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Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

06
Dez19

A Liberdade de... Nala


Para quê falar de liberdade se vivemos num Mundo Livre e onde cada um pode fazer e dizer o que quiser. Será que faz sentido? 

Claro que faz, e é por ver tanta importância na discussão deste tema que imediatamente disse um grande SIM à MJP quando ela me propôs a escrita deste post.

 

Temos liberdade, de certa forma, é um facto mas falamos dela como um dado adquirido e um super poder. E o problema começa exatamente aí…

 

Vemos a nossa liberdade como se ela nos desse a possibilidade de dizer tudo o que nos passa pela cabeça ou de fazer o que quisermos sem nos preocuparmos com os sentimentos daqueles que estão à nossa volta.

 

E como se, de repente, associássemos a liberdade a partilhar, criticar e julgar os outros em praça pública sem o mínimo remorso, com a cara destapada ou sob um perfil online anónimo. Afinal somos livres, não é?


No entanto cada vez acho que nos falta a liberdade a sério. Aquela liberdade que nos permite rir a bandeiras despregadas de nós próprios ou de poder dançar na chuva sem ser apontado por uns quantos dedos. 

 

A liberdade de ser quem nós queremos, sem termos de prestar contas a ninguém, e ser felizes à nossa maneira… 

 

E por fim começa a faltar-nos a liberdade suprema de expressarmos a nossa opinião sem sermos imediatamente criticados (quase crucificados em praça pública) pelos carrascos do politicamente correto e da opinião feita e que muitas vezes para pouco mais serve do que ter visualização nas diferentes redes sociais. 

 

Lutemos de uma vez por todas pela liberdade de ser igual a nós próprios, de não ter medo da opinião alheia (mesmo sabendo que as pessoas têm sempre algo a dizer). 

 

Procuremos a liberdade de sermos o que, como e quando quisermos. Desliguemos o facebook, o instagram e aproveitemos aquilo que temos de melhor: nós mesmos, com todos os defeitos e qualidades que nos compõem. 

 

Que procuremos construir um modo de vida onde a liberdade seja o nosso motor e que nos transforme em melhores pessoas, melhores ouvintes e que aprendamos a partilhá-la com os outros. Que tenhamos a liberdade de sermos fiéis a nós próprios e de passarmos à frente quando algo nos incomoda ou a questão não nos interessa. 


E, em jeito de honra aos soldados de Abril, só me resta dizer: “Viva a Liberdade!” 

 

Aproveito o fim deste texto para agradecer este convite maravilhoso da MJP. Confesso que já há uns tempinhos ansiava por poder participar nesta sua rúbrica tão marcante. 

É um prazer enorme colaborar com pessoas assim: dinâmicas e cheias de boas histórias para contar. Um grande obrigado! 

 

Texto da autoria de: Nala

 

29
Nov19

A Liberdade de... A 3ª face


Há muito, muito tempo, não muito longe daqui, uma águia forasteira reuniu os pássaros de uma floresta e anunciou-lhes as boas novas.

Uma jovem princesa pretendia, como prenda de aniversário, o mais belo passarinho do reino e a águia fora enviada para o encontrar.

A vida do eleito mudaria para sempre. Passaria a viver no conforto do castelo, onde os repastos seriam as mais belas e douradas sementes daquelas terras.

Mas para além da beleza, o vencedor teria de demonstrar inteligência, para que estivesse à altura da posição que iria ocupar. Ser o passarinho da princesa requeria maneiras e compostura.

Por isso, depois de escolher as aves com maior beleza, a águia lançou um desafio.

Dentro de uma garrafa estava uma palhinha seca. Quem a conseguisse tirar sem tocar na garrafa, seria o vencedor.

Todos os pássaros tentaram. Mas os de bico curto desistiram de imediato, por não conseguirem chegar ao fundo da garrafa.

Os de bico comprido enfiaram-no no gargalo mas não conseguiram abri-lo para agarrar a palhinha.

Foi nessa altura que regressou ao grupo um colibri, que se havia afastado depois de ouvir o desafio.

Trazia consigo uma velha casca de noz cheia de água, que derramou para dentro da garrafa. Voltou ao lago uma vez e outra, regressando sempre com a casca de noz cheia de água.

Até que a água da garrafa transbordou e a palhinha ficou a boiar junto ao gargalo.

O colibri, com o seu pequeno bico, facilmente a retirou, perante o pasmo de todos.

E foi o vencedor.

A águia combinou regressar na manhã seguinte para o levar para o castelo.

E todos invejaram a sua sorte.

Passaria a viver dentro das paredes do castelo, a servir a princesa e a satisfazer-lhe os caprichos.


E o colibri foi para o ninho a pensar em tamanha honra.

Nessa noite fugiu.

Que o maior prémio é a nossa Liberdade!

 

Texto da autoria de: A 3ª face

 

22
Nov19

A Liberdade de... O último fecha a porta


Liberdade

 

Felizmente sempre vivi num país livre. Apenas conheço essa realidade.

Para mim liberdade é emitirmos a nossa opinião, lermos os livros, vermos os filmes, interagir e tomar as opções que muito bem entendermos. Sem constrangimentos ou medos. 

Porém, considero que o maior risco é confundir liberdade com anarquismo ou insulto gratuito. Todas as ações implicam respeitar as regras do bom senso, as da sociedade e o princípio do respeitar para ser respeitado.

Este é das primeiras noções que os pais passam aos filhos na sua educação, mas muitas vezes não são seguidos. 

Olhando para trás, assisti à entrada das redes sociais nas nossas vidas, onde surgiu uma nova figura: os perfis sem rosto. São semelhantes à brincadeira de criança de tocar à campaínha e depois fugir. Atuam pela calada, espalham histórias verdadeiras ou falsas, sempre com títulos bombásticos para terem um click ou por e simplesmente a diversão das sensações causadas. Com zero de inocência, aproveitam-se da ausência de filtro e da liberdade sem controlo. 

Por outro lado, o surgimento da Internet trouxe mais acesso, mais informação e ao mesmo tempo maior controlo de tudo aquilo que fazemos. Se somos livres de escolher o que ver, ler ou comprar, deixamos também mais vestígios do que fazemos, fizemos e do que somos. Mesmo que indiretamente, há um histórico ou um algoritmo que nos aviva a memória. A nós e a quem tiver acesso a essa informação.

É paradoxal, mas é a liberdade de hoje em dia.

 

Texto da autoria de: O último fecha a porta

 

15
Nov19

A Liberdade de... cheia


Uma das muitas queridas e lidas bloggers do nosso cantinho, franqueou-me as portas do seu espaço  “Liberdade aos 42”, para escrever sobre a liberdade.

Muito me honra o seu convite. Mas, a responsabilidade é muito grande, porque o tema é muito apaixonante.

Muito Obrigado!   

 

A liberdade

A liberdade é a mais fascinante flor

De tão delicada que é, muitas vezes, temos medo de a perder

De tão complexa que é, não a sabemos entender 

É uma faca de dois gumes: a minha liberdade acaba, onde a sua liberdade começa

Uma fronteira, cujo limite é difícil de ver

Vale a pena, tentarmos aprender a vivê-la

Porque, mesmo que pensemos, dela, tudo, saber

Gastamos a vida, sem a conseguir compreender

Para uns, uma coisa natural, para outros, ainda, inacessível

Ao ponto de não lhes ser permitido, uma licença de condução, obter

Para não desfiar o imenso rol de coisas que não podemos fazer

Por causa de vivermos em liberdade, ou por falta dela

Suponho que, depois da vida, é a coisa mais importante

Ao longo dos séculos, sempre, se lutou por ela

Houve, há, haverá, sempre, quem dê a vida por ela

Há alguém que tenha nascido, em liberdade, que saiba como era, sem ela?

Não! Não há ninguém que consiga imaginar, como era

É, por isso, que não sei falar dela, e, continuarei, todos os dias, a aprender a utilizá-la

Nasci e vivi anos, sem ela, sem poder dizer o que pensava, com medo de quem me escutava

No cinema, no teatro, nos livros, nos jornais não sabíamos o que tinha sido produzido

Porque tudo nos chegava, censurado, cortado, amputado, quando não era totalmente proibido

Quem tinha possibilidades ia ao estrangeiro ver as peças de teatro e os filmes, sem cortes

Principalmente, a Paris ou Londres

O primeiro filme, que vi, sem censura, só depois do 25 de Abril, foi: “ Último Tango em Paris”

Liberdade, minha amada, minha fada, minha eterna namorada, todos os dias, peço para nunca mais me faltares!

Agradeço a todos os que, tanto lutaram e aos que lutaram até à morte, para verem a liberdade

Mas, infelizmente, não tiveram a imensa alegria de a ver nascer.

 

Texto da autoria de: cheia

 

08
Nov19

A Liberdade de... Pedro


A impressão mais forte que o tema da liberdade evoca em mim vem de um livro a que só cheguei há dois ou três anos, o diário publicado de Anne Frank.

Adiei a sua leitura ao longo do tempo porque, não sei bem como, formei na minha cabeça uma ideia pré-feita - e, como a maioria dos preconceitos, errada - sobre o que ia ler. Pensei que se tratava de um diário influenciado por adultos, de alguma forma descaraterizado por aqueles que ficaram na sua posse após a morte de Anne num campo de extermínio. O que encontrei, claro, não foi nada disso.

O diário de Anne Frank revela o espírito inquieto e curioso de uma criança colocada em circunstâncias extraordinárias com um talento precoce para a escrita. A cada virar de página assistimos à alvorada da inteligência e bondade de Frank. Não é de um diário de guerra que se trata, mas de crescimento.

A máquina de ódio e morte do nazimo é um dos capítulos mais horrorosos da história da humanidade e aqui está um diário escrito por uma criança que, metido no outro prato da balança, é esmagador na sua simplicidade e poder para reparar o nosso sentido do mundo. O holocausto levou aquela criança, mas é ela que nos fala, possivelmente pela era da humanidade adentro, da inocência e importância de se ser criança - e de ver o mundo por esses olhos.

E qual é mesmo a imagem da liberdade que evoca em mim? A minha memória não é exata, mas uma das descrições que ficaram comigo da leitura do diário foi a descrição que a Anne faz da árvore e das pessoas na rua que ela consegue vislumbrar pelas frinchas da janela do seu quarto. Já não sei dizer se foi ela, se fui eu, que se põe a imaginar, por vezes, as mil e uma coisas que aquelas pessoas lá fora estão e podem fazer nas suas idas e vindas, mas essa tem de ser uma das imagens mais pungentes que guardo do que é a liberdade.

A liberdade conjuga-se e passeia-se na rua. Liberdade para explorar, ler, correr, fotografar ou simplesmente caminhar sem destino. Quando me dá a neura ou sinto-me desinspirado, tento lembrar-me disso. Há um mundo de ideias, pessoas e sítios a descobrir lá fora. E a liberdade é a boleia.

Obrigado, Anne, obrigado, MJP.

 

Texto da autoria de: Pedro

 

01
Nov19

A Liberdade de... José da Xã


Liberdade…

 

Há uma canção popular, celebrizada pelo cantor de intervenção Vitorino, que começa assim:

Liberdade, liberdade,

quem a tem chama-lhe sua…

Eis assim de forma popular o mote para uma palavra que é de todas as que existem no léxico luso e não só, a mais paradoxal. Principalmente porque a liberdade antes de ser um conceito político é uma forma de estar na vida.

Todavia o aproveitamento que, entretanto, os políticos fizeram da palavra e do que ela realmente representa ou deveria deturpou a sua real assumpção.

Em termos práticos (porque a teoria só serve para os manuais) a liberdade leva quase sempre a uma atitude antagónica ao conceito, já que a de uns entrará, quase de certeza, em conflito com a dos outros.

Ora se eu não posso fazer algo porque entro em litígio com a vontade de outro… então significa que a liberdade não existe na sua totalidade. Dou um mero exemplo: se eu estiver numa esplanada e na mesa ao lado alguém pegar num cigarro e o acender, a liberdade que eventualmente lhe assistirá de fumar chocará com a minha vontade de não ser incomodado com o fumo do tabaco. Resta por isso uma questão: quem deverá abdicar da sua liberdade, eu ou o fumador? Aconteça o que acontecer um deles perde a liberdade.

Repito a ideia acima assumida de que ninguém, na sua essência, é totalmente livre. Porque há uma série de regras instituídas (e não me cabe aqui analisá-las qualitativamente) que temos de respeitar. E aceitar! O que equivale dizer que se aceitamos é porque consideramos que poderia haver outra opção: quiçá a nossa própria!

Já nem falo da liberdade religiosa, política ou sexual. Todas elas muito coladas aos radicalismos, tão em voga nas actuais sociedades e obviamente muito perigosos quando extremados.

Tal como a liberdade de expressão ou de informação. Outro dogma com o qual muita gente não sabe lidar. Terei eu direito de dizer o que quero, de mostrar o que me apetece, quiçá chocando pessoas sem quaisquer consequências, só porque vivemos num país livre?

Lembro a este propósito aquela foto da criança refugiada morta numa praia de Itália e que tanto incomodou o Mundo. Um exemplo perfeito de como a liberdade nem sempre faz sentido.

Nasci e cresci na ditadura até que na minha juventude surgiu o 25 de Abril. Portanto sei avaliar o que é viver num país sem liberdade ou enfeitado dela. Sei o que foi calar o que pensava e por fim poder dizer o que sentia. Sei o que significa repressão e o extravasar de alegria sem quaisquer receios.

Sei tudo isso, mas também reconheço que a liberdade pura e dura será sempre um desejo de muitos para contentamento de poucos.

 

Texto da autoria de: José da Xã

 

29
Out19

Agradecimento(s)...


 
LIBERDADE AOS 42
 

A Liberdade de... Alice Alfazema

 

O destaque, com que a Equipa SAPO Blogs voltou a brindar este (meu) espaço, serviu de mote para um agradecimento que, há muito, havia planeado fazer...

Dada a imensidão de publicações que são feitas (diariamente) nesta plataforma, perceber que a Equipa se deu ao trabalho de visitar o nosso espaço e, por alguma razão, considerou merecedor de destaque o que lá foi escrito é, sempre, motivo de orgulho (pelo menos, para mim)...

Este destaque tem ainda mais valor, para mim, porque se refere a um texto que não foi escrito por mim, mas por uma das muitas pessoas que, tão generosamente, acedeu a dar corpo à minha ideia de abordar a temática da Liberdade...

Aproveito esta oportunidade para agradecer a todos quantos já participaram nesta rubrica (muitos, ainda não viram o seu texto publicado), que tanto tem enriquecido este espaço, com tão generosa partilha... sinto-me, de facto, muito privilegiada!

Confesso-vos que, de cada vez que, recebo um texto apetece-me publicá-lo de imediato... é impressionante e fascinante apreciar a forma como, cada um de vós, aborda a mesma temática, dando-lhe um sentido tão especial e único...

Muito Obrigada, a todos (e a cada um, em particular), por transformarem esta minha ideia em algo tão real, tão gratificante e tão enriquecedor!

25
Out19

A Liberdade de... Alice Alfazema


A MJP pediu-me para falar sobre Liberdade, eis-me então aqui para descrever como sinto esse conceito e essa maneira de estar. Obrigada MJP, é um prazer estar aqui neste teu espaço. 

 

Escrevo este texto no dia 20 de Outubro de 2019, é Domingo e está sol, ontem foi um dia de chuva intensa. Hoje o dia amanheceu luminoso, manso e fresco, levantei-me e tomei o pequeno-almoço em casa, nada de especial, pão com queijo-fresco de ovelha e um sumo de frutos vermelhos. Fomos depois beber um café à beira-rio.

 

Estou agora em frente ao rio, num sítio tranquilo e cheio de árvores, sento-me enquanto bebo o meu café, à minha frente o rio brilha, com aquele brilho de felicidade, algumas pessoas andam a remar em pequenos barcos ou nas pranchas praticando desporto e usufruindo daquele espaço, na praia um homem enche baldes grandes com água do rio e carrega-os para dentro duma carrinha, uma mulher corre atrás do cão, as gaivotas assistem impávidas e serenas, um outro homem tira água de dentro de um bote, prepara-se para ir para a pesca, a esplanada vai-se enchendo de gente.  Todos falam baixo, consigo ouvir as folhas secas a baloiçar com o vento. 

 

Vejo, então o verde da Serra, as árvores e as rochas cravadas naquela terra vermelha, ao longe uma curva com a cidade, o rio que brilha intensamente, sinto em mim todo aquele fluir, o azul das ondas, a maré vazia, a terra vermelha, o céu límpido, a outra margem do rio, as gaivotas que voam, o motor do barco, o sabor do café misturado com o açúcar, as pessoas que falam tranquilamente. A paz da manhã. 

 

Sou então uma privilegiada, que aprecia o rio e o espaço à minha volta, sem medos, nem fome, nem guerra, podendo estar, sem pensar em ir - isso é Liberdade. 

 

Texto da autoria de: Alice Alfazema

 

18
Out19

A Liberdade de... Maria


A MJP pediu-me um texto sobre a Liberdade de...

Fiquei honrada pelo convite para escrever numa casa que não a minha.

“Todas as vitórias ocultam uma abdicação.”

Simone de Beauvoir

 

“Liberdade, liberdade quem a tem chama-lhe sua,

eu não tenho liberdade nem para pôr os pés na rua”

Meu avô trauteava esta canção quando eu era criança. Tinha imensa pena da senhora, sempre assumi que fosse do sexo feminino, pois eramos educadas para ser recatadas.

Eu tinha tanta liberdade pensava.

Vivia numa ilha e numa cidade pequena, não se falava de pedofilia nem de raptos.

A rua era o meu mundo, onde jogávamos ao berlinde, corríamos o arco, jogávamos à macaca, saltávamos à corda, e de vez em quando “pregávamos” umas partidas aos vizinhos.

Só havia uma regra, o horário de regressar a casa, imposto pela mãe, tinha de ser cumprido ao segundo, qualquer atraso significava dias sem sair. Aconteceu apenas uma vez, tentei negociar, um açoite em vez do castigo, a resposta foi não, fiquei 3 dias sem sair.

E assim fui crescendo convencida que tinha liberdade.

Um dia, no 7º ano do liceu, num teste de OPAN, para os mais modernos – Organização Política e Administrativa da Nação – armada em intelectual, referi que a Constituição de 1933 tinha sido inspirada nos ideais fascistas de Mussolini.

O que fui escrever! Fui chamada à reitoria, o Reitor, um gentleman, alertou-me para a gravidade do que escrevera. 

Meu pai também foi chamado e alertou-me que havia determinados assuntos que não se podia referir.

E assim, descobri que a tal liberdade que pensava ter era muito relativa, estava apenas associada à responsabilidade é à confiança que tinham em mim.

A verdadeira liberdade, a de pensamento, não me era permitida.

Já em casa, meu pai falou-me que na Colónia Penal do Tarrafal, que ficava na ilha onde vivia, havia muitos presos, com histórias sinistras e humilhantes, porque tinham ousado desafiar o poder vigente. 

Foi quando percebi que uns nunca se deixavam subjugar, preferiam perder a liberdade numa prisão, que perder uma outra liberdade muito mais importante - a de  pensamento e do sentido crítico - pois só assim seriam verdadeiramente livres.

Muito obrigada, MJP

 

Texto da autoria de: Maria

 

11
Out19

A Liberdade de... Maribel Maia


A nossa querida blogger MJP propôs-me este belo desafio: escrever sobre liberdade…. De facto é um desafio escrever sobre um conceito tão complexo e com tantas dimensões! Gosto de refletir, de pensar para além dos meus pensamentos, sobre Palavras tão profundas, obrigada por isso!

 

Uma tal de Liberdade!

 

Quando perguntamos a uma criança o que é a liberdade, certamente, vai-nos falar sobre a oportunidade de brincar tempos sem fim, sem limitações ou cuidados…. Porque liberdade é Alegria!

Se perguntarmos a um/a adolescente o que é liberdade é muito provável que aproxime este conceito da responsabilidade e do respeito pelo outro… Porque para eles liberdade é Coisa Séria!

Se perguntarmos o que é liberdade a um/a adulto, a reflexão tornar-se-á mais complexa, mais profunda… o diálogo irá por temas sobre Igualdade, Justiça, Opinião, Oportunidades, … Porque quanto mais vivemos, mais a liberdade se torna Indispensável à Vida!

Para mim, liberdade é ter um acesso igual aos múltiplos saberes da vida, é ter oportunidade de aprender, ao longo de toda a vida, conhecendo o outro e o mundo, reconhecendo respeito e igualdade… Porque, para mim, liberdade é Educação!

Escrever sobre esta tal Liberdade é, assim, esta mistura de conceitos que, ao longo da vida, se tornam preciosos à existência humana, num respeito profundo pelas minhas vontades e desejos, agindo sem que estas interfiram nas vontades e desejos de todos/as os/as outros/as!

 

Texto da autoria de: Maribel Maia

 

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