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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

02
Abr21

A Liberdade de... o cunhado


Profundamente honrado pelo convite da autora para escrever sobre liberdade, resolvi dissertar sobre a minha aquando criança, a que conheço porque, porventura, qualquer outra que exista nunca ninguém fez o favor de ma apresentar.

Perto de fazer os onze anos, voltei a acompanhar o meu pai ao Ambriz quando ele lá foi acertar pormenores com o tal fazendeiro para a ta lobra que com esse contratara.
Aquilo deu brado pois teve o condão de despertar recordações na minha mãe aquando do meu primeiro acompanhamento paterno, no mês anterior, que não correra nada bem. Acusou o meu pai de não saber tomar conta de mim, ele vacilou e desculpou-se que eu queria ir, ela reforçou a acusação de incompetência de um pai que nem era capaz de tomar conta de um filho de onze anos, eu vi que assim não tirávamos dali a piroga e meti-me no assunto acusando-ada pouca sorte que tivera com a mãe que arranjara ao calhar-me logo a mim a fava de mãe.
Deixei-os com ela a resmungar e o meu pai a ouvir e calar, e fui tratar da minha vida. Dei ordens terminantes para ninguém naquela casa utilizar a minha bicicleta, e no outro dia metemo-nos à picada.
Na caixa da carrinha viajava um negro grandalhão que o meu pai se encarregara de subtrair às obras. Não via grande utilidade nisso,tão-pouco inconveniente até a precaução paterna me mostrar porquê.
Perto do meio dia parámos para fazer a refeição que a minha mãe preparara para nós: sandes de presunto, outras de queijo, e ainda outras de ovos estrelados. Uma garrafa de laranjada para mim e outra de vinho para ele.
O grandalhão saltou da carrinha, num ápice fez uma fogueira e deu em assar uma raiz de mandioca. Desliguei da refeição materna e da companhia paterna e fui ter com ele aperfeiçoar a sublime arte de assar mandioca. Negociei com ele a minha refeição pela raiz de mandioca, mas ele para manter incólume a honra africana, regateou a preceito. As minhas sandes e a garrafa de vinho do patrão e o negócio tinha pernas para andar.
Fiquei contentíssimo, fui ter com o meu pai e pedi-lhe a garrafa de vinho. Olhou para mim com um ar muito estranho mas eu dei-lhe as justificações para os fins a que se destinava, reforçou o olhar para mim ainda mais espantado como se visse um jacaré em cima das nossas mangueiras a comer-nos as mangas, não disse nada, vazou uma boa porção de vinho pela goela abaixo e deu-me a garrafa por mais da metade, que mais contente do que um pássaro após ter cativado a passarinha para o ninho, a correr fui entregá-la ao seu novo proprietário.
Mirou-a deveras comovido, meteu-a à boca e divorciou-se dela depois de bem vazia e escorrida.Voltou a olhar para mim emocionado e decretou que eu era o mono-chindele (filho do branco) mais porreiro deste mundo, e que o patrão também era bom branco mesmo.
Reencetámos a viagem com o meu pai conduzindo e eu e o grandalhão viajando na caixa da carrinha, com um comendo sandes de presunto, de ovos e queijo, e outro mandioca assada, com ambos notoriamente mais felizes e de bem com o mundo do que quando a viagem se iniciara.
E travando elevados diálogos em perfeito quimbundo sobremaneira esclarecedores sobre as vicissitudes da existência. Ele falando das mulheres dele, duas, umas inúteis que nem davam conta das lavras, e eu da minha mãe que já não sabia mais o que fazer com ela, Deus me desse paciência para a aturar.
O que o levou a concluir, olhando-me deveras pesaroso, que mulher, branca ou preta era toda igual.
 
Texto da autoria de: o cunhado
 
26
Mar21

A Liberdade de... Maria


Liberdade
 
És livre quando o teu coração se sente solto, mesmo que o tenhas entregado alguém, se amares e respeitares esse alguém  e de igual modo fores retribuída.
 
Deves trabalhar, mas só és livre dentro desse trabalho se o estiveres a desempenhar com prazer, com gosto, aí nem dás pelas horas passarem e não te sentes presa a ele, ele é parte da tua vida. 
 

A tua família é a tua vida, todos se amam e respeitam, todos se sentem responsáveis uns pelos outros, nunca te sentirás presa por dedicar a tua vida inteiramente a eles, tu és um elemento dela e ela é o melhor que a vida te pode dar, jamais sentirás que a família é uma prisão.

Fazes parte da vida de um País, tens deveres para com ele, mas revoltam-te certas leis, certos impostos que tens que cumprir sob pena de sofrer coimas. Aqui não há como fugir deles, estás presa mas, desde que cumpras a tua liberdade não será afetada.

Este é o meu conceito de Liberdade. Liberdade não é nem nunca foi poder se fazer tudo o que nos apetecer, é poder fazer as coisas com responsabilidade cumprindo as regras para o bom funcionamento de um todo, seja numa relação, num emprego, na família e num país!

A tua Liberdade não é como a água de um rio, que corre e entra em qualquer brecha sem pedir licença a ninguém!

 

rio.jpg

 

Texto e foto da autoria de: Maria

 

12
Mar21

A Liberdade de... Gaivota Azul


A sala era pequena e escura. Carteiras dispostas em duas filas, sem intervalos entre elas, dificultando a saída e entrada. Uma espécie de "entras mas já não sais" mas que facilitava as conversas paralelas ditas em surdina e o vai e vem de recados rabiscados em pedaços de papel.

Em tempos teria servido de arrumos. Depois foi convertida e apelidada de "sala audiovisual". A única coisa que a distinguia das demais era uma televisão colocada num canto superior de uma das paredes, obrigando-nos a escorregar pela cadeira abaixo para aliviar o desconforto no pescoço. 

A disciplina era-nos ainda estranha, e a matéria discorrida pelo professor uma língua desconhecida. Por vezes parecia somente um debitar de frases feitas desprovidas de grande significado ou repletas de "lógica da batata". Ainda assim, naquela sala pequena e escura, a voz do professor soava grave e séria. Uma voz a que nos fomos habituando e aprendendo a apreciar. Gradualmente as frases feitas convertiam-se em sabedoria e ficavam cravadas em nós. Disse-nos certo dia: "a nossa nossa liberdade termina onde começa a do outro" (uma frase que hoje sei ser atribuída ao filósofo Herbert Spencer). Primeiro estranhámos, "então para o outro ser livre eu não o posso ser?". Depois entranhámos, "a minha liberdade não pode pôr em causa a liberdade do outro".

Cedo aprendi que a Liberdade e a Responsabilidade andam de mãos dadas. Os privilégios de que dispomos devem ser honrados, cuidados e respeitados. Tal como todas as coisas boas que amamos e valorizamos, sob pena de se deteriorarem, estragarem, partirem, perderem.

Se esta forma de encarar a Liberdade me permite fazer tudo o que quero? Não! Porque por vezes o que "quero" tem implicações para o outro. Em consciência não o poderia fazer. A tal Responsabilidade que não larga a mão.

Se no exercício da minha Responsabilidade me sinto livre? Sim! Indubitavelmente, sim. 

Vivemos tempos conturbados, únicos, especiais. Tempos que acarretam limitações, mas limitações que decorrem da nossa responsabilidade individual e coletiva e não da supressão da nossa liberdade. A Liberdade como a concebo, nada nem ninguém a pode tirar. E porque a Liberdade me confere asas, partilho convosco as palavras do samba-enredo de 1989 que tantas vezes cantei antes mesmo de lhes apreender o sentido.

"Liberdade, liberdade!
Abra as asas sobre nós 
E que a voz da igualdade
Seja sempre a nossa voz"
 
 

IMG_0599.JPG

 

Texto e imagem da autoria de: Gaivota Azul

 

26
Fev21

A Liberdade de... Concha


unnamed.jpg

 

Quando um dia as palavras forem poucas,
esquecidas no escasso uso que lhes damos.
Quando ninguém interrogue o passado ou procure um futuro, 
aceitando mansamente o dia que vive.
Quando já não existam ideais, pelo cansaço que traz uma luta.
 
Quando, pela inércia e pelo hábito, 
as gentes se tenham confinado em si próprias...
 
Voltarei a este Inverno, de hoje,
em que andamos pelas ruas na calada de noite,
corremos rente ao mar só para o respirarmos
 
e ainda nos lembramos a que sabe a Liberdade 
 
 
Texto e imagem da autoria de: Concha
 
 
19
Fev21

A Liberdade de... Ana Cristina Gomes


A liberdade de ser quem sou!

Fui durante muitos anos prisioneira de mim mesma. Conhecia a definição de liberdade do dicionário. Sabia que vivia numa sociedade cuja liberdade tinha sido resgatada nesse 25 de abril de 1974. Tinha liberdade de expressão, podia escrever as minhas opiniões. Podia ir onde bem quisesse sem ter de me justificar. No entanto, eu não era livre. Não porque estivesse em clausura numa casa. Eu própria me encerrava no meu quarto, longe de tudo e todos. Ninguém me prendia os movimentos ou palavras. Eu própria os petrifiquei sem qualquer hipótese de uma ação. Eu estava refém de mim mesma. A liberdade era uma miragem na minha vida. Só eu me poderia libertar de mim mesma. Não sabia se algum dia conseguiria abrir o cadeado. A chave estava no meu coração, mas achava que o caminho estava vedado e não o ultrapassaria para encontrar o meu tesouro mais precioso. Eu mesma. 

Era uma miúda e adulta tímida e com excesso de peso. Cedo passei a odiar ver-me ao espelho. Era tão feia aos meus olhos. Não cuidava de mim porque não valia a pena. Ninguém olharia para uma prisoneira em decomposição num calabouço de si mesma. Arrastava a minha autoestima na mais suja lama que existe. Nunca dizia o que me ia na alma. Não partilhava emoções. Não confessava sentimentos. Dizia que sim a tudo. Desconhecia o poder da palavra não. Tinha medo de mostrar quem eu era e o que queria. Ficava tudo na minha garganta a remoer até me adoecer o corpo. Enfim, estava presa sei lá eu onde. 

Fugia das amizades e do amor. Tinha vergonha de mim. A pessoa que os outros viam era um espetro de quem eu realmente era. Tinha construído tantos muros e vedações para ninguém entrar. A liberdade nem sempre é algo físico, algo palpável. A liberdade está na nossa mente. Nas nossas crenças. Naquilo que fazemos de nós. 

Um dia decidi que era tempo de me soltar. De começar a viver antes de morrer de solidão. Sair da prisão onde já vivia desde que me conhecia não seria um processo fácil. Não era chegar ali e dizer-me “Agora, Ana, és livre”! Era preciso subir devagar cada degrau até ao meu coração para não cair aos trambolhões e ficar ainda mais ferida e prostrada no chão. Era urgente começar a cuidar de mim, do meu corpo, da minha mente. Tinha de me mimar. Tinha de aprender a sentir os momentos. Até os mais singelos e despercebidos instantes eram valiosos nesta minha libertação. Aos poucos fui destruindo as minhas barreiras. A deixar entrar o sol e a luz das estrelas para me guiarem rumo a essa liberdade desaparecida na sombra que eu era. Foi tão, mas tão difícil. Uma autêntica guerra. Um caminho muito moroso e penoso. Foi uma luta titânica dentro de mim. Ir ao mais profundo do meu ser, embalar as minhas feridas, enfrentar medos e inseguranças. Cada conquista minha era uma amarra que desaparecia do meu ser.  Começar a fazer o que me oferecia o prazer da felicidade. A escrever. A escrever quem sou e que emoções transporto. Ainda não terminei essa travessia, porque a viagem dentro de nós nunca termina. Mas hoje sei e sinto que sou livre, não porque vivo numa democracia, mas porque tenho em mim a liberdade de poder ser quem eu realmente sou! Sem medos, prisões ou fantasmas. 

Para mim liberdade é o amor por mim. Saber amar-me foi a mais difícil batalha que travei, mas foi aquela que me libertou! 

 

Texto da autoria de: Ana Cristina Gomes

 

12
Fev21

A Liberdade de... aqui há coração


Sobre liberdade (as 6:02 da manhã a ouvir o canto dos pássaros)

 
Se perguntassem a cada pessoa em cada época que viveu, o que para ela seria a liberdade, tantas respostas diferentes surgiriam. Ainda assim, passe o tempo que passar, evoluindo o mundo para outros lugares, parece que nunca atingimos essa liberdade na plenitude.
 
Em tempos idos a liberdade significava, por exemplo, o direito a um salário pelo trabalho prestado, o direito ao voto, o direito das mulheres usarem calças ou um fato de banho numa praia pública. Hoje, até achamos impossível algo tão surreal ter acontecido, tal é diferença, mas seremos nós agora inteiramente livres?
 
Acredito que alguns o conseguem, mas poucos talvez, e como eu gostava de ser um deles!  É que somos prisioneiros de tantas coisas e é preciso coragem para soltar as amarras e ser pássaro que voa bem alto.Por vezes, sonho que consigo voar e que sensação é de indescritível  leveza e liberdade.
 

Bem, mas o desafio será cada um de nós, nas circunstâncias em que vive, tentar em cada dia e passo a passo, nem que seja muito devagarinho (isto é para mim), libertar angústias, inseguranças, medos, principalmente medos que nos impedem de prosseguir e nos prendem ao passado. A capacidade de dizer sempre o que se pensa, assertivamente, a quem quer que seja, é para mim também, um expoente de liberdade, simplesmente porque somos nós de verdade e isso é impagável num mundo de tantas ilusões.

Fica a frase a título reflexivo:

"A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência."  Mahatma Gandhi

Lu

 

Texto da autoria de: aqui há coração

 

05
Fev21

A Liberdade de... Maria Castanha


“Estou sem liberdade de fazer e movimentar-me para onde quero”. Gritam muitas vozes, quase em coro perfeito, gerando motins de insatisfação, ódios e destruição, nestes tempos de confinamento obrigatório.

Há quem não entenda os limites da liberdade e que esta vive de mãos dadas com a palavra respeito. São um casamento perfeito para uma sociedade de paz.

A liberdade não é saltar o muro do pensamento livre dos outros, dos que connosco coabitam na mesma sociedade,  livre e democrática.

Concorde-se ou não com as politicas que nos são impostas, a nossa liberdade não nos concede o direito de ataque sem respeito.

A liberdade que conhecemos e tão arduamente conquistada pelos nossos pais e avós também tem barras limitadoras. Devemos saber vivê-la para não nos voltar a fugir. E cuidado com as vozes que, cada vez mais, nos surgem por todos os cantos do mundo cantando liberdades em melodias enganadoras, disfarçadas de malquereres e são construídas com rosas brancas espinhosas.

Ser livre é caminhar dentro do meu pensamento e do meu eu. É poder construir, comunicar e caminhar sem ser condenada em correntes de ferro, maltratada, mutilada e assassinada por quem não sabe aceitar o que eu sou.

Nesta minha liberdade não posso exceder, nem machucar quem caminha ao meu lado. Há que caminhar com respeito mútuo, com todos que sejam diferentes de nós. Não posso dar asas à minha liberdade abusadora.

É tão simples sermos livres. Temos que descomplicar. Temos de aceitar, nem que isso nos custe algumas amarras de fios de lã.

Vamos ser livres como os pássaros? Voar sem magoar? Brilhar sem ofuscar?

O sabor da liberdade é o maior bem que o mundo nos pode dar.

E aprender este conceito é a lição mais nobre que devemos incutir dentro de nós.

Sejamos livres para caminharmos em união e paz.

 

Texto da autoria de: Maria Castanha

 

29
Jan21

A Liberdade de... Simplesmente avô


A “liberdade”, consoante os diversos pontos de vista, pode ser enunciada como:

  1. “Agir de acordo com a sua natureza” (Espinoza)
  2. “Livre arbítrio” (Descartes)
  3. “Único direito natural reconhecido como igual para toda a pessoa” (Kant)
  4. Agir de harmonia com a sua própria vontade
  5. Não depender de ninguém
  6. Autodeterminação, independência, autonomia
  7. Poder pleno e incondicional de fazer o que se quer

 

Elencada esta breve síntese, surge a inevitável pergunta:

“Acaso eu sou livre, verdadeiramente livre, como de facto gostaria de ser?”

 

Traçada a pergunta, logo surge a esperada dúvida:

“Talvez não: nunca fui e nunca serei verdadeiramente  livre”.

 

A origem do problema surge, desde logo, do facto de não ser “eremita”, isto  é, de viver forçosamente em sociedade.

 

Ora, a “vida em sociedade” impõe apertados limites à liberdade individual, alguns porventura razoáveis, outros eventualmente indispensáveis e finalmente, outros perfeitamente absurdos e inutilmente castradores da liberdade de cada um agir conforme a sua natureza.

 

Neste último aspecto, o ser humano é manifestamente inferior aos outros seres animais que, também eles vivendo em sociedade, não carecem de normas de conduta imperativas, antes vivendo as suas vidas de harmonia com os seus naturais instintos.

 

Alguns exemplos castradores da liberdade física (melhor, fisiológica) impostos desde nascença aos seres humanos:

  1. a) Espreguiçar-se (reacção natural do corpo para aliviar o estresse) é, em sociedade, muito feio;
  2. b) Bocejar (outra reacção natural do corpo para minimizar a fadiga) é, no trato social, exemplo de má educação;
  3. c) Gargalhar ou gesticular (excelente para descontrair) é visto pela maioria das pessoas como índice de boçalidade;
  4. d) Arrotar depois de uma boa refeição (reacção natural do organismo) é punido com imediato banimento social;
  5. e) Libertar gases acumulados nos intestinos (indispensável à saúde física) é comportamento inadmissível em qualquer ambiente social: a pessoa tem de pôr uma rolha no ânus e segurar a flatulência até que disponha de um compartimento onde se possa aliviar em total privacidade.
  6. f) Existem, além disso, imensas outras regras sobre como comer, como falar, como sorrir, como olhar, como gesticular, como se sentar, como se levantar, como andar, como e quando correr – que impõem severos limites ao direito natural de cada qual agir conforme a sua natureza.

 

Primeira conclusão

A vida em sociedade impõe uma enorme listagem de regras de etiqueta, que, absurdas, antinaturais e, nalguns casos, atentórias da saúde física, são claramente limitadoras da liberdade natural dos seres humanos.

 

Segunda conclusão

Como corolário do que atrás se disse, importa concluir que a generalidade dos animais, não obstante talvez não serem capazes de reflectir, são, naturalmente falando, muito mais livres que os seres humanos.

 

Texto da autoria de: Simplesmente avô

 

22
Jan21

A Liberdade de... Daniela Gonçalves


foto liberdade.png

 

LIBERDADE 

 

Somos todos livres, pensamos.  

Temos livre arbítrio para escolher como e quando queremos tomar atitudes. Temos escolhas que podemos fazer e desafios na vida que alcançamos devido à nossa liberdade de decisão. No entanto, será que somos assim tão livres como pensamos?! 

Desde que nascemos que a nossa vida é "programada" pela sociedade. Infantários, escolas, tirar boas notas, tirar um bom curso, arranjar um bom emprego, casar, ter filhos, pagar contas. É este o nosso relógio, a nossa programação e são poucos aqueles que tiram partido de uma outra liberdade e saem em busca de mais.  

A verdade é que posso escolher ter esta vida, aquela que supostamente todos desejam e supostamente é a “correta”. Posso ter a liberdade de a decidir, mas até que ponto ela não me é incutida? Até que ponto é uma liberdade de escolha tudo aquilo que fazemos, o mundo em que vivemos?! 

É curioso falar de LIBERDADE neste momento, nesta aflição que vivemos atualmente. Somos assim tão livres ou temos limitações? Confinados entre muros com medo do mundo livre lá fora, regras e regras impostas pelos "grandes" que acham que sabem, e nós obedecemos. Não digo que será errado, mas muitas liberdades terminaram, e assim dizem ser o certo.  

A liberdade é curiosa se pensarmos a fundo sobre ela. Achamos ser livres, seres que fazem escolhas, e sim podemos escolher qual o próximo livro a ler, mas se tomarmos grandes decisões, vamos influenciar e bater certamente em outras escolhas feitas por outros e nunca seremos tão livres como julgamos. Fazemos todos parte de um mundo com regras, um mundo com escolhas feitas em comum, um mundo de influências e ser libertador é ser diferente, é ser julgado, é ser olhado. No entanto, tudo depende de NÓS.  

 

Texto da autoria de: Daniela Gonçalves

 

15
Jan21

A Liberdade de... Daniela Barreira


Amor... Liberdade.

 

Que seja abraço onde podes sempre morar. Que seja abraço para onde podes sempre correr. E que te faça querer sempre esse lugar. Mas que não seja sufoco. Que te deixe sempre respirar. Que não seja posse, fazendo-te só sua. Mas que seja entrega, fazendo-te escolher seres para si. Que seja para ti também. E que saiba acolher e deixar existir as tuas pessoas. Que saiba que, sem elas, não és tu. E que, só por isso, já lhes sinta o valor.

Que seja mão que te agarra como quem não te larga mais. Que seja mão que te segura para sempre. Mas que não seja prisão. Que te liberte e que te deixe sempre voar. Que seja confiar. Confiar que, no fim, o caminho é sempre voltar. Que não seja pressão. Que seja respeitar e aceitar: escolhas, decisões, caminhos, vida. Mesmo quando não se concorda, mesmo quando custa, mesmo quando dói.

Que seja sorriso a resgatar-te sempre mais um sorriso. Que seja sorriso que te sossega o coração. Que não seja pressa. Que não queira tudo para já. Que seja calma, quando o coração pede calma. Mesmo que tenha urgência de sentir. Que saiba que tudo tem o seu tempo. Que seja lugar de paz. Mesmo quando o mundo estremece, mesmo quando a vida troca os planos, mesmo na tempestade. Que não seja dureza. Que seja sempre doçura.

Que seja olhar que te vê de verdade. Que seja olhar mais longe. E que faça com te deixes descobrir, devagarinho, por detrás das barreiras que construíste. Que saiba sentir o que sentes. E o que te faz sentir. Bom ou menos bom. Mesmo no silêncio. Que não seja só orgulho. Que seja humildade. Que saiba reconhecer erros. Pedir desculpa. E agradecer também. Que seja sempre razão para agradeceres.

Que seja beijo que te tira os pés do chão. Que seja beijo que te cura. Mas que não queira mudar o que és. E o que tens. Só melhorar-te. Que seja abrigo para tudo o que és. E que seja abrigo para os teus medos, para os teus fantasmas, para as tuas dores e as tuas cicatrizes. Que te acrescente. E que não te tire mais pedaços. Que seja cuidar sempre. Repito: sempre. Todos os dias. Mesmo nos dias maus. Que seja cura.

Que seja amor. Se é para ser, que seja amor. Nunca menos que amor. Que é também liberdade. Porque só o amor te liberta. Porque te salva. Sabes?

 

Texto da autoria de: Daniela Barreira

 

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