenoura.jpgBolo de cenoura

 

Ingredientes:

  • 2 cenouras médias
  • 3 ovos
  • 1 + 1/2 chávena de açúcar
  • 1/2 chávena de azeite
  • 2 chávenas de farinha de trigo 55 (sem fermento)
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

 

Preparação:

Ligue o forno a 180ºC.

Unte uma forma redonda (20 cm de diâmetro) com manteiga, forre com papel vegetal, volte a untar, polvilhe com farinha e reserve.

Descasque as cenouras, corte em rodelas e coloque no liquidificador. Adicione os ovos, o azeite e o açúcar e triture bem até obter uma mistura homogénea.

Verta o preparado numa taça e adicione, aos poucos, a farinha misturada com o fermento. Envolva bem, sem bater, e coloque na forma.

Leve ao forno e deixe cozer por cerca de 50 minutos (faça o teste do palito antes de desligar o forno).

Desenforme e polvilhe com açúcar em pó.   

 

23
Jun20

Os dias de Verão...


 

Os dias de Verão

 

Os dias de verão vastos como um reino

Cintilantes de areia e maré lisa

Os quartos apuram seu fresco de penumbra

Irmão do lírio e da concha é o nosso corpo

 

Tempo é de repouso e festa

O instante é completo como um fruto

Irmão do universo é o nosso corpo

 

O destino torna-se próximo e legível

Enquanto no terraço fitamos o alto enigma familiar dos astros

Que em sua imóvel mobilidade nos conduzem

 

Como se em tudo aflorasse eternidade

 

Justa é a forma do nosso corpo

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Praia da Figueira.JPGPraia da Figueira

 

22
Jun20

Alimentos de A a Z... açafrão


 Hoje trago-vos: açafrão e açafrão-da-terra!

Alimentos de A a Z_açafrão.gif

Começo por clarificar uma dúvida que subsiste para muitas pessoas: açafrão e curcuma, também conhecido por açafrão-da-terra ou açafrão-das-índia (daí a confusão), são a mesma coisa?... são partes distintas da mesma planta?...

A resposta é: NÃO!

O açafrão é extraído dos estigmas (ou pistilos), pequenos filamentos vermelhos, localizados no centro das flores de Crocus sativus, uma planta da família das Iridáceas. Quando seca, a flor liberta um pigmento amarelo e um óleo volátil, tradicionalmente usado como corante de tecidos.

É utilizado desde a Antiguidade como especiaria, principalmente na cozinha Mediterrânica — região de onde a variedade é originária — na preparação de risotos, aves, caldos, massas e doces. É um ingrediente essencial à paelha espanhola.[1]

Estima-se que o açafrão seja cultivado há mais de 3.500 anos, por várias civilizações, em diferentes continentes. Sempre foi considerada uma das substâncias mais caras do mundo, sendo de referir que para obter um quilo de açafrão é necessário colher (manualmente), pelo menos, 150 a 200.000 flores, requerendo toda a cultura (para 150.000 flores) até 400 horas de trabalho. 

No mercado internacional a cotação do açafrão (granel) varia entre os 1.000€/kg (açafrão iraniano) e os 3.000€/kg (açafrão espanhol), diferenças estas que estão relacionadas com a qualidade do produto.

Muitos estudos indicam que as propriedades encontradas no açafrão se devem aos carotenoides - crocina e safranal - com propriedades antioxidantes (que evitam a oxidação das lipoproteínas, aumentando a protecção cardiovascular) e receptores selectivos de radicais livres.[2] 

 

Saffran_crocus_sativus_moist.jpg

Açafrão_florIran_saffron_threads.jpgAçafrão_estigmas

 

O açafrão-da-terra (Curcuma longa), conhecido também como curcumaturmérico, raiz-de-sol, açafrão-da-índia, açafroa e gengibre amarelo, é uma planta herbácea da família do gengibre (Zingiberaceae), originária da Ásia (Índia e Indonésia). É da raiz seca (e moída) que resulta a especiaria homónima, utilizada como condimento ou corante (de cor amarela e brilhante) na culinária e na elaboração de medicamentos.[3]

A primeira referência literária desta planta data de 600 a.C. onde é descrita como uma planta corante.

O seu uso na culinária é, actualmente, amplamente difundido, integrando a mistura que designamos por caril. É ainda usada na confecção de inúmeros pratos de peixe e arroz. Uma vez que é (muito) mais barato que o açafrão e possui, igualmente, coloração amarela, é muitas vezes utilizado como substituto deste último como corante alimentar.

Esta planta é tradicionalmente utilizada pelas medicinas Ayurvédica e Chinesa, devido à presença de fitoquímicos, denominados curcuminoides, encontrados em grande quantidade nas raízes (rizomas) da planta.

Os curcuminoides são pigmentos que possuem poderosas propriedades: antioxidantes, antimicrobianas, anti-inflamatórias e moduladoras do sistema imunitário. De entre os curcuminoides, destaca-se a curcumina, que representa 77%.

À curcumina são atribuídas varias propriedades com acções benéficas para o organismo, nomeadamente: antidispéptica (atenua dor e sensação desagradável relacionada com a função digestiva), carminativa (atenua o desenvolvimento de gases intestinais), colerética (aumenta a secreção de bílis), espasmolítica (inibe os espasmos musculares), hepatoprotectora (protege o fígado) e antidepressiva.[4]

Atualmente, o seu uso é indicado como eupéptico (auxílio ao processo digestivo), estimulante das secreções digestivas e carminativo nas disquinesias hepatobiliares, hepatites e cólicas gastrointestinais.

São-lhe ainda atribuídas propriedades antiagregante plaquetária e antioxidante, estando também descritos benefícios da sua administração na prevenção de hiperlipidemias (níveis sanguíneos elevados de colesterol e triglicéridos), arteriosclerose e tromboembolias. Alguns estudos sugerem uma acção antimutagénica, não sendo, no entanto, suficientes para que se afirme, neste momento, qualquer acção anticancerígena da planta.

Mais recentemente, têm sido realizados alguns estudos acerca das suas propriedades anti-inflamatórias, cujas conclusões permitem a sua inclusão em diversos suplementos alimentares indicados como coadjuvantes no tratamento de artrites e de outras condições inflamatórias do foro reumatológico, com resultados francamente positivos.

Externamente, algumas preparações cosméticas à base de açafrão-da-índia são tradicionalmente aplicadas em infecções e eczemas.

Apesar dos benefícios que estão associados ao seu consumo, o uso de açafrão-da-índia está, no entanto, contra-indicado em caso de obstrução das vias biliares.[5]

 

Curcuma_longa_001.jpg

Açafrão-da-terra_flor

 

Curcuma_longa_roots.jpgAçafrão-da-terra_raíz

 

[1]https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7afr%C3%A3o

[2]https://www.agazeta.com.br/revista-ag/vida/curcuma-e-acafrao-saiba-a-diferenca-entre-elas-e-conheca-beneficios-1119

[3]https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7afr%C3%A3o-da-terra

[4]https://www.noticiasmagazine.pt/2020/acafrao-prozac-medieval-viagra/estilos/218255/

[5]https://lifestyle.sapo.pt/saude/peso-e-nutricao/artigos/acafrao-da-india-uma-especiaria-medicinal

 

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