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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

29
Jan21

A Liberdade de... Simplesmente avô


A “liberdade”, consoante os diversos pontos de vista, pode ser enunciada como:

  1. “Agir de acordo com a sua natureza” (Espinoza)
  2. “Livre arbítrio” (Descartes)
  3. “Único direito natural reconhecido como igual para toda a pessoa” (Kant)
  4. Agir de harmonia com a sua própria vontade
  5. Não depender de ninguém
  6. Autodeterminação, independência, autonomia
  7. Poder pleno e incondicional de fazer o que se quer

 

Elencada esta breve síntese, surge a inevitável pergunta:

“Acaso eu sou livre, verdadeiramente livre, como de facto gostaria de ser?”

 

Traçada a pergunta, logo surge a esperada dúvida:

“Talvez não: nunca fui e nunca serei verdadeiramente  livre”.

 

A origem do problema surge, desde logo, do facto de não ser “eremita”, isto  é, de viver forçosamente em sociedade.

 

Ora, a “vida em sociedade” impõe apertados limites à liberdade individual, alguns porventura razoáveis, outros eventualmente indispensáveis e finalmente, outros perfeitamente absurdos e inutilmente castradores da liberdade de cada um agir conforme a sua natureza.

 

Neste último aspecto, o ser humano é manifestamente inferior aos outros seres animais que, também eles vivendo em sociedade, não carecem de normas de conduta imperativas, antes vivendo as suas vidas de harmonia com os seus naturais instintos.

 

Alguns exemplos castradores da liberdade física (melhor, fisiológica) impostos desde nascença aos seres humanos:

  1. a) Espreguiçar-se (reacção natural do corpo para aliviar o estresse) é, em sociedade, muito feio;
  2. b) Bocejar (outra reacção natural do corpo para minimizar a fadiga) é, no trato social, exemplo de má educação;
  3. c) Gargalhar ou gesticular (excelente para descontrair) é visto pela maioria das pessoas como índice de boçalidade;
  4. d) Arrotar depois de uma boa refeição (reacção natural do organismo) é punido com imediato banimento social;
  5. e) Libertar gases acumulados nos intestinos (indispensável à saúde física) é comportamento inadmissível em qualquer ambiente social: a pessoa tem de pôr uma rolha no ânus e segurar a flatulência até que disponha de um compartimento onde se possa aliviar em total privacidade.
  6. f) Existem, além disso, imensas outras regras sobre como comer, como falar, como sorrir, como olhar, como gesticular, como se sentar, como se levantar, como andar, como e quando correr – que impõem severos limites ao direito natural de cada qual agir conforme a sua natureza.

 

Primeira conclusão

A vida em sociedade impõe uma enorme listagem de regras de etiqueta, que, absurdas, antinaturais e, nalguns casos, atentórias da saúde física, são claramente limitadoras da liberdade natural dos seres humanos.

 

Segunda conclusão

Como corolário do que atrás se disse, importa concluir que a generalidade dos animais, não obstante talvez não serem capazes de reflectir, são, naturalmente falando, muito mais livres que os seres humanos.

 

Texto da autoria de: Simplesmente avô

 

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