Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

08
Nov19

A Liberdade de... Pedro


A impressão mais forte que o tema da liberdade evoca em mim vem de um livro a que só cheguei há dois ou três anos, o diário publicado de Anne Frank.

Adiei a sua leitura ao longo do tempo porque, não sei bem como, formei na minha cabeça uma ideia pré-feita - e, como a maioria dos preconceitos, errada - sobre o que ia ler. Pensei que se tratava de um diário influenciado por adultos, de alguma forma descaraterizado por aqueles que ficaram na sua posse após a morte de Anne num campo de extermínio. O que encontrei, claro, não foi nada disso.

O diário de Anne Frank revela o espírito inquieto e curioso de uma criança colocada em circunstâncias extraordinárias com um talento precoce para a escrita. A cada virar de página assistimos à alvorada da inteligência e bondade de Frank. Não é de um diário de guerra que se trata, mas de crescimento.

A máquina de ódio e morte do nazimo é um dos capítulos mais horrorosos da história da humanidade e aqui está um diário escrito por uma criança que, metido no outro prato da balança, é esmagador na sua simplicidade e poder para reparar o nosso sentido do mundo. O holocausto levou aquela criança, mas é ela que nos fala, possivelmente pela era da humanidade adentro, da inocência e importância de se ser criança - e de ver o mundo por esses olhos.

E qual é mesmo a imagem da liberdade que evoca em mim? A minha memória não é exata, mas uma das descrições que ficaram comigo da leitura do diário foi a descrição que a Anne faz da árvore e das pessoas na rua que ela consegue vislumbrar pelas frinchas da janela do seu quarto. Já não sei dizer se foi ela, se fui eu, que se põe a imaginar, por vezes, as mil e uma coisas que aquelas pessoas lá fora estão e podem fazer nas suas idas e vindas, mas essa tem de ser uma das imagens mais pungentes que guardo do que é a liberdade.

A liberdade conjuga-se e passeia-se na rua. Liberdade para explorar, ler, correr, fotografar ou simplesmente caminhar sem destino. Quando me dá a neura ou sinto-me desinspirado, tento lembrar-me disso. Há um mundo de ideias, pessoas e sítios a descobrir lá fora. E a liberdade é a boleia.

Obrigado, Anne, obrigado, MJP.

 

Texto da autoria de: Pedro

 

26 comentários

Comentar post

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D