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Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

20
Set19

A Liberdade de... Sarin


Liberdade é…

… alimentar ideias até na ponta da navalha. E escolher o fio com que as soltar ou prender.

… dançar nas águas movediças como nas areias estagnadas e de música esquecidas. Dançar porque apetece ou não dançar de todo.

… calçar e descalçar os medos recusando a moda de temores alheios. Sem receios.

… anelar branduras de musgo ao sol de um choupo velho e inalar loucuras de maresia onde ele não há. Só porque sim.

… sofrer os riscos polidos pela vontade de os correr. E fazer da vontade meta.

… travar as guerras escolhendo a paz pegando em pás. Que o longe se faz perto quando ombreamos na sementeira e na colheita.

… matar as horas e os meios-termos antes de termos os meios mortos e sem horas. 

 

Porque

 

Liberdade não é…

…Ter o pensamento tolhido colhido conduzido.

… Ter os pés pesados por grilhões trauteados.

… Viver os temores impostos, expostos ou sussurrados.

… Penar a vida e perder o sono. Com eles o sonho.

… Não arriscar no receio de estragar o esboço que se finge pintura.

… Dar o ombro às armas em nome da paz, as pás para covas e trincheiras.

… Torcer para não partir. E acabar-se ficando sem ficar.

 

 

Street-Art-in-Poitiers-France.jpg

Liberdade é também gritar o que nos corre no sangue

E calar quando apetece.

Como eu farei agora, após salpicar de gritos as folhas da MJP.

Um beijo para ti que me convidaste.

E um beijo para quem te aqui (me) ler.

Imagem de Valentin Robert em Street Art Utopia

 

Texto da autoria de: Sarin

 

13
Set19

A Liberdade de... Robinson Kanes


 

atenas_grecia.jpgAtenas_Grécia

 

Nas suas sucessivas tentativas para conceber a ideia de liberdade, o homem está constantemente a trocar uma forma de escravidão por outra.

Aldous Huxley, in "Sem Olhos em Gaza".

 

 

...Liberdade... 

... Liberdade...

 

Será que podemos dizer que somos totalmente livres? Não! A liberdade é e será sempre limitada para nós, seres humanos organizados. Não somos cegonhas para apregoar a liberdade como um direito que a vida nos coloca, um pouco como defendia Redol. Tentarei não ser demasiado filosófico e prender-me em questões do quotidiano.

 

Importa perguntar-me porque é que tão poucos estão dispostos a acompanhar a senhora que anda de mamas à vista e, como ela, a mostrar o peito em frente às balas e ao aço das espadas. Na verdade, até que ponto estamos dispostos a defender a nossa liberdade? Apregoamos que temos direito a tudo, a maltratar empregados de mesa só porque sim, a incomodar os vizinhos só porque temos direito, a fazer de todos os outros lixo em prol da nossa liberdade, a criticar tudo e mais alguma coisa só porque achamos que estamos no direito "de" e isso nos faz parecer alguém. Será que não submetemos a nossa liberdade a uma espécie de esclavagista tirania? Afinal,  uma das últimas coisas que um tirano possui é liberdade - poderá possuir poder, mas nunca liberdade.

 

Cito, não raras vezes, alguém que me poderia fazer parecer um comunista, mas estou muito longe disso - Lenine afirmava que a "liberdade é um bem tão precioso que tem de ser controlado". Concordo, do excesso de liberdade saíram as maiores atrocidades que a História já conheceu, as maiores atrocidades que já cometemos contra outrem, mesmo que no aconchego do nosso diminuto dia-a-dia. Até mesmo que, embrenhados em letras e discursos de boa-vontade, no fundo, também nós temos o nosso feudo, a nossa fortaleza, o nosso gulag, a nossa courela tirânica.

 

Actualmente, a liberdade tende a transformar-se num dos males da nossa sociedade, e isso não pode ter lugar, não podemos deixar. A liberdade não pode ser utilizada para restringir o homem que diz não! A liberdade não pode ser castradora da cidadania e muito menos canibalizada em prol de uma dinamitação do pensamento, da opinião, do estar simplesmente - a condicionante à liberdade não se faz somente dentro de uma cela ou debaixo de uma censura com um lápis colorido. O petróleo do futuro, sobretudo para políticos e não só,  será o ambiente e a liberdade... E quando algo se torna o petróleo de certos meios, tende entrar por caminhos extremamente adversos.

 

Será que nos sentimos verdadeiramente livres quando permitimos que nos destruam como cidadãos, como país até? Será que o segredo dos tiranos é o simples facto da maioria não saber o que é a liberdade ou considerar esse facto apenas com a capacidade de poder dizer meia-dúzia de bitaites e incomodar o vizinho do lado sem ter uma força vigilante a controlar? Na verdade podemos apelidar determinado indivíduo de tudo e mais alguma coisa, afinal, amanhã ninguém se lembra e a impunidade continua a ter lugar - mas nós acreditamos que isso é a liberdade...

 

Mas, na verdade, quantos de nós somos livres? Será que somos assim tão livres, até quando fugimos de temas que nos podem condicionar a actuação? Será que somos tão livres assim que temos de obrigatoriamente encontrar um grupo de pertença ou então um grupo de não pertença aos grupos de pertença? Seremos assim tão livres quando padecemos do síndrome de mulher de mamas à mostra a correr na rua na procura de que alguém repare nela? Será que aqui e lá fora estamos dispostos, tantas vezes, a dizer não? A dizer não mas a apontar soluções, e aí o trabalho é a dobrar.

 

Mais do que um texto à liberdade, penso que o fundamental é pensar em tudo isto e muito mais... Talvez alguma conquista de liberdade esteja nisso... Talvez até a questão da liberdade humana venha a sofrer uma discussão mais forte com a existência de sobre-humanos e com o desenvolvimento da inteligência artificial - será que é preciso deixarmos de ser humanos para pensar em liberdade? Será que é preciso sermos subjugados para percebermos a importância da liberdade e, mais do que lutarmos por ela, saber utilizá-la?

 

São muitas perguntas, mas a liberdade também é isso, fazer muitas perguntas... sobretudo num país que castra quem as faz.

 

Texto e imagem da autoria de: Robinson Kanes

 

 

06
Set19

A Liberdade de... Filipe Vaz Correia


Em primeiro lugar agradecer este convite que me foi feito pela queridíssima MJP, nesta rubrica do seu Blog, convite que tanto me honra e ao mesmo tempo carrega de responsabilidade.

 

O que é para mim a Liberdade?

A Liberdade de...

Liberdade, essa palavra que esmaga e seduz, esvoaça e amarra, num gesto de aconchego que nos envolve e por vezes deslumbra.

Nada para mim é mais importante do que a liberdade de opinar, de gritar ao vento o que habita na alma, mesmo que a contraditória alma diga, por vezes, o mesmo e o seu contrário, vezes sem conta, em dias diferentes.

Essa vontade, vulgo liberdade, assegura a caminhada incerta, nem sempre correcta, mas verdadeiramente libertadora de permitir debater e discutir, expressar ou vociferar, libertar cada pedaço de nós mesmos nesse rumo infinito do pensamento.

Como é bom poder deixar sair as palavras que nos pertencem sem receio de as expressar, sem burkas ou tabús, sem grilhões ou algemas.

Por vezes, nos tempos que correm, nem sempre essa liberdade é respeitada, nem sempre é possível trilhar o lado opinativo da mente, sempre que o politicamente correcto se levanta ou em contrapartida o populismo se impõe, sempre que nos rebatem com as setas apontadas pelo Status Quo das sociedades vigentes.

Não expressar o que dita a alma, é o que mais sufoca aqueles que libertadamente desejam pincelar a tela com as cores que traduzem os seus destinos.

Aqueles que estando na estrada se recusam a andar em fila indiana, só porque assim está instituído.

Recordo-me de uma cena no filme “O Clube dos Poetas Mortos” onde Mr. Keating pedia aos seus alunos que deixassem voar o seu lado interior, demonstrando a sua personalidade através da forma como caminhavam por aquele pátio.

Todos o fizeram, menos o jovem Charlie Dalton que exerceu o seu direito a não caminhar, demonstrando assim a sua essência, essa vontade divergente na expressão do seu grito.

Essa cena impressionou o menino que eu era e mais me impressionou a reacção do professor, brindando essa irreverente demonstração de expressão do sentir.

Liberdade...

Essa essência maior que não podendo ser confundida com libertinagem, um dos perigos maiores à própria liberdade, se traduz no bem mais precioso do Ser pensante, daqueles que ousam não deixar de questionar o outro lado do destinado querer.

 

Obrigado pelo convite, minha querida MJP.

 

Um beijinho do tamanho do mundo Canequiano que nos pertence.

 

Texto da autoria de: Filipe Vaz Correia

 

30
Ago19

A Liberdade de... Hetero Doméstico!


Liberdade

Desde tenra idade, me falaram que a liberdade apenas é entregue com termo de responsabilidade!

A construção de uma opinião não requer licença, permissão e nem tão-pouco avaliação, desde que seja, ora formulada ora interpretada, por um empreiteiro de educação. Era ensinada nos intervalos da escola. Comemorada nas horas de saída e respeitada no toque para entrada. Lecionada com paixão, por quem lutou por ela e perdeu alguém que nunca a chegou a conhecer. Perder nunca foi importante, mediante a possibilidade de participar. Competir, mesmo que em inferioridade, é uma condição de quem já só pode vencer…

A liberdade é o doce ruído de um folhear de um livro de História! A memória presente. Independente. Adulta como o choro de uma criança…

O medo ainda a persegue. Entregue pelas palavras de quem inveja. Almeja acabar com a luta. Não pela paz. Pela apatia. Pela peleja da espada que corta o bolo pela cereja! A sombra tangente que nos arrefece do sol, acaba por se tornar a ténue luz de um mundo de trevas…

A azáfama dos dias e o frenesim das noites. O brilho do metal. Das luzes dos carros e dos prédios. Tédios sensaborões. Um milhão de opções e escolhemos quase sempre aquela que nunca fazemos. Cedemos. Procrastinamos. Pedimos desculpa diariamente às alegrias, a uma mente ausente de anomias…

Ser livre não é poder correr e conseguir parar no abismo! É caminhar, olhar para os lados e nunca ter de olhar por cima dos ombros…

 

Texto da autoria de: HD

 

23
Ago19

A Liberdade de... P.P.!


art-artsy-blue-1988698.jpg

Imagem:  aqui

 

 

Liberdade

Pedaços esquecidos num intervalo fechado, cujos limites são as normas. Por vezes, a moral, a religião, o estilo de vida, … Um céu cujas estrelas deixam de banhar a minha pele.

Muitas vezes confundida com a “democracia”, os princípios que a regem nem sempre são óbvios. Sinto-a num sorriso, mas logo surgem correntes que a afastam.

Devaneios, naquele abraço pautado pela solidão. Idílios destronados pela razão. Lideranças maquiavélicas sem resíduos de paixão.

No início de uma nova vida, o grito, o chamamento… O caminho rumo a um só ponto comum, solto e despretensioso pautado pela escolha de alguém.

 

Texto da autoria de: P.P.

 

16
Ago19

A Liberdade de... Luísa de Sousa!


IMG_20190414_114138.jpgParque de Santa Catarina, Funchal, Ilha da Madeira

 

“Ser livre é ter um caso de amor com a própria vida.”

- Augusto Cury

 

Liberdade!

Quando iniciei o meu curso de yoga, o mestre pediu-me que escolhesse uma palavra, com a primeira letra do meu nome e que fosse um reflexo de mim.

Escolhi Liberdade!

E porquê?

Porque tenho a coragem e a liberdade de ser quem sou!

Apesar de ter nascido e de viver num país democrata e livre, com os meus direitos assegurados por uma constituição, ainda assim, estou condicionada a regras e leis que nem sempre compreendo, às vezes mais restritivas com os meus valores pessoais, entrando muitas vezes em conflito, mas tenho de aceitar!

A Liberdade que me refiro é aquela que está dentro de mim.

Aquela que fui construindo, reconstruindo e cultivando ao longo da minha vida.

E sei que sou livre porque sou fiel a mim mesma, aceito-me tal como sou e porque sou capaz de agir de modo coerente com o que penso.

Sei que sou livre porque tenho consciência das minhas emoções mais temíveis e supero os meus “fantasmas”, enfrento os meus sentimentos negativos e luto diariamente para afastá-los da minha mente.

Sei que sou livre porque a minha consciência é livre de “grades”, de “amarras”, de “cadeados”, ou de tudo que condiciona os meus pensamentos e formas de ver e entender o mundo, o que me permite fazer as minhas escolhas!

Sei que sou livre, porque ouso seguir os meus sonhos, muitas vezes provocando desconforto nas escolhas que faço, mas seguindo sempre em frente!

Sei que sou livre porque me conheço, porque estou presente na minha vida, consciente dos meus atos, dos meus valores, liberta de apegos, sabendo quem sou, o que quero, o que sou capaz de fazer, sabendo o que quero seguir, onde desejo chegar e onde desejo estar.

 

“Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana, os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem.”

- Jean-Paul Sartre

 

Texto e foto da autoria de: Luísa de Sousa