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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

18
Jun21

A Liberdade de... Inês Reis


Liberdade de Mulher

 

Nasci livre. No sítio certo e num momento oportuno.

Aos cinco não me casei. A minha propriedade não passou de pai para marido, nem o meu valor foi medido em cabeças de gado.

Não deixei a escola aos doze para me vender por muito pouco na tentativa de alimentar demasiados.

Nem ninguém me roubou a inocência apenas para me deixar de esperanças ou com uma sentença de morte, na tentativa de me “salvar”.

Não, apenas me foi sugerido que falasse, andasse, e vestisse de uma certa maneira para que nada de mal acontecesse.

Nasci livre, mas vivo, apenas, uma liberdade de mulher.

 

Texto da autoria de: Inês Reis

 

04
Jun21

A Liberdade de... Célia Loureiro


Liberdade

 

Ao contrário do que nos querem fazer crer, não nascemos livres. A liberdade precisa de ser conquistada, e começa dentro de nós. Não é a democracia, nem o direito de voto, nem o 25 de Abril que nos concede liberdade. Não somos livres porque podemos expressar-nos sobre o que bem entendemos, nos termos que entendemos adequados, ou porque podemos ir e vir quando nos convém. Também não somos mais livres ao atingir a maioridade, ou ao receber o nosso primeiro salário. Não somos livres por ter a confiança de um banco que acede a emprestar-nos somas de dinheiro para viagens ou projetos. Não somos sequer livres durante essas viagens, porque no regresso há que comparecer aos lugares aonde nos esperam. Também não é no livre exercício das nossas preferências, dos nossos gostos, da nossa sexualidade, que encontramos a liberdade.

A liberdade vem de dentro, é de nós para connosco próprios. A liberdade é uma coisa do espírito, uma aceitação de tudo o que nos rodeia, a compreensão de que os únicos limites partem de nós. A liberdade perde-se com a culpa, com arrependimentos, com contrariedades, com frustrações. Tantas vezes a temos na mão, como única solução, e permitimos que nos subjuguem.

Há dias, no Live da página de Instagram “Literacidades”, o convidado e autor Norberto Morais mencionava um episódio interessante passado em África. Um macaco que caía na armadilha de segurar um punhado de amendoins dentro de um tronco oco de árvore. Com a mão aberta, é possível inseri-la e removê-la do tronco. Com o punho fechado, tal é impossível. O macaco ficava ali, incapaz de se libertar do desejo de comer os amendoins. Bastava-lhe abdicar dessa preferência para se ver livre de novo, livre, inclusive, para procurar outro alimento, melhor, quem sabe. Os humanos também são assim.

O coronavírus mostrou-me que não era livre. Todos os meus passos estavam cronometrados. Tinha um horário a cumprir de segunda à sexta, o que, por sua vez, me limitava o fim-de-semana. Tinha horário para acordar, uma janela de tempo para sair de casa, um autocarro que não podia perder, depois outro, depois outro. Hora para me apresentar ao serviço, hora para almoçar, hora para regressar, hora para sair, hora para passar o cartão de transportes no comboio, no barco, no metro. Hora para me deitar, se no dia seguinte quisesse ser capaz de cumprir tudo de novo. Onde há espaço para liberdade no meio desta rotina? Que liberdade era a minha? A de me demitir? Mas e depois? As restantes obrigações? Pagar contas, honrar compromissos?

E o marketing, que nos acorrenta a produtos de que não necessitamos? Que liberdade é a nossa perante as ideias que nos são impostas? Que capacidade temos de nos defender da pressão dos tempos, quando a Educação formata, a sociedade direciona, o governo, desorientado, orienta, e os pais aconselham?

Pensemos no que, para nós, significaria ser livre. Vão ver que não há muito espaço para liberdade no dia-a-dia.

 

Texto da autoria de: Célia Loureiro

 

21
Mai21

A Liberdade de... Amelinha


Isto de escrever sobre a liberdade tem muito que se lhe diga, ainda mais numa altura como esta que tanto se fala da liberdade, ou melhor da falta dela! 

Mas será que é mesmo isto a liberdade? 

Mas afinal o que é a liberdade? 

É podermos brincar e rir com os nossos filhos esquecendo tudo o que temos para fazer? 

É sair sem saber onde esse caminho nos leva? 

É correr, saltar, gritar sem nos importarmos com aquilo que os outros vão dizer ou pensar? 

A liberdade é muita coisa, é vivida de muitas maneiras, sentida de várias formas, cada pessoa tem a sua definição! 

Se me perguntarem se sou livre? 

Talvez! 

Há dias que penso que sim, mas há outros que não! 

Infelizmente acho que somos "escravos" da sociedade, somos formatados para viver de uma maneira, há sempre tantos horários a cumprir, tantas coisas a fazer, e o que queremos? E o que não queremos fazer mas temos de o fazer? 

Quantas e quantas vezes queremos seguir um caminho mas acabamos por ir por outro porque nos disseram que era melhor, que o outro não ia levar a lado nenhum, o que vais fazer com aquilo... E aí? Ao seguirmos uma ideia que não era a nossa não se perde a nossa liberdade? 

Talvez não sejamos tão livres assim como pensamos! 

 

Texto da autoria de: Amelinha

 
14
Mai21

A Liberdade de... 1 Mulher


Carta a “alguém”

Escrevo-te para dizer, o que já disse várias vezes mas pareces teimar em não entender… estou cansada de me esconder atrás de uma imagem que não espelha o que sou, de esconder a mulher… digo-te que não quero saber das tontices que me dizes, e que a partir de hoje, vou ser eu, mulher, feminina como sempre fui… vou vestir-me a preceito sem me preocupar com a forma como me olhas e desejas… porque sabes, não tenho receio de ti e sou muito mais forte do que julgas... não é a tua presença que me vai impedir de ser EU.

Desejo que a minha liberdade, não interfira com a tua forma de estar.

Cura-te!

 

Texto da autoria de: 1 Mulher

 

07
Mai21

A Liberdade de... Cristina Aveiro


    

IMG_5395.JPG

 

 

A Liberdade

 

A liberdade é andar nua e descalça

Nadar no mar e mergulhar.

A liberdade é abraçar quem se ama

Com força e com todo o corpo.

A liberdade é dizer e pensar o que se bem entende

Defender as causas que se entendem justas sem respeitos tolos.

A liberdade é dizer que o rei vai nu

Quando todos sorriem e fazem vénias de cobardia.

A liberdade é branca como as gaivotas que morrem aprisionadas

Precisa de espaço, luz, campo, praia, mar.

A liberdade é sonhar, escolher, fazer por si e por todos

Porque se quer, para trilhar o caminho escolhido.

A liberdade permite-nos ignorar o que pensam e dizem de nós

Pensem e digam o que quiserem porque nós Somos.

A liberdade está nas pequenas e nas grandes coisas

É grandiosa e ao mesmo tempo atenta à pequenez.

A liberdade também é Abril, os cravos, o povo

Mas há tanto de Abril que se esfumou em livres bolsos.

A liberdade de Abril devia ser mais exigente com quem nos representa

Devia haver rostos com quem cada voto pudesse falar a pedir contas.

A liberdade precisa de justiça justa, eficaz, rápida, transparente

A opacidade surda da justiça dos ricos e da justiça dos pobres corrói.

Acredito na Liberdade, no Amor, na Paz, no Respeito pelas Gentes e pela Natureza!

Sou talvez crédula, mas sou livre de o ser.

 

Texto e foto da autoria de: Cristina Aveiro

 

30
Abr21

A Liberdade de... Tagarelices ao vento


 

Liberdade Sonhada

 

Pássaro que bate asas mas não voa,

Na tua gaiola dourada,

Só te falta uma coroa,

E uma voz encantada. 

Pássaro que desde bem cedo,

Criaste uma boa amizade,

Pousavas no seu dedo,

E lhe deixavas saudade.

Pássaro que de todos tens medo,

Foges da tua vontade,

Por todos tratado como um brinquedo,

E fechado aqui na cidade. 

Pássaro amedrontado,

Não conheces a felicidade,

Pois ainda não foste apresentado,

Às asas da liberdade.

Pássaro, nasceste para seres livre, do teu jeito,

Bate as asas e voa,

Pois, a liberdade é tua de direito,

Voa, voa, em liberdade, mesmo à toa. 

(Tagarelices)

 

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Texto da autoria de: Tagarelices ao vento

 

23
Abr21

A Liberdade de... Tri


Quando a MJP me propôs a escrever sobre “liberdade” e andando nós a viver confinamentos atrás de confinamentos, confesso que fiquei com um misto de emoções quanto ao que pensar sobre o assunto. E, na verdade, acho que de uma forma geral nós nunca pensamos bem sobre este tema…damos como um dado adquirido. (salvo certas gerações a quem muito agradeço e que por vezes devem ter flash de memórias de tempos idos…e que parecem tão presentes

Nenhum de nós sabe bem dizer o que é ser livre, realmente livre. Temos algumas crenças enraizadas e para cada um de nós o conceito de liberdade é diferente…é como a felicidade, não é uma conceção universal. 

Nestes dias diria que a nossa maior liberdade é o pensamento.

A liberdade de pensamento é essencial à mente humana e, até ver, são ainda inexistentes os meios de se impor normas ao pensamento humano. Não obstante, os nossos pensamentos são moldados, são conduzidos pelos meios sociais (ou até reprimidos), são ludibriados …Ainda temos o nosso espírito crítico, está claro, temos é que lhe dar uso e é aí que entra a nossa liberdade.

A liberdade de pensamento é, necessariamente, garantida por um Estado Democrático, pois sem a mesma não há democracia consolidada. 

Mas com a ressalva sempre de que Liberdade de agir/pensar não é – nem nunca será – libertinagem. 

O pensamento de cada um está estritamente conectado com a sua intimidade, a sua privacidade e aí tudo pode acontecer. Do mais absurdo e impraticável, ao atos mais corajosos ou até puníveis. 

A liberdade de pensar é, portanto, totalmente livre (perdoem o pleonasmo), cabendo a cada pessoa controlar aquilo que pretende exteriorizar, ou que guarda simplesmente para si.

E que forma mais simples e crua de sermos livres que não no nosso pensamento? Assim, em qualquer lugar, a qualquer hora, somos livres de pensar, de refletir, de questionar, de contrapor, somos livres para pensar! 

E isso é que faz de nós pessoas, melhores pessoas até, isso faz-nos evoluir, faz-nos pôr tudo em causa, não aceitar simplesmente mas colocar um ‘porquê?’ …e faz-nos simplesmente imaginar, viajar, sermos felizes sem sair do lugar. A verdadeira liberdade não é aquilo que conseguimos conquistar mas aquilo que conseguimos pensar.  

Haverá maior liberdade que a do pensamento? 

 

Texto da autoria de: Tri

 

16
Abr21

A Liberdade de... Gualter Pereira


O espírito consumista que desde tenra idade me equipa, persuade-me a acumular toda a liberdade que consiga, rapidamente, a preço de saldo. Não há espaço para a possibilidade de a distribuir graciosamente, de a apreciar nas mãos do próximo, de a cultivar num terreno comum de humanidade.

Ela, a liberdade, que já esteve literalmente pela hora da morte, é a mesma que agora me é entregue como direito sem regra, para benefício próprio, coxa por isso, da dimensão de empatia. A nova premissa é: "A minha liberdade começa onde termina a liberdade dos outros."

Talvez eu precise de abandonar esta visão de liberdade, focada na óptica do utilizador. Sim, e procurar produzi-la, mais do que a consumir. Quem sabe, seja necessário entrar no domínio do seu cultivo, não por processos industrializados, mas valendo-me dos métodos de uma certa agricultura artesanal.

E porque não fazer da sua colheita, um momento festivo de partilha e comunhão? Quiçá, no fim do dia, tocar à porta de um vizinho para lhe entregar um punhado do fruto colhido, numa demonstração personalizada de solidariedade.

De que me servirá ter em casa um prato cheio de liberdade, se a servidão agrilhoa o ambiente e o mundo do meu semelhante? De que serve a liberdade que não me desembaraça de mim mesmo?

Se um dia a escassez deste bem se generalizar, que a recordação da partilha e da doação, a alegria de encontrar o "Outro" solto de amarras, sejam propulsores poderosos para me fazerem retornar ao desejo inocente dos primeiros dias. Precisamos de ser livres, com seres livres ao nosso lado, para que a árvore da liberdade floresça e se cumpra na plenitude.

A liberdade é uma promessa cravada na terra de que somos feitos.

 

lbd

 

Texto e imagem da autoria de: Gualter Pereira

 

09
Abr21

A Liberdade de... Francisca


Liberdade.

Todos a conhecem, mas poucos realmente a vivem.
Pensam que são livres, mas são dependentes.
Escondem-se atrás dos medos.
Da vergonha alheia.
Deixando para trás a sua verdadeira felicidade.
Ser-se livre é ter segurança sobre si mesmo.
É não se deixar influenciar.
É respeitar, amar, confiar…
Ser-se livre é isto e muito mais.
Não é à toa que a liberdade é umas das mais belas maravilhas do mundo.
Porque quando a liberdade vem ao de cima tudo o resto se transforma.
A liberdade não depende do mundo, depende de cada um de nós.
Tu crias a tua própria liberdade e a qualquer momento.
 
Texto da autoria de: Francisca
 
02
Abr21

A Liberdade de... o cunhado


Profundamente honrado pelo convite da autora para escrever sobre liberdade, resolvi dissertar sobre a minha aquando criança, a que conheço porque, porventura, qualquer outra que exista nunca ninguém fez o favor de ma apresentar.

Perto de fazer os onze anos, voltei a acompanhar o meu pai ao Ambriz quando ele lá foi acertar pormenores com o tal fazendeiro para a ta lobra que com esse contratara.
Aquilo deu brado pois teve o condão de despertar recordações na minha mãe aquando do meu primeiro acompanhamento paterno, no mês anterior, que não correra nada bem. Acusou o meu pai de não saber tomar conta de mim, ele vacilou e desculpou-se que eu queria ir, ela reforçou a acusação de incompetência de um pai que nem era capaz de tomar conta de um filho de onze anos, eu vi que assim não tirávamos dali a piroga e meti-me no assunto acusando-ada pouca sorte que tivera com a mãe que arranjara ao calhar-me logo a mim a fava de mãe.
Deixei-os com ela a resmungar e o meu pai a ouvir e calar, e fui tratar da minha vida. Dei ordens terminantes para ninguém naquela casa utilizar a minha bicicleta, e no outro dia metemo-nos à picada.
Na caixa da carrinha viajava um negro grandalhão que o meu pai se encarregara de subtrair às obras. Não via grande utilidade nisso,tão-pouco inconveniente até a precaução paterna me mostrar porquê.
Perto do meio dia parámos para fazer a refeição que a minha mãe preparara para nós: sandes de presunto, outras de queijo, e ainda outras de ovos estrelados. Uma garrafa de laranjada para mim e outra de vinho para ele.
O grandalhão saltou da carrinha, num ápice fez uma fogueira e deu em assar uma raiz de mandioca. Desliguei da refeição materna e da companhia paterna e fui ter com ele aperfeiçoar a sublime arte de assar mandioca. Negociei com ele a minha refeição pela raiz de mandioca, mas ele para manter incólume a honra africana, regateou a preceito. As minhas sandes e a garrafa de vinho do patrão e o negócio tinha pernas para andar.
Fiquei contentíssimo, fui ter com o meu pai e pedi-lhe a garrafa de vinho. Olhou para mim com um ar muito estranho mas eu dei-lhe as justificações para os fins a que se destinava, reforçou o olhar para mim ainda mais espantado como se visse um jacaré em cima das nossas mangueiras a comer-nos as mangas, não disse nada, vazou uma boa porção de vinho pela goela abaixo e deu-me a garrafa por mais da metade, que mais contente do que um pássaro após ter cativado a passarinha para o ninho, a correr fui entregá-la ao seu novo proprietário.
Mirou-a deveras comovido, meteu-a à boca e divorciou-se dela depois de bem vazia e escorrida.Voltou a olhar para mim emocionado e decretou que eu era o mono-chindele (filho do branco) mais porreiro deste mundo, e que o patrão também era bom branco mesmo.
Reencetámos a viagem com o meu pai conduzindo e eu e o grandalhão viajando na caixa da carrinha, com um comendo sandes de presunto, de ovos e queijo, e outro mandioca assada, com ambos notoriamente mais felizes e de bem com o mundo do que quando a viagem se iniciara.
E travando elevados diálogos em perfeito quimbundo sobremaneira esclarecedores sobre as vicissitudes da existência. Ele falando das mulheres dele, duas, umas inúteis que nem davam conta das lavras, e eu da minha mãe que já não sabia mais o que fazer com ela, Deus me desse paciência para a aturar.
O que o levou a concluir, olhando-me deveras pesaroso, que mulher, branca ou preta era toda igual.
 
Texto da autoria de: o cunhado
 

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