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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

15
Jan21

A Liberdade de... Daniela Barreira


Amor... Liberdade.

 

Que seja abraço onde podes sempre morar. Que seja abraço para onde podes sempre correr. E que te faça querer sempre esse lugar. Mas que não seja sufoco. Que te deixe sempre respirar. Que não seja posse, fazendo-te só sua. Mas que seja entrega, fazendo-te escolher seres para si. Que seja para ti também. E que saiba acolher e deixar existir as tuas pessoas. Que saiba que, sem elas, não és tu. E que, só por isso, já lhes sinta o valor.

Que seja mão que te agarra como quem não te larga mais. Que seja mão que te segura para sempre. Mas que não seja prisão. Que te liberte e que te deixe sempre voar. Que seja confiar. Confiar que, no fim, o caminho é sempre voltar. Que não seja pressão. Que seja respeitar e aceitar: escolhas, decisões, caminhos, vida. Mesmo quando não se concorda, mesmo quando custa, mesmo quando dói.

Que seja sorriso a resgatar-te sempre mais um sorriso. Que seja sorriso que te sossega o coração. Que não seja pressa. Que não queira tudo para já. Que seja calma, quando o coração pede calma. Mesmo que tenha urgência de sentir. Que saiba que tudo tem o seu tempo. Que seja lugar de paz. Mesmo quando o mundo estremece, mesmo quando a vida troca os planos, mesmo na tempestade. Que não seja dureza. Que seja sempre doçura.

Que seja olhar que te vê de verdade. Que seja olhar mais longe. E que faça com te deixes descobrir, devagarinho, por detrás das barreiras que construíste. Que saiba sentir o que sentes. E o que te faz sentir. Bom ou menos bom. Mesmo no silêncio. Que não seja só orgulho. Que seja humildade. Que saiba reconhecer erros. Pedir desculpa. E agradecer também. Que seja sempre razão para agradeceres.

Que seja beijo que te tira os pés do chão. Que seja beijo que te cura. Mas que não queira mudar o que és. E o que tens. Só melhorar-te. Que seja abrigo para tudo o que és. E que seja abrigo para os teus medos, para os teus fantasmas, para as tuas dores e as tuas cicatrizes. Que te acrescente. E que não te tire mais pedaços. Que seja cuidar sempre. Repito: sempre. Todos os dias. Mesmo nos dias maus. Que seja cura.

Que seja amor. Se é para ser, que seja amor. Nunca menos que amor. Que é também liberdade. Porque só o amor te liberta. Porque te salva. Sabes?

 

Texto da autoria de: Daniela Barreira

 

08
Jan21

A Liberdade de... Amor líquido


À hora de sempre, o pedido do costume. Na mesa mais à esquerda de Saoirse, o café da esquina, sob o padrão axadrezado de um soalho protagonista das viagens de cada um, ali estava ela. As mãos envoltas no calor do chá de hibisco, hoje, de tom tão intenso quanto a sua écharpe rosa cetim. Ao lado, as torradas a arrefecer num olhar que se mantinha perdido, imerso nos segredos ambulantes que a atenção prendiam, e no instante seguinte haveriam de desaparecer.

Sobre a madeira envernizada, uma folha em branco junto das palavras cruzadas ainda por rabiscar. A mesma rotina todas as manhãs. Há quarenta e quatro anos que era assim. O bom dia em silêncio num sorriso suficiente para a cortesia e, durante horas, aquele canto era apenas seu. Voltada para a janela, alheia às conversas paralelas, aos aromas esbatidos entre a fruta fresca e os grãos de café. 

Desde os seus vinte e poucos que Saoirse era paragem obrigatória. No início, a pujança pelo descobrir todos os sabores tornava cada dia um dia diferente. O medo do desgosto nunca a impedira de provar o desconhecido. Fazia parte do caminho, dos beijos envergonhados e das mãos que se abraçaram pela primeira vez. Tudo à volta era importante. Demasiado. Pelo vazio que sentia, pela insegurança de, sozinha, ser imperativa à sua felicidade. 

O amanhã não fazia parte da equação. Não havia espaço para a tristeza chorar. Os desamores trocavam-se, reencontravam-se e, algures pelo meio, a verdade haveria de surgir. A sua, do que era, do que não queria. Do que podia e do que jamais seria seu. Naquelas duas décadas, ela foi de tudo. A impulsividade inimiga da espera que não pensa nem reflete. Somente vive o desejo da procura sem habitarem sinónimos de desilusão. Respirava-se e dava-se a beber sem cautela, inconsciente do mundo e dos seus avessos. Das linhas tortas que parecem retas a quem nunca conheceu vidas angulares, ela foi de tudo. Desde o amar sem arrependimento ao ir sem qualquer receio. Do querer sem medo ao iludir o mundo inteiro. Pela instabilidade que a caraterizava, pelo vai e vem de quem não se permite possuir. 

Quarenta anos depois a lucidez era outra. As pálpebras já caídas num rosto com formas de desencanto, desvendavam o tudo que era agora recordação. O fim de outrora tornou-se percurso e pertencia-lhe a cada passo. Nas interrogações, nos poemas e nos atos. Antes, a hipocrisia do dizer-se livre e viver-se com amarras aos que outros impõem, hoje ela desfizera os laços do assim-assim, da aparente aceitabilidade. Trocou as vontades submissas por “o que é de mim só a mim pertence”. 

A rapidez, a urgência, a ausência de pausas porque abrandar traria a morte, deu lugar à calmaria de uma revolução. Um paradoxo útil para os que chegaram a terra encharcados e hoje se sentam a ver os tantos que se afogam pela aversão à indiferença, à transparência, ao perigo do tanto-faz. De frente para o que se renova, vez após vez, ela sabe que não há vidro que a separe de nenhum verbo. Em qualquer lugar do mundo, sabe que é sorte. Tudo o que disse, o que pôde fazer. O que andou, palmilhou, o que o amor a fez ver nascer. 

Mas então, a única questão surgiu naquele raro momento de sossego quando a porta principal chiou ao abrir e, um velho, magro, encolhido, porém charmoso, entrou de mansinho. Dirigia-se para o fundo do corredor quando o seu olhar, vagueando rapidamente pela sala, se cruzou com o dela. Olhos arregalados, os de ambos, fizeram-na pensar na familiaridade daquele semblante: - Serei unicamente a distância entre o primeiro choro e o último suspiro?

Os passos aproximavam-no da última mesa à direita sem divergir a perplexidade daquele cantinho habitual. 

- E neste passeio, serei passagem ou serei desígnio? – insistia ela. Fechou os olhos, voltou o pescoço ligeiramente para trás e no seu usual aceno delicado e subtil, o velho devolveu-lhe com um sorriso engelhado: - Que bom rever-te, Liberdade.

(18 de Dezembro de 2020)

Texto da autoria de: Amor Líquido

 

11
Dez20

A Verdadeira Liberdade...


A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!

Passos todos passinhos de criança...
Sorriso da velha bondosa...
Apertar da mão do amigo [sério?]...
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!

Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,
Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote
Da casa do campo da minha velha infância...
Eu bebia e ele chiava,
Eu era fresco e ele era fresco,
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.
Que é do púcaro e da inocência?
Que é de quem eu deveria ter sido?
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?

Álvaro de Campos, in "Poemas (Inéditos)"

 

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04
Dez20

A Liberdade de... Cidália Ferreira


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“ Liberdade hipócrita”

 

A liberdade parece uma palavra histórica

Se, todos pudéssemos ser felizes, e iguais

Mas todos vivemos de uma forma irónica

Numa liberdade, de falsos valores morais

*

Se, pudesse mudar o mundo, eu mudaria

Espalharia a honestidade enfeitada de cor

Pétalas de esperança, que o caminho seria

O jardim da bondade onde existisse amor

*

Nesta liberdade, onde nem todos comem 

Os ricos sorriem, sarcásticos, sem noção

Existe tanta pobreza oculta, mas somem

Enquanto outros gozam. Triste satisfação

*

Liberdade que todos tentamos por direito

Existem diferenças, entre a noite, e o dia 

Existe quem por tudo se sinta insatisfeito 

Deixando que se percam laços de magia

*

Não se olha, para o lado cruel da pobreza

Atravessam-se momentos por dificuldade

Quantos corações desfeitos geram tristeza 

Pelo renegado que nos roubou a liberdade.

***

Cidália Ferreira.

 

Texto da autoria de: Cidália Ferreira

 

27
Nov20

A Liberdade de... Francisco Carita Mata


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Liberdade da opressão do Corona!

Naquela tarde, a do convite de MJP, dezassete de Novembro, o dia fizera-se bonito! (Naquela Margem Sul do Rio.) O sol, toda a manhã tapado pelo capacete de nevoeiro alto, alegrou-nos a tarde. Riu-se para nós, na sua imensa benevolência, perante pacatos cidadãos de um País tão dado a fadistagens lúgubres. Que nunca é demais agradecermos por viver em clima de Invernos tão amenos! (Talvez por isso os Verões se venham tornando tão quentes! “Não há bela sem senão”, diz a minha Mãe.)

Apesar dos condicionamentos impostos às nossas liberdades individuais (por vezes pequenos egoísmos, egocentrismos) resultantes da situação complexa em que vivemos, desta pandemia que nos tolhe, do medo que, disfarçado e inconscientemente nos perturba, vivenciamos com Alegria e Esperança estes nossos dias de tempestade

Agradecemos a Deus, à Divina Providência, a suposta Entidade, que certamente se encarrega de colocar alguma organização neste Universo. 

Cosmos, num aparente caos, mas em que, apesar dessa aparência desordenada, numa projeção para infinitos, tanto no tempo como no espaço, ressalta a existência de uma Harmonia, mesmo que superficialmente se apresente desarmónica.

É o que julgo estarmos vivenciando nestes meses de convulsão pandémica. 

A Humanidade, o Ser Humano, um mero elemento particular do complexo universal em que se integra, apesar de estar vivendo esta situação algo distópica, encontrará um caminho de libertação deste pesadelo. Libertar-se-á desta opressão que nos condiciona no nosso ser, no nosso viver. E voltará a sentir-se livre e a ser, de facto, mais livre, porque liberta deste temor condicionante do Corona!

E para findar estes pensamentos, utópicos (?), explicar que esta narrativa me surgiu na sequência de convite de MJP: blogs.sapo.pt / liberdadeaos42.

Para escrever algo sobre Liberdade. Projetei conteúdos, idealizando pensamentos consentâneos ao conceito; considerei a forma: prosa ou poesia ou ambas; situei-me no tempo presente; fui-me sempre projetando no meu espaço mais natural que é o da minha Aldeia, a que andava há meses para dedicar um postal específico. Saíram estas palavras, este vocabulário estruturando estes pensamentos.

(Ilustro com uma rosa. Dos meus campos. Uma metáfora da Liberdade, sempre condicionada pelos vários contextos em que se insere.)

Francisco Carita Mata - Nov. 2020

 

Texto e foto da autoria de: Francisco Carita Mata

 

20
Nov20

A Liberdade de... Rik@rdo


FALAR DE LIBERDADE

Gosto de escrever. Regra geral escrevo poesia e não prosa. Mas ao receber o simpático convite da MJP a fim de falar um pouco de LIBERDADE não resisti, e aqui estou eu a aventurar-me pelos caminhos da dita liberdade.

Essa, a liberdade, tem muitos caminhos, estando eu, neste momento, numa encruzilhada, olhando em várias direcções, tentando escolher o caminho certo, numa questão de opinião.

A liberdade define-se como sendo uma condição em que a pessoa tem o direito de escolher livremente o seu caminho, dentro dos vários que existem. Pode ser bom para a pessoa, como pode, aos olhos de outrem, ser mau.

No entanto, essa liberdade tem de ser sempre baseada e orientada, no mais nobre mandamento, quiçá sentimento, que existe: O RESPEITO, pela liberdade dos outros.

A condição de ser livre, insere a capacidade de escolha, autodeterminação, independência de pensamento e forma de agir, dentro de uma perspectiva da não submissão, e/ou de uma servidão imposta, como acontecia antigamente, o grave e inaceitável “ encarceramento humano” de pessoas feitas escravas.

Existe quem considere a liberdade uma utopia. Não a considero assim, embora reconheça que, muitas pessoas, vivam uma liberdade muito própria, esquecendo-se que a sua liberdade deve terminar onde começa a liberdade dos outros.

Não é por acaso que na justiça existem a liberdade condicional e a liberdade provisória. Essas, indicam que, o individuo, masculino ou feminino, não cumpriu com o direito que a sua liberdade lhe exigia. O RESPEITO, por outra liberdade, que não a sua.

Tal significa que a liberdade de acção deve ser sempre orientada num espírito correcto.

Gozando a pessoa da sua condição de ser livre, usufruindo dos direitos e garantias, e de uma independência de autonomia e escolha, nunca se deve esquecer que, o deve fazer dentro de uma concepção de justiça geral, que por LEI, é “obrigado” a gerir, o seu conceito de liberdade.

Dentro dos direitos e garantias, existe – como acima refiro - a Liberdade provisória, que é um pouco diferente, na sua génese, da liberdade condicional.

Na liberdade condicional, o individuo, cumpre uma pena a que já foi condenado – ou seja: já houve julgamento final, definitivo, em tribunal, podendo fazer a sua vida normal.

A liberdade provisória, indicia que já houve presença em Tribunal, mas o julgamento ainda não é definitivo, podendo após esse, ser privado dessa liberdade, que pode passar a ser liberdade condicional, ou a prisão efectiva, perdendo assim, (na prisão efectiva) a liberdade de viver e caminhar, através de um caminho à sua escolha.

Nestes desígnios, encontra-se uma escolha, pela pessoa, de uma liberdade má, que não se coaduna, com os mais belos desígnios dos direitos, liberdades e garantias.

Acontece ainda que, dentro do conceito de liberdade, confere à pessoa, o direito de opinião, chamada a liberdade de expressão.

Essa, confere-lhe o direito de expressar a sua opinião sobre qualquer facto, seguir as suas crenças, sejam religiosas ou não, sem que a chamada censura, o proíba ou condene.

No entanto, esse direito de exprimir as suas ideias, pensamentos, ideais, quiçá religiosos, nunca pode sair de dentro da capacidade de respeitar a opinião de outra pessoa - seja individual ou colectiva, que pode ser diferente -, tendo como objecto, a injúria e/ou difamação, numa forma discriminatória, só porque, a sua opinião não se coaduna, com a de outrem.

É evidente que falar de LIBERDADE não é fácil. Muitos filósofos – não vou mencionar os seus nomes – que falaram (ou falam) sobre a liberdade, se gerem por opinião diferente, ainda que, mais ou menos comparáveis, mas todos dissertam sobre o mesmo diapasão: RESPEITO.

Por isso, eu, que sou um simples escriba, deixo a minha opinião, tendo a consciência de estar muito longe de ser completa, visto o conceito de LIBERDADE, ter o tamanho do Universo, mas está muito perto, senão junto, da palavra e conceito que defendo e sempre defenderei: O RESPEITO.

 

Texto da autoria de: Rik@rdo

 

13
Nov20

A Liberdade de... Loulou


Quando a MJP me desafiou para escrever sobre liberdade… esquece.

É tão cliché começar assim por lhe escrever. Vá lá… já que te sentes tão honrada com o convite, pensa em qualquer coisa que faça jus e escreve, talvez…

Ai… Zé, Zé!...

No que te foste meter. Então lembraste-te daqui da je para escrever sobre liberdade. Em tempos de pandemia????

Que engraçada esta moça. Tem piada ela!

Logo agora que temos a nossa Liberdade…. confinada. 

Tal como tu, nasci não conhecendo outra realidade do que a de ser livre, independente, responsável pelas minhas ações e a saber que a minha liberdade acaba quando começa a do outro. Viver numa ditadura ou em plena guerra, só as memórias vividas e partilhadas por quem por elas passou. 

Porque falo disto?

Pois… estávamos no início deste ano e todos tão esperançados e convencidos que aqui não chegava. Mas chegou, um novo ditador. Silencioso, invisível e de seu nome covid-19. Que com falinhas mansas nos vende uma falsa fé. Uma falsa ideia de liberdade que nos pode levar, em última instância… à morte ou a privar-nos de um último adeus de quem mais estimamos. 

Até há cerca de oito meses atrás, desconhecíamos o que era viver, ver e ter a nossa liberdade restringida. A ter de mandar às urtigas velhos hábitos e criar novas rotinas. 

A ter de cada vez que saio à rua colocar uma máscara e andar com gel desinfetante atrás e a de olhar para o outro e vê-lo como… um inimigo?

Logo agora que o que mais me apetece é sair porta fora e pôr-me a abraçar todos os que me aparecem à frente. Se antes não o fazia, agora minha querida, até se me dão ganas para o fazer.

Mas se quiseres um abracinho, mando-te um virtual e não digas que não vais daqui! 

A enfrentar um confinamento resultado do Estado de Emergência…. ao qual voltámos...  e do qual não sabemos quando iremos sair.

Ai que saudades de levar, ou até de dar, um valente encontrão num desconhecido nas ruas mais movimentadas e em hora de ponta. E de entrar num transporte público apinhadinho de gente sem… lá está… ficar cheia de macaquinhos na cabeça? E tantos outros exemplos.

Almocinhos, jantaradas com os amigos ou a família, bailaricos, concertos, festas de casamento, batizados… quem não tem vontade e saudades dum bom convívio partilhado entre 4 paredes? 

Não…. Não Zé.

Queres dançar? Ouve Jerusalema e é cada um no seu quadrado. Ups… nunca a canção do Iran Costa fez tanto sentido. 

Custa-me ver heroicos médicos, enfermeiros e auxiliares a se entregarem de corpo e alma, a tudo fazerem para evitar o aumento do número de vítimas mortais, enquanto, uma franja da nossa sociedade, gritantemente se ausência de uma cidadania responsável e a cederem à “tentação…” e assim me privarem, em certa parte, de ter de volta a minha liberdade. Pois pelos erros, vá lá, descuido de uns pagam os outros. Oooooh se a fatura pode ser elevada.

Serei egoísta por querer a minha liberdade de volta?

Ai… se nada volta a ser como antes e a ideia que tenho de liberdade for afinal a de um vício. Sinto-me como se estivesse num processo de desintoxicação, do qual não sei se sairei melhor, renovada e pronta para um novo recomeço. 

Não quero viver de recordações. 

Raios pá…

Covid-19 bem me tenta Zé, mas não posso.

Senão já sabemos o preço a pagar…

Contudo, tenho esperança e em breve isto não passará de um pesadelo.

Viva a LIBERDADE!

 

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Texto da autoria de: Loulou

 

06
Nov20

A Liberdade de... Ana D.


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LIBERDADE DE MULHER
 
 
Mulher
Tu que um novo ser podes gerar
para ao mundo o poder dar,
que és símbolo da maternidade 
e espelho da humanidade
não podes viver sem a tua LIBERDADE!
 
Não deixes que a opressão
invada teu coração!
Mostra a solidão
que entorpece teu coração!
 
Não cales teu falar!
Não seques teu chorar!
Não te inibas de ao mundo gritar
o tamanho da tua dor
e apontar teu opressor!
 
Não te deixes envergonhar
Não te deixes julgar
p'la cobardia de quem diz te amar
mas não te sabe respeitar!
 
E no teu peito tens de encontrar
a força para lutar
e a determinação para vencer
para com LIBERDADE viver!
 
Texto da autoria de: Ana D.
 
30
Out20

A Liberdade de... Cátia Adriano


Fui convidada pela MJP para escrever um texto sobre a liberdade para ser publicado no seu blog. Senti-me lisonjeada, claro, mas também com receio de não estar à altura do desafio. A ver vamos…

Quando me pus a pensar sobre o tema liberdade e o que poderia escrever sobre o mesmo, mil ideias me vieram à ideia, passo a redundância. 

A expressão que mais ocorre, a mim e a todos, será o clássico “a nossa liberdade termina quando afecta a liberdade dos outros”, é verdade, mas também uma utopia.

Fugindo um bocadinho a este clássico, ocorre-me falar exatamente do oposto da liberdade. E quando não há liberdade? E não me refiro a clausura, de todo. Abordando aqui um tema que me toca em particular, a falta de liberdade de comunicar, de acessibilidade e de integração da comunidade surda. E muito tem evoluído nos últimos tempos com as conferências de imprensa diárias da DGS, sobre o estado de evolução da pandemia, em que estão sempre presentes tradutores de Língua Gestual Portuguesa (LGP). Assim como também já é possível chamar o 112 em LGP. Agora um quadradinho num canto da televisão em alguns programas é só “gozar” com a comunidade surda. Ainda assim são pequenos passos que espero se tornem grandes.

Para que se saiba desde 1997, a Língua Gestual Portuguesa passou a ser uma das línguas oficiais de Portugal, juntamente com a Língua Portuguesa e o Mirandês. Reconhecida nos termos da alínea h) do n.º 2 do artigo 74.º da Constituição da República Portuguesa, “na realização da política de ensino incumbe ao Estado (...) proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades”. Sendo a LGP uma língua oficial está previsto que passe faseadamente a ser ensinada nas escolas, mas até à data nada acontece. 

Isto é tudo muito bonito no papel, mas a realidade está muito longe disto.

Um surdo não tem a liberdade de acesso livre a coisas tão simples como ir a um qualquer serviço público, Finanças, Segurança Social, Instituto Emprego, Centro de Saúde, etc. sem ter de levar consigo um tradutor de LGP, que tem custo, claro. Uma ida a uma urgência hospitalar é quase um drama. Estamos a falar de integração, de acessibilidades, algo de que tanto se fala nos dias de hoje. Nestas situações a liberdade não existe, existe até discriminação. Vale à maioria dos surdos a capacidade de leitura labial ou de escrever para comunicar, mas a liberdade essa não é uma realidade. Um surdo tem o direito a ter uma vida autónoma, a constituir família, e a poder sustentar a vida que escolheu. Mas e o acesso ao ensino básico, ao ensino superior e arranjar trabalho? Aqui a liberdade é também uma utopia. As vagas são limitadas em número e em opções. Embora já haja instituições que aceitam trabalhadores surdos, uma delas onde a minha filha trabalha. 

Já para não falar de uma simples ida ao supermercado ou a uma qualquer loja. Imaginem um surdo numa loja de roupa, por exemplo, a tentar saber se determinada peça existe no tamanho pretendido caso não esteja no expositor, como qualquer um de nós faz com a maior naturalidade. 

As acessibilidades não existem o que para mim corresponde a falta de liberdade. 

Quando a minha filha ficou surda, por desconhecimento de causa, por imaturidade minha e do pai, nesta altura pais de primeira viagem, a ser abalroados por um sem fim de complicações de saúde da nossa filha, entre eles a surdez, não tivemos liberdade de escolha. De imediato o caminho a seguir, por conselho médico, foi colocação de próteses auditivas e mais tarde o implante coclear. Nunca nos foi mostrado outro caminho. A surdez não é o fim do mundo, afinal tínhamos a liberdade de escolha da integração na comunidade surda, da comunicação em LGP. 

Que a liberdade seja um direito de todos e para todos é o que mais desejo.

 

Texto da autoria de: Cátia Adriano

 

23
Out20

A Liberdade de... Patrícia Costa


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A MJP desafiou-me a escrever sobre a minha liberdade…de facto nunca tinha refletido sobre o assunto…

Damos tantas coisas como garantidas que nos esquecemos da importância que elas têm nas nossas vidas!! A liberdade é uma delas!! 

Nasci em 1973…e, portanto, tive a sorte de crescer num país livre, tal como diziam os meus pais. Nunca me foi negada a hipótese de sair do meu país e viajar, sem as tão famosas autorizações prévias, de exprimir o que pensava, de ter acesso ao divórcio, à participação política, à educação, de ter frequentado o ensino superior, de ter atingido um cargo de direção e ter o reconhecimento profissional que sempre desejei, contribuindo assim para a igualdade sem nunca ter sentido qualquer discriminação por ser mulher!

A liberdade é uma coisa inerente ao Homem, porém ter liberdade não é não ter limites…somos livres nas nossas escolhas, mas responsáveis pelos atos e consequências destas, pois temos a inteligência para optar e de aceder ao que verdadeiramente nos interessa.

A minha liberdade implica sempre respeito, lucidez, dignidade, empatia e responsabilidade! 

E ela acaba quando começa a dos outros? Não! Ela respeita cada individuo independentemente dos seus ideais e orientações.

Se alguma vez falhei? Sim, talvez! Mas nunca hesitei em pedir desculpa e recomeçar! 

Para mim ser livre é isso!

 

Texto da autoria de: Patrícia Costa