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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

19
Set22

Alimentos de A a Z... Sal


Na sequência da rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos o sal.

Alimentos de A a Z_sal.jpg

Poucos são os produtos que têm uma história tão antiga e um papel tão importante na história do mundo. O sal é um deles e, embora hoje seja um produto quase insignificante, tempos houve em que era sinónimo de riqueza e poder.

Rico em sais minerais sem os quais não poderíamos viver, como o cloreto de sódio, a procura pelo sal terá começado no momento em que o Homem começou a desenvolver a agricultura e a pecuária, há cerca de 10 mil anos. 

Ao domesticar e circunscrever os animais a espaços limitados, apercebeu-se de que estes procuravam para consumir fontes de sal. A observação desta procura instintiva levou à descoberta da importância deste produto para a sobrevivência das espécies.

Curioso por natureza, não foi preciso muito tempo para que o Homem também se apercebesse do efeito do sal sobre os elementos, nomeadamente na preservação dos alimentos, cuja validade de consumo aumentava substancialmente. 

Tal constatação foi absolutamente disruptiva para a época permitindo que se pudesse armazenar alimentos, fazendo frente a tempos mais difíceis e, com isso, ganhar poder para negociar e, até subjugar, quem não tinha este produto.

Tornou-se assim, ao longo dos tempos, um produto extremamente valioso, passando a ser moeda de troca ou alvo de elevados impostos em diversas nações. 

De tal forma que, sem os mesmos, hoje poderiam não existir, por exemplo, a Muralha da China ou a cidade de Veneza como a conhecemos actualmente, tão bela, imponente e artística - o que só foi possível por ter sido uma importante cidade portuária durante a Idade Média. 

A importância do sal ficou ainda registada na história durante o Império Romano, quando os soldados eram pagos com rações - as Salarium Argentum - que deram origem à palavra salário...

O poder e valor atribuídos ao sal foram de tal ordem que este se tornou num símbolo de diversas religiões e o elemento de muitas superstições. E, se para alguns era símbolo de fertilidade, pureza ou saúde, para outros é um sinal de mau agouro. 

Absurdo ou não, a verdade é que ainda hoje há quem atire sal para trás das costas como forma de afastar o azar e o mau-olhado, ou quem não passe um saleiro a alguém sem antes o pousar na mesa.

Como qualquer bem raro e valioso, ao longo dos séculos foi também a causa de muitas guerras e conflitos entre povos e nações. 

Esteve presente na Guerra dos Cem Anos, no luxo da Corte de Versalhes e na Revolução Francesa, no domínio de Portugal sobre o Brasil e, até, na Independência da Índia em relação a Inglaterra, em 1948, entre muitos outros.

O seu constante valor deveu-se, essencialmente, à versatilidade da sua utilização e quantidade de benefícios proporcionados: tanto era um produto fundamental no processo de mumificação, como um desinfectante e curativo para feridas; tanto se tratava de um importantíssimo tempero da alimentação, como de um inestimável conservante de ingredientes.

E, embora de forma menos directa, sem sal também não existiriam o cloro e soda cáustica, fundamentais a muitas indústrias actuais; produtos sem os quais o acesso a água potável, o papel, a diversidade de tintas e vernizes, plásticos, medicamentos, fertilizantes, dinamite, entre muitos outros, seria difícil, para não dizer impossível.

A importância do sal manteve-se inalterável até começarem a surgir novas técnicas e/ou equipamentos de conservação como o vácuo, a pasteurização ou o frigorífico. E, depois, com a globalização dos mercados, generalizou-se o consumo do sal, dando lugar a uma nova era.

Hoje, com o aumento de doenças relacionadas em parte com o consumo de sal, e com as recomendações e advertências da Organização Mundial de Saúde e dos governos de todo o mundo para a necessidade de redução do consumo do sal, as pessoas estão mais conscientes dos riscos que o seu consumo elevado provoca na saúde. 

Contudo, e apesar de tudo isto, continua a ser reconhecido como o segredo imprescindível que torna qualquer prato mais especial e delicioso...

Inimigo nº 1 da saúde dos portugueses. É assim que o Serviço Nacional de Saúde denomina o sal. E não é para menos. Os portugueses lideram os rankings de ingestão de sal, com cerca de 10g por dia, ou seja, o dobro da dose diária recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

O problema é que uma alimentação tão bem temperada tem consequências sérias na saúde, como as doenças cardiovasculares e a hipertensão. Retirar o saleiro da mesa é a regra de ouro, mas como identificar os alimentos em que o sal se esconde? 

Falar do impacto do sal na saúde é falar de hipertensão, um importante factor de risco de enfarte ou AVC. A pressão arterial é a força que permite a circulação, quando esta se encontra elevada de forma constante ocorre hipertensão.

Além dos antecedentes familiares, existem outros factores que aumentam o risco e sobre os quais pode agir, como a alimentação.

Uma dieta com excesso de sal leva à retenção de líquidos, aumento da pressão arterial e sobrecarga do sistema renal e circulatório. Por isso, não é exagero quando se alerta para os perigos do sal.

São muitos os alimentos que contêm um teor de sal acima do desejado. Convém não esquecer que este é também um conservante, usado até em refrigerantes, e confere mais sabor e textura, daí ser um ingrediente comum. Para além da charcutaria tradicional, o fiambre e as salsichas figuram na lista negra.

Outro grupo tendencialmente salgado é o pão e as bolachas. Segundo um estudo do Instituto Ricardo Jorge, “o consumo de 100g de um prato composto ou de um produto à base de cereais (pão/bolacha de água e sal) pode representar cerca de 30% da ingestão diária de sal”. Os cereais de pequeno-almoço, as conservas, snacks, pipocas e refeições pré-cozinhadas também podem ser ricos em sal.

A ingestão diária máxima de sal recomendada para um adulto é de 5g o que equivale a 2g de sódio, para prevenir a hipertensão. Evitar o sal de mesa é o primeiro passo, já que contém 30% de sódio. No supermercado este mineral pode aparecer sob várias designações para além de sal, como sódio, cloreto de sódio ou bicarbonato de sódio.

Preste atenção aos rótulos e evite os alimentos que têm mais do que 5% da dose diária recomendada ou mais e 1,5g de sal por 100g (0,6g de sódio), recomenda a Sociedade Portuguesa de Hipertensão.

Use e abuse das ervas aromáticas e tempere a carne ou peixe com azeite, alho, vinagre balsâmico ou vinho. Em vez de maionese ou mostarda aposte em molhos de iogurte aromatizado com limão, por exemplo. Marinar a carne é uma técnica que confere sabor sem necessitar de sal.

Atenção ao molho de soja, cujo teor em sal é elevado. No que toca à escolha de alimentos, opte pelos frescos e naturais, sem ingredientes como o sal adicionados. Prefira também adquirir pão com baixo teor de sal.

O verão convida a petiscos como os caracóis, as conquilhas e as amêijoas, três dos alimentos que contêm mais sal. Consumir 100g pode representar cerca 50% da ingestão diária de sal, alerta estudo do Instituto Ricardo Jorge. Moderação é aconselhada!

 

Sugestões de utilização:

Amêijoas à Bulhão Pato com limão

Amêijoas na cataplana à algarvia

Batata ao sal

Bife de atum à algarvia

Bolachas com cobertura de chocolate

Bolo entrançado de chocolate

Bolos lêvedos

Borrego com biscoito de canela e flor de sal

Carapaus alimados à algarvia

Choquinhos à algarvia

Conserva de cenouras

Corvina ao sal

Donuts de abóbora

Douradas frescas ao sal com migas de tomate

Lulas à algarvia

Pudim de chá verde

Sal de alho e gengibre

Sal de ervas

Sal de vinho tinto

Sal picante

 

https://www.medis.pt/mais-medis/dieta-e-nutricao/sabe-onde-se-escondem-os-perigos-do-sal/

https://www.salmarim.com/pt/sobre-sal/historia

https://www.salmarim.com/pt/flor-de-sal/beneficios

 

12
Set22

Alimentos de A a Z... Romã


Na sequência da rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos a romã.

 

Alimentos de A a Z_romã.jpg

A romã, cujo nome científico é Punica granatum, é uma infrutescência da família das Punicáceas, redonda, achatada, com um cálice em forma de coroa e uma casca grossa. O interior é composto por bagos comestíveis de cor vermelha e sabor agridoce e divide-se por finas películas. Originária do sul da Ásia, na Pérsia, foi levada pelos fenícios para os países mediterrânicos, de onde se difundiu para o continente americano, chegando ao Brasil pela mão dos portugueses. A nível mundial, os maiores produtores são o Afeganistão, o Irão, Israel, Brasil, EUA, Itália e Espanha, sendo esta o maior exportador europeu.

Em Portugal, a região do Algarve concentra cerca de 80% da área e 95% da produção total de romã do continente. A maioria da produção provém de árvores dispersas, em bordadura, sendo relativamente reduzido o número de pomares existentes. A área de cultura, que tem vindo a decrescer, é actualmente de 108 ha e a produção anual ronda as 400 toneladas.

As variedades mais frequentes são a Mollar, a De Elche, a Dejativa - de origem espanhola – e a Asseria. Esta última é uma variedade tradicional da região algarvia, precoce e caracterizada por bagos carnudos, vermelhos e de graínha pequena.

A romã é um fruto característico do início do Outono com grande simbolismo. São muitas as alusões a este fruto enquanto símbolo de longevidade, amor e poder terapêutico. Actualmente, ainda existe a tradição Grega de cortar uma romã durante o casamento como símbolo de fertilidade.

A época da romã inicia-se no final de Setembro e vai até inícios de Dezembro, pelo que estes serão os melhores meses para consumir este fruto. 

Em termos nutricionais a romã é um fruto muito interessante. Apresenta uma enorme concentração de substâncias com propriedades antioxidantes, sendo rica em polifenóis (antocianinas e taninos), com um potencial antioxidante quase três vezes superior ao vinho tinto e chá verde. Estes compostos são importantes na protecção das células e podem ter papel importante na saúde cardiovascular e na prevenção de alguns tipos de cancro. A romã apresenta baixo valor energético, cerca de 50 kcal por 100g de parte edível de romã, sendo ainda fonte de fibra e rica em vitaminas e minerais, nomeadamente, carotenos, vitamina C, potássio e ferro.

 

Benefícios associados ao consumo

– Acção antimicrobiana: a romã é eficaz na eliminação de bactérias prejudiciais ao nosso organismo;
– Melhora a função cardíaca: vários estudos apontam que o sumo de romã ajuda a prevenir a formação das placas de gordura nas artérias;
– Acção anti-tumoral: a romã inibe o crescimento das células cancerígenas e aumenta a apoptose (morte celular) no cancro da mama, próstata e colon;
– Saúde óssea: alguma investigação refere que o sumo de romã diminui a perda óssea.

 

Como comprar, conservar e consumir

Na hora da compra, escolha as romãs limpas, com casca lisa e brilhante, sem cortes nem pisaduras e sem sinais de desidratação.

A romã é um fruto resistente que se mantém em boas condições durante bastante tempo. Conserva-se bem à temperatura ambiente até cinco dias mas, para prolongar o seu tempo útil de consumo, deve mantê-la no frio. Quando armazenada a baixas temperaturas (0ºC a 5ºC) pode mesmo permanecer sumarenta e saborosa durante meses. Dada a dureza da casca apresenta também uma elevada resistência ao transporte.

A romã pode ser consumida de diversas formas: em sumo, ao natural, em sobremesas ou como decoração de vários pratos. Pode utilizar-se ainda em saladas, gelados e compotas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o grupo da Roda dos Alimentos “Fruta” deverá contribuir para a nossa dieta com 3 a 5 porções diárias. Uma porção de romã corresponde em média a 1/3 do fruto.

Muitas vezes, a principal razão para o baixo consumo deste fruto reside na sua preparação, que pode ser um pouco complicada. No entanto, existem algumas técnicas que podem facilitar o processo:

  • Corte a romã na longitudinal, ficando com duas metades. Vire a parte da casca para cima com um copo em baixo e bata-lhe com uma colher até os bagos caírem todos.

  • Corte as pontas da romã e de seguida corte-a ao meio e depois em quartos. Mergulhe as partes numa taça com água e, com a ajuda dos dedos, retire todos os bagos. Escorra a água e está pronta a consumir.

  • Corte as extremidades e depois corte-a em quartos, sem tocar nos bagos. De seguida, coloque a romã na mão com os dedos abertos dentro de uma tigela e bata com uma colher na casca. Os bagos soltam-se facilmente.

 

Sugestões de utilização:

Água infusionada de romã

Beringelas com molho de iogurte e romã

Carpaccio de abacaxi com romã e mel de hortelã

Geleia de romã

Laranja com canela e romã

Mousse de iogurte e romã

Muffins de romã

Panacota de romã

Papos-de-anjo com romã

Salada de couscous com romã

Salada de dióspiro, romã e coentros

Salada de verdes com vinagrete de romã

Sangria de espumante e romã

Semi-frio de romã

Tapioca com romã

Tarte de queijo e romã

Torricados queijo da Serra e romã

 

https://alimentacaosaudavel.dgs.pt/alimento/roma/

http://www.agrotec.pt/noticias/e-tempo-da-roma-beneficios-e-caracteristicas-do-fruto/

https://nutrimento.pt/noticias/roma-um-fruto-do-outono/

https://www.youtube.com/watch?v=R0RU6Unqodc

https://feed.continente.pt/receitas/os-beneficios-da-roma

https://saboreiaavida.nestle.pt/bem-estar/roma

https://ruralea.com/geleia-de-roma/

https://www.vidaativa.pt/receitas-com-roma/

https://www.teleculinaria.pt/blog/ingrediente-rei-roma/

 

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