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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

24
Jul20

A Liberdade de... JL


Liberdade

 
Não é fácil escrever sobre Liberdade, quando já tantas amigas da MJP o fizeram de forma magistral… Desde que fui desafiada que tenho pensado numa maneira de ser original e não repetitiva. Depois de muito pensar, lembrei-me de uma das minhas fotografias preferidas, que se encontra no meu blogue, sobre Fontes. A fotografia retrata não só um local onde, provavelmente, todas as crianças, nascidas na cidade de Bragança, como eu, têm uma fotografia mas também um ritual tradicional da região. Atualmente, os caretos são sobejamente conhecidos, em todo o país. Noutros tempos, não era assim. Perdem-se, no tempo, as origens destas festividades pagãs, provavelmente de raiz celta. Os antropólogos associam-nas a um rito de iniciação dos jovens. Há também um lado simbólico onde vemos o ser humano libertar a parte diabólica que há em si. Através dos caretos vemos como estes ritos estavam associadas à liberdade, principalmente à ausência desta. 
 
Num meio tão rural (e machista) como era o interior de Portugal, até há bem pouco tempo, onde as rebeldias eram punidas e, por isso, recalcadas ao longo do ano, só nos dias determinados (neste caso, durante as chamadas festas de inverno) é que os homens podiam gozar de uma liberdade sem paralelo. Sob o anonimato conferido por uma máscara e um fato, corriam por todo o lado, gritando, castigando e acariciando as moças, a maior parte das vezes de forma selvagem. Era um tempo de exceção, onde o contacto entre os sexos era “autorizado”. Quer dizer, era autorizado pelos adultos pois as moças pouco ou nadam podiam fazer, a não ser esconderem-se, quando o conseguiam… Estas liberdades pessoais só eram permitidas aos rapazes. Daí a Festa se chamar também de “Festa dos Rapazes”. À luz dos nossos dias, estas práticas eram um atentado às liberdades pessoais e à igualdade de género. Felizmente, a “tradição já não é o que era”: muitos “caretos" são, agora, raparigas, crianças e homens casados, numa tentativa de compensar a desertificação que se vem verificando nas aldeias, pois, o mais importante é manter certas tradições, adaptando-as aos nossos conhecimentos científicos e ao modo como vivermos. 
 
Não temos de apagar da nossa cultura ritos que, outrora, foram símbolo da supremacia de um grupo sobre outro… As lições do passado devem servir-nos como guias e aprendizagens para o futuro.
 
 

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Texto e imagem da autoria de: JL
 

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