Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

07
Ago20

A Liberdade de... Dr. Doutor


ship-bottle_1204-315.jpg

 

Quero a paz dessa fotografia:

Um sol a deitar-se cansado

Sob um céu rendido, dourado,

Ao fim de um dia

Na praia…

Quero a paz dessa fotografia:

O mar e uma garrafa de vidro,

Um barco preso, perdido,

Sem nada já que o atraia,

Sem mais que navegar…

Quero a paz dessa fotografia:

Mas quero a garrafa quebrada

A metade, virada para o mar…

A areia e o anúncio do fim,

Nada me tire a vontade

de auscultar a verdade e enfim…

me encontrar…

Ah!... Quero a paz dessa fotografia…

E porque amanhã nasce outro dia,

Também quero

A liberdade.

 

Quando a MJP me propôs para escrever sobre “liberdade”… Eu acho que nunca pensamos bem sobre este tema. Não é uma coisa que ande na nossa cabeça o dia inteiro. Nunca nenhum de nós sabe bem dizer o que é ser livre. Realmente livre. “Sentir-se livre”. É tudo muito relativo.

Então quando finalmente paramos para pensar, talvez nos sintamos como um barco numa garrafa. Que podia ser diferente. Mas não! A sensação de "falta de liberdade" não depende da areia, nem do fim do dia, nem da praia, nem do mar que é bravo, nem do vidro da garrafa… Vejam, a garrafa é transparente!

A liberdade é um barco que nós capitaneamos.

 

Texto da autoria de: Dr. Doutor

 

31
Jul20

A Liberdade de... Catarina Reis


Quando a MJP me convidou para escrever um post sobre liberdade aceitei sem pensar duas vezes. Cresceu em mim a vontade de escrever um texto maravilhoso sobre o tema, mas quanto mais pensava no assunto menos me ocorria o que escrever. Acontece que a minha noção de liberdade sofreu uma drástica mudança nos últimos tempos.
 
Se fosse a Catarina do início do ano a escrever diria que a liberdade é uma espécie de autonomia. Liberdade significa sermos donos de nós próprios. Podermos escolher o que vestir, o que comer, o que dizer, onde trabalhar...
 
Acontece que a Catarina atual é muito diferente da do início do ano, e que ano este! Os últimos meses transformaram o mundo em que vivemos e como tal, ficamos pessoas diferentes. 
 
Hoje em dia quando penso em liberdade vejo uma noção muito mais ampla do que antes. Liberdade é poder sair à rua sem preocupações. É poder levar os meus filhos a um parque infantil ou à praia sem receio de uma doença. Liberdade é sair para as compras sem que meio mundo lance olhares suspeitos a outro meio mundo. Poder sentar num banco do jardim. Abraçar e beijar algum amigo ou familiar. Poder ver os meus filhos a serem crianças. Brincarem no recreio da escola. Jogar à bola com os colegas, partilhar lanches.
 
Liberdade é não ter que colocar uma máscara na cara a toda a hora. Inspirar profundamente sem medo.
No fim a liberdade é muito mais do que imaginávamos.
 
 
Texto da autoria de: Catarina Reis

 

24
Jul20

A Liberdade de... JL


Liberdade

 
Não é fácil escrever sobre Liberdade, quando já tantas amigas da MJP o fizeram de forma magistral… Desde que fui desafiada que tenho pensado numa maneira de ser original e não repetitiva. Depois de muito pensar, lembrei-me de uma das minhas fotografias preferidas, que se encontra no meu blogue, sobre Fontes. A fotografia retrata não só um local onde, provavelmente, todas as crianças, nascidas na cidade de Bragança, como eu, têm uma fotografia mas também um ritual tradicional da região. Atualmente, os caretos são sobejamente conhecidos, em todo o país. Noutros tempos, não era assim. Perdem-se, no tempo, as origens destas festividades pagãs, provavelmente de raiz celta. Os antropólogos associam-nas a um rito de iniciação dos jovens. Há também um lado simbólico onde vemos o ser humano libertar a parte diabólica que há em si. Através dos caretos vemos como estes ritos estavam associadas à liberdade, principalmente à ausência desta. 
 
Num meio tão rural (e machista) como era o interior de Portugal, até há bem pouco tempo, onde as rebeldias eram punidas e, por isso, recalcadas ao longo do ano, só nos dias determinados (neste caso, durante as chamadas festas de inverno) é que os homens podiam gozar de uma liberdade sem paralelo. Sob o anonimato conferido por uma máscara e um fato, corriam por todo o lado, gritando, castigando e acariciando as moças, a maior parte das vezes de forma selvagem. Era um tempo de exceção, onde o contacto entre os sexos era “autorizado”. Quer dizer, era autorizado pelos adultos pois as moças pouco ou nadam podiam fazer, a não ser esconderem-se, quando o conseguiam… Estas liberdades pessoais só eram permitidas aos rapazes. Daí a Festa se chamar também de “Festa dos Rapazes”. À luz dos nossos dias, estas práticas eram um atentado às liberdades pessoais e à igualdade de género. Felizmente, a “tradição já não é o que era”: muitos “caretos" são, agora, raparigas, crianças e homens casados, numa tentativa de compensar a desertificação que se vem verificando nas aldeias, pois, o mais importante é manter certas tradições, adaptando-as aos nossos conhecimentos científicos e ao modo como vivermos. 
 
Não temos de apagar da nossa cultura ritos que, outrora, foram símbolo da supremacia de um grupo sobre outro… As lições do passado devem servir-nos como guias e aprendizagens para o futuro.
 
 

Ju.jpg

 

Texto e imagem da autoria de: JL
 
03
Jul20

A Liberdade de... Marta - O meu canto


Liberdade

Algo pelo qual o ser humano tem vindo a lutar ao longo dos séculos e que, ainda hoje, ambicionamos.

Mas a liberdade é muito relativa.

Somos mais livres hoje, que as gerações anteriores?

Acho que nos libertámos de várias correntes mas, por cada uma que quebrámos, logo outra, diferente, nos aprisionou.

De uma forma geral, somos livres.

Mas, ainda assim, são várias as correntes que nos aprisionam, e nos limitam essa liberdade.

Somos, constantemente, aprisionados por estereótipos, que nos dizem aquilo que devemos ser, que devemos seguir, aquilo que é aceite ou recomendável.

Somos aprisionados pelas opiniões dos outros sobre nós, e sobre aquilo que somos e fazemos.

Somos aprisionados por doenças que nos afectam, e nos limitam, psicológica e fisicamente.

Somos aprisionados por pensamentos que não queremos ter, sentimentos que não queremos sentir.

Somos aprisionados por governos que nos iludem com a ideia de que somos nós que decidimos o nosso futuro mas, no fundo, são eles que nos estão a comandar e manipular.

Somos prisioneiros do trabalho. Do dinheiro que nos sustenta.

Somos aprisionados pelo preconceito, pela cor da pele, pela condição social, pela religião, pela nossa cultura e tantas outras coisas.

Hoje em dia, somos livres para manifestar os nossos ideais, para nos exprimirmos.

Somos livres de traçar o nosso destino, de seguir os nossos sonhos,

Somos livres de tomar as nossas decisões, de escolher o nosso caminho, de comandar a nossa vida.

Mas nem por isso, totalmente, livres. Porque ainda há tanto que nos impede de ter liberdade.

 

Texto da autoria de: Marta Segão

 

26
Jun20

A Liberdade de... Ó Menina


Liberdade

 

Desafiaram-me a escrever acerca da liberdade. Aceitei, sem imaginar o quão difícil poderia ser discorrer, por estes dias, acerca de algo que julgávamos tão simples e adquirido.
Os dias foram correndo sem conseguir encontrar o caminho certo a percorrer com este mote.
Podia escrever sobre os pássaros que preenchem o silêncio da rua sem que lhes limitemos tanto as asas como noutras Primaveras, mas não me apetece, deixo para os poetas.
Podia escrever acerca do teletrabalho e do quanto estávamos enganados acerca da liberdade que lhe supúnhamos, antes do escritório ter ocupado a nossa casa sem pedir licença, mas também não me apetece, deixo para os sociólogos.
Lembrei-me das crianças que podem andar para trás na box e escolher a que horas assistem à aula de estudo do meio que pode muito bem ser a hora a que o colega de carteira está a treinar a leitura, a fazer ginástica ou no mais profundo silêncio, sem se mexer, à espera que o pai acabe o trabalho para o ajudar com os deveres ou o jantar porque o mundo é das crianças mas as facturas para pagar são dos pais e um pai em teletrabalho não é considerado cuidador ou trabalhador por inteiro... Passo! Vou deixar para os psicólogos.
Olhei em volta e as opções já eram poucas.
Pensei na liberdade que sinto ao trabalhar, resguardada na intimidade, sem soutien mas isso diz mais da falta de liberdade que temos em sociedade do que dela propriamente dita.
Demorei-me mais um pouco e quando reparei já estava no fim do prazo e a falta de tempo tolhe-me a liberdade de reflectir e criar um texto que correspondesse às expectativas que a autora do desafio em mim depositara, o que me faz pensar no quanto limitamos a nossa liberdade por aquilo que achamos que esperam de nós mas já não tenho tempo.
Agradeço o desafio que me permitiu reflectir acerca da liberdade mesmo que não tenha terminado sem a certeza de que escrevi acerca dela.
 
Texto da autoria de: Ó Menina
 
 
19
Jun20

A Liberdade de... Bicho do mato


“Não creio, no sentido filosófico do termo, na liberdade do homem. Todos agem não apenas sob um constrangimento exterior mas também de acordo com uma necessidade interior.”

A. Einstein

 

A expressão popular “livre como um pássaro” dá a entender que as aves são animais verdadeiramente livres, pois podem voar e estão libertas de convenções sociais limitadoras, como limites administrativos ou políticos. No entanto a sua liberdade não é absoluta… tal como quaisquer outros seres vivos, as aves estão sujeitas a imperativos biológicos e evolutivos. As suas vidas decorrem guiadas por condicionalismos como a necessidade de procriar, de migrar ou de proteger um território.

 

Já a humanidade tem tentado “evoluir” de forma a superar as suas necessidades primárias enquanto seres biológicos. Conseguimo-lo parcialmente, abandonando os nossos instintos, substituindo-os por preceitos sociais e morais, criando leis, regras e tabus. Libertámo-nos da nossa necessidade de migrar, aprendendo a moldar o ambiente aos nossos desígnios e criámos figuras de “autoridade”, como a polícia e os tribunais, para que cada um de nós não sinta a necessidade de defender o seu próprio território. A tudo isto ainda somámos uma nova dimensão: os anseios da “alma”… uma amarra muito pessoal, que condiciona de forma dramática o sentido de felicidade de cada um de nós.

 

A nossa evolução enquanto espécie pode ter-nos granjeado um lugar semi-divino na ordem das coisas, mas levou-nos a trocar uns poucos grilhões biológicos por uma imensidão de prisões morais, legais, emocionais e filosóficas. Teremos realmente ganho algo com isso? 

 

Liberdade? Não… tal como o Albert, não acredito na liberdade do homem.

 

Águia-cobreira.jpg

Águia-cobreira (Circaetus gallicus)

 

Texto e foto da autoria de: Bicho do mato

 

12
Jun20

A Liberdade de... (d)Eficiente Dona de Casa


processed.jpeg

 

Desde já um agradecimento especial por este convite, há pessoas que nos enchem o coração, muito obrigada por partilhar um bocadinho desde seu espaço comigo. Vamos então falar de liberdade.

 
 
Segundo o dicionário liberdade é "condição do ser que pode agir consoante as leis da sua natureza; direito que qualquer cidadão tem de agir sem coerção ou impedimento, segundo a sua vontade, desde que dentro dos limites da lei; FILOSOFIA capacidade própria do ser humano de escolher de forma autónoma, segundo motivos definidos pela sua consciência; livre arbítrio; estado de quem não está preso, detido ou em cativeiro; ausência de restrições ou constrangimentos (...)"
 
Sendo uma pessoa que está numa cadeira de rodas muitas vezes é vista como não sendo livre, não tendo liberdade para fazer o que quer, é vista como tendo muitas limitações, não só físicas. Sim uma pessoa portadora de deficiência tem as suas limitações, mas tem a também o direito de exercer a sua liberdade, tem o direito de ter os mesmos acessos de qualquer cidadão, tem o direito de agir conforme a sua vontade, tem o direito ao livre arbítrio, tem direito a liberdade como qualquer cidadão.
 
Por incrível que pareça, tem direito a escolher uma refeição num restaurante, tem direito a ter parceiro e a casar, tem direito a engravidar, tem direito a optar, ter opiniões e fazer o mesmo que qualquer outra pessoa. O que o impede às vezes de exercer essa liberdade de forma plena são algumas ideias preconceituosas e atitudes discriminatórias de alguns cidadãos.
 

Mas eu sou livre, sou livre de optar por aquilo que quero para mim e de lutar por aquilo que acredito, sou livre apesar das minhas limitações, porque muitas das vezes pior do que as limitações físicas são as limitações psicológicas que cada um coloca sobre si. Viver em liberdade é um luxo que muita gente acha que não o tem, que acha que tem obrigações, que acha que a liberdade de outros é mais importante que a sua. Toda a gente tem o poder e o dever de fazer exercer a sua liberdade, nunca se esqueçam.

 

Texto da autoria de: (d)Eficiente Dona de Casa

 

05
Jun20

A Liberdade de... Charneca em flor


Quem, como eu, nasceu num país democrático e livre corre o risco de considerar o valor da liberdade como um dado adquirido. Só que continua a ser importante e necessário lutar por ela todos os dias. A liberdade de que usufruímos é muito mais frágil do que aquilo que se pode imaginar. Aliás, tivemos um vislumbre disso mesmo com a recente imposição do estado de emergência por razões sanitárias. Não ponho em questão que aquela medida era necessária mas não deixou de ser uma forma de limitação dos nossos actos.

Agora estamos a reconquistar a nossa liberdade a pouco e pouco só que isso implica igual responsabilidade. Um pouco como faziam os nossos pais quando éramos adolescentes e queríamos começar a sair. Ao nos darem esse privilégio, os pais exigiam, e muito bem, que fossemos responsáveis nos nossos consumos e nas nossas atitudes. Quando olho à minha volta, vejo duas formas de actuação por parte das pessoas no que diz respeito ao desconfinamento. Há quem se comporte como adulto responsável continuando a seguir as recomendações das autoridades de saúde e há quem seja adolescente rebelde, independentemente da idade, que vai tentando esticar a corda para ver até onde pode ir.

Seja em que aspecto fôr, eu tento viver a minha vida de acordo com a célebre máxima, “A minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro”. O meu direito de ser livre não pode perturbar o mesmo direito do meu semelhante. Os direitos implicam sempre deveres. No meu entender, para se ser livre com plenos direitos também temos que saber respeitar os outros bem como o seu espaço e o seu direito de viverem a sua própria liberdade. Se todos os seres humanos olhassem para a vida com esta mesma atitude, haveria muito menos problemas sociais e viveríamos todos num mundo melhor. Um mundo verdadeiramente livre. Como diz a canção do Sérgio Godinho, Só há liberdade a sério/Quando houver/A paz, o pão/Habitação/Saúde, educação”.

 

Texto da autoria de: Charneca em flor

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D