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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

26
Fev21

A Liberdade de... Concha


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Quando um dia as palavras forem poucas,
esquecidas no escasso uso que lhes damos.
Quando ninguém interrogue o passado ou procure um futuro, 
aceitando mansamente o dia que vive.
Quando já não existam ideais, pelo cansaço que traz uma luta.
 
Quando, pela inércia e pelo hábito, 
as gentes se tenham confinado em si próprias...
 
Voltarei a este Inverno, de hoje,
em que andamos pelas ruas na calada de noite,
corremos rente ao mar só para o respirarmos
 
e ainda nos lembramos a que sabe a Liberdade 
 
 
Texto e imagem da autoria de: Concha
 
 
22
Fev21

Alimentos de A a Z... Castanha


No seguimento da rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos a castanha.

 

Alimentos de A a Z_castanha.gif

 

O castanheiro (Castanea sativa Mill.) teve a sua origem na região leste do Mediterrâneo há mais de 90 milhões de anos, espalhando-se depois por todo o continente. A castanha é, provavelmente, um dos mais antigos alimentos consumidos pelos habitantes da região que, hoje, designamos por Europa.

Do ponto de vista nutricional, as castanhas constituem um verdadeiro tesouro alimentar (infelizmente, ainda, desconhecido para a maioria das pessoas).

Dez castanhas assadas (84g) fornecem apenas 2g de gordura, mas 17% da quantidade diária de fibra necessária. Isentas de glutén, podem substituir os cereais com glúten, fornecendo energia de qualidade para os doentes celíacos (com intolerância ao glutén), por exemplo.

A castanha é uma excelente fonte de vitaminas, minerais e compostos químicos protectores das células. Das vitaminas presentes na castanha é de realçar a grande quantidade de vitamina C (presente, sobretudo, nos citrinos), mas que aqui ganha importância, em especial para as populações do interior e durante o inverno. Dez castanhas assadas fornecem 36% das quantidades necessárias de vitamina C, 14 % da tiamina necessária, 21% da vitamina B6 e 15% do ácido fólico, este último habitualmente presente nos hortícolas de cor verde. Quanto aos minerais, a castanha fornece quantidades apreciáveis de cálcio, ferro, magnésio, potássio, fósforo, zinco, cobre, manganésio e selénio.

A castanha possui ainda diferentes fitoquímicos, nomeadamente, luteína, zeaxantina, e diversos compostos fenólicos que são importantes anti-oxidantes e protectores celulares.

Os hidratos de carbono presentes na castanha possuem quantidades apreciáveis de amiloses e amilopectinas, polissacarídeos que permitem o desenvolvimento da flora intestinal e a produção de cadeias de ácidos gordos de cadeia curta. Se a este facto, adicionarmos as substâncias indigeríveis (fibra) que estimulam a presença de bactérias probióticas benéficas no intestino, do género Bifidobacterium e Lactobacillus, encontramos na castanha um excelente aliado na redução dos processos inflamatórios (que poderão estar na génese de alguns cancros do intestino). A presença de fibra pode ainda contribuir para a regulação dos níveis de colesterol e da resposta de insulina.

Com tantos atributos é pena que a castanha não integre com mais frequência as nossas refeições, tanto em casa como na escola, podendo substituir o arroz, a massa ou a batata com frequência e com vantagens nutricionais. (Sobretudo dada a sua vasta produção em Portugal, desde a Serra da Padrela, Marvão-Portalegre, até Trancoso e à Terra Fria Transmontana).

 

Dicas para conservar e preparar castanhas 

  • Antes de assar ou cozer as castanhas, convém fazer um pequeno corte na pele, para evitar que rebentem. As castanhas devem ser bem cozidas e mastigadas para facilitar a assimilação.
  • Na loja, repare no estado da casca: deve apresentar-se brilhante.
  • As castanhas podem ser conservadas cozinhando-as numa calda de açúcar, conhecida por marron glacé.
  • As castanhas cruas, com casca, podem conservar-se, no congelador, durante 3 meses. No frigorífico, em sacos de plástico perfurados, até 1 mês. À temperatura ambiente, em lugar fresco, seco e bem ventilado, até 1 semana.
  • As castanhas cozinhadas, podem conservar-se até 6 meses no congelador.

A castanha é um fruto muito versátil, que permite variadíssimas utilizações culinárias, nomeadamente, como acompanhamento de assados ou em puré, como base para sopas e molhos, em pratos de carne e peixe, sobremesas, compotas e bolos.

 

Sugestões de utilização:

Bolachas de castanhas

Bolinhos de castanhas

Bolo de castanha e chocolate

Brownie de castanha

Camarão com castanhas

Carne de porco com castanhas (sem glúten)

Castanhas assadas (na frigideira)

Castanhas em calda

Castanhas salteadas com cogumelos

Codornizes de escabeche com castanhas

Crème brûlée de castanhas

Creme de cogumelos e castanhas

Creme de castanhas com erva-doce

Estufado de legumes com castanhas

Lombinho de porco com castanhas

Mousse de castanhas

Pão lusitano de bolota ou castanha

Sopa de castanhas

Tiramisu de castanha

Trufas de castanha e chocolate

 

https://www.saberviver.pt/comida/nutricao/o-que-deve-saber-sobre-castanhas/

https://www.medis.pt/mais-medis/dieta-e-nutricao/castanhas-um-fruto-cheio-de-nutrientes/

https://www.arodadaalimentacao.pt/alimentacao/castanhas-beneficios/

https://www.deco.proteste.pt/alimentacao/produtos-alimentares/dicas/castanhas-quentes-boas-e-nutritivas

https://florestas.pt/descobrir/sao-martinho-qual-a-origem-da-tradicao-das-castanhas/

https://claradesousa.pt/receita/receitas-com-castanha-doces-e-salgadas/

https://jornaldocentro.pt/online/lifestyle/quentes-e-boas-chegou-epoca-das-castanhas

https://nutrimento.pt/dicas/castanha-um-tesouro-nutricional-a-explorar-nesta-semana-de-sao-martinho/

 

19
Fev21

A Liberdade de... Ana Cristina Gomes


A liberdade de ser quem sou!

Fui durante muitos anos prisioneira de mim mesma. Conhecia a definição de liberdade do dicionário. Sabia que vivia numa sociedade cuja liberdade tinha sido resgatada nesse 25 de abril de 1974. Tinha liberdade de expressão, podia escrever as minhas opiniões. Podia ir onde bem quisesse sem ter de me justificar. No entanto, eu não era livre. Não porque estivesse em clausura numa casa. Eu própria me encerrava no meu quarto, longe de tudo e todos. Ninguém me prendia os movimentos ou palavras. Eu própria os petrifiquei sem qualquer hipótese de uma ação. Eu estava refém de mim mesma. A liberdade era uma miragem na minha vida. Só eu me poderia libertar de mim mesma. Não sabia se algum dia conseguiria abrir o cadeado. A chave estava no meu coração, mas achava que o caminho estava vedado e não o ultrapassaria para encontrar o meu tesouro mais precioso. Eu mesma. 

Era uma miúda e adulta tímida e com excesso de peso. Cedo passei a odiar ver-me ao espelho. Era tão feia aos meus olhos. Não cuidava de mim porque não valia a pena. Ninguém olharia para uma prisoneira em decomposição num calabouço de si mesma. Arrastava a minha autoestima na mais suja lama que existe. Nunca dizia o que me ia na alma. Não partilhava emoções. Não confessava sentimentos. Dizia que sim a tudo. Desconhecia o poder da palavra não. Tinha medo de mostrar quem eu era e o que queria. Ficava tudo na minha garganta a remoer até me adoecer o corpo. Enfim, estava presa sei lá eu onde. 

Fugia das amizades e do amor. Tinha vergonha de mim. A pessoa que os outros viam era um espetro de quem eu realmente era. Tinha construído tantos muros e vedações para ninguém entrar. A liberdade nem sempre é algo físico, algo palpável. A liberdade está na nossa mente. Nas nossas crenças. Naquilo que fazemos de nós. 

Um dia decidi que era tempo de me soltar. De começar a viver antes de morrer de solidão. Sair da prisão onde já vivia desde que me conhecia não seria um processo fácil. Não era chegar ali e dizer-me “Agora, Ana, és livre”! Era preciso subir devagar cada degrau até ao meu coração para não cair aos trambolhões e ficar ainda mais ferida e prostrada no chão. Era urgente começar a cuidar de mim, do meu corpo, da minha mente. Tinha de me mimar. Tinha de aprender a sentir os momentos. Até os mais singelos e despercebidos instantes eram valiosos nesta minha libertação. Aos poucos fui destruindo as minhas barreiras. A deixar entrar o sol e a luz das estrelas para me guiarem rumo a essa liberdade desaparecida na sombra que eu era. Foi tão, mas tão difícil. Uma autêntica guerra. Um caminho muito moroso e penoso. Foi uma luta titânica dentro de mim. Ir ao mais profundo do meu ser, embalar as minhas feridas, enfrentar medos e inseguranças. Cada conquista minha era uma amarra que desaparecia do meu ser.  Começar a fazer o que me oferecia o prazer da felicidade. A escrever. A escrever quem sou e que emoções transporto. Ainda não terminei essa travessia, porque a viagem dentro de nós nunca termina. Mas hoje sei e sinto que sou livre, não porque vivo numa democracia, mas porque tenho em mim a liberdade de poder ser quem eu realmente sou! Sem medos, prisões ou fantasmas. 

Para mim liberdade é o amor por mim. Saber amar-me foi a mais difícil batalha que travei, mas foi aquela que me libertou! 

 

Texto da autoria de: Ana Cristina Gomes

 

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