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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

23
Out20

A Liberdade de... Patrícia Costa


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A MJP desafiou-me a escrever sobre a minha liberdade…de facto nunca tinha refletido sobre o assunto…

Damos tantas coisas como garantidas que nos esquecemos da importância que elas têm nas nossas vidas!! A liberdade é uma delas!! 

Nasci em 1973…e, portanto, tive a sorte de crescer num país livre, tal como diziam os meus pais. Nunca me foi negada a hipótese de sair do meu país e viajar, sem as tão famosas autorizações prévias, de exprimir o que pensava, de ter acesso ao divórcio, à participação política, à educação, de ter frequentado o ensino superior, de ter atingido um cargo de direção e ter o reconhecimento profissional que sempre desejei, contribuindo assim para a igualdade sem nunca ter sentido qualquer discriminação por ser mulher!

A liberdade é uma coisa inerente ao Homem, porém ter liberdade não é não ter limites…somos livres nas nossas escolhas, mas responsáveis pelos atos e consequências destas, pois temos a inteligência para optar e de aceder ao que verdadeiramente nos interessa.

A minha liberdade implica sempre respeito, lucidez, dignidade, empatia e responsabilidade! 

E ela acaba quando começa a dos outros? Não! Ela respeita cada individuo independentemente dos seus ideais e orientações.

Se alguma vez falhei? Sim, talvez! Mas nunca hesitei em pedir desculpa e recomeçar! 

Para mim ser livre é isso!

 

Texto da autoria de: Patrícia Costa

 

16
Out20

A Liberdade de... Bruxa Mimi


Liberdade, liberdade…

Comprometi-me a escrever sobre liberdade, e agora, pergunto-me se terei liberdade para não escrever nada, liberdade para mandar o compromisso às urtigas!

Tenho. Claro que, se estão a ler este texto, isso significa que não usei essa liberdade que tinha. Mas acredito mesmo que tinha. E se decidisse usar essa liberdade, teria usado também de uma coisa chamada educação e teria avisado a MJP, para que tivesse algum tempo, ainda que curto, para arranjar alguém para me substituir.

Começo (descontando a introdução) com três questões:

1.Como falar de liberdade sem usar chavões?

2.Como falar de liberdade sem falar de direitos e deveres?

3.Como falar de liberdade se tantas vezes não me sinto verdadeiramente livre?

1. Não sei se consigo. Vocês me dirão!

2.”A minha liberdade termina quando começa a liberdade do outro.” – Pronto, mal comecei, derrapei logo num chavão. Mas haverá frase sobre liberdade mais verdadeira do que esta? É que é isto mesmo. Devo dizer que a pandemia que vivemos me faz pensar mais vezes nesta frase, quando leio sobre pessoas que se recusam a usar máscara num estabelecimento comercial, porque não querem usar máscara e está em causa a sua liberdade individual. Não, senhores, não está em causa a vossa liberdade individual. Ninguém vos obriga a usar máscara. Basta ficarem em casa e fazerem as vossas compras online. Ou, então, não fazerem compras, simplesmente.

Eu tenho liberdade de ouvir música e de furar os meus tímpanos.” Certo. Estúpido, mas certo. O que não tens é liberdade de furar os tímpanos dos outros, ou de perturbar o seu descanso.

Eu tenho liberdade de não ter de andar até um caixote do lixo para colocar a embalagem vazia, o plástico que envolvia qualquer coisa que comprei, ou o pau do gelado que comi (apenas para dar alguns exemplos).” Certíssimo. É que tens mesmo! Só não tens liberdade de atirar o que quer que seja para o chão que é de todos. Como é que podes gerir essa liberdade, então?!? É fácil: guardas no bolso, na mala ou na mão até passares (sem teres que caminhar especificamente para lá) por um caixote. Em última análise, deves ter um caixote do lixo em casa (suponho que é demais esperar que faças separação de lixo, não é?)

Como estes, havia outros exemplos práticos de como a liberdade de cada um acaba quando começa a dos outros.

3.Quando é que eu não me sinto livre? A resposta fácil é: quando não posso fazer o que me apetece, quando me apetece. Mas há uma prisão que ocorre quando não faço o bem que acho que devo fazer, para fazer o mal que não quero fazer (e que muitas vezes é o que me apetece fazer). Confuso? Imagino que sim, exceto para quem esteja familiarizado com as cartas de S. Paulo…

Vou concretizar. Não é boa ideia comer muitos doces, sejam eles quais forem. Podemos abrir exceções em dias de festa, precisamente porque são dias de festa, mas, de uma maneira geral, devemos evitá-los, ou, pelo menos, evitar abusar deles. Eu sei disso, e quero agir em conformidade, para meu próprio bem! Mas, apesar disso, frequentemente como o que não devo, e repito uma e outra vez, e, enquanto o faço, oiço a consciência a dizer-me: “Não comas. Não precisas e não deves.” – é o bem que quero fazer. Depois, não resisto e faço o que não quero (cedendo ao apetece-me)!

O exemplo dos doces é apenas um exemplo. Outros haveria, mas isto já vai longo e não quero escrever mais… e sou livre para parar.

Obrigada pelo convite, Zé!

 

Texto da autoria de: Bruxa Mimi

 

09
Out20

A Liberdade de... V de Viver


Liberdade é chegar a casa, despir a roupa que trazemos no corpo e andar nua sem receios. É olhar o mar sozinha. É correr quilómetros atrás de quilómetros debaixo de chuva miudinha. Liberdade é confiança. Sinceridade e franqueza. É dizer aquilo que pensamos, desde que isso não interfira na liberdade do outro. Porque a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros. Liberdade é escrever o que me vai na alma. Respirar ao ar livre. Sentir o vento despentear-me os cabelos. É chorar ao ouvir a chuva. É gritar ao som das ondas. É sorrir sem medo. Liberdade é independência. É viver sozinha. É não prestar contas a mais ninguém além de nós mesmas. Liberdade é aceitarmos-nos como somos. Aceitar sem resignar, aceitar que somos quem somos e a partir daí tornarmos-nos quem desejamos. É olhar o espelho e admirar a mulher fantástica que ele reflete. Liberdade é ouvir música bem alta e cantar a plenos pulmões. Liberdade é ousadia. Atrevimento e audácia. Liberdade é um dia inteiro deitada no sofá a ler um bom livro. É chegar a casa após um dia cansativo, fazer um café e sentar na nossa poltrona favorita. É fazer uma maratona da nossa série favorita enquanto comemos uma tablete de chocolate. Porque podemos, porque somos livres e é isso a liberdade. Liberdade é paz. É amor. É gratidão. Liberdade é prazer. Deleite. Desejo e alegria. Liberdade é voar, mesmo que seja com os pés no chão. É escolhermos a roupa que queremos usar. Liberdade é ver o nascer do sol todos os dias. E o pôr do sol também. É viajarmos para onde nos apetecer. Dar a volta ao mundo sem que nada nos detenha. Liberdade é viver. Desfrutar de cada momento único que a vida nos proporciona. Liberdade é poder estar aqui, deste lado, a escrever estas palavras sem que ninguém me detenha, sem que ninguém me impeça de expressar aquilo que sinto, aquilo que me vai na alma. Liberdade é isto, viver com alma, amar com alma, e expressar com alma. Sem medo. Livre.

 

Texto da autoria de: V de Viver

 
02
Out20

A Liberdade de... outradecoisanenhuma


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Ao iniciar este texto, lembrei-me de que já tinha escrito outros textos em que falava de liberdade. Liberdade de expressão, por exemplo, que se confunde, tantas vezes, com a possibilidade de exprimir tudo e mais alguma coisa – verdade ou mentira, facto ou ficção, opinião ou crença, crítica ou insulto – pelo (não tão simples) facto de se viver num país livre. Parece a mesma coisa, mas não é bem. Digo eu, que nem sei se sei definir Liberdade. Partindo do princípio de que haja tal definição, e não apenas estados de liberdade, momentos em que podemos assegurar que, por um instante que fosse, fomos extraordinariamente livres. Vi gente ser livre com tão pouco, e vi gente cheia de tudo e de nadas aprisionada uma vida inteira.

Já vivi num país menos livre do que Portugal. Aí, nesse outro país que ainda não deixei de amar, ser livre podia ser apenas (nunca é “apenas”) sair à rua de mini-saia, coisa que deixei cair ao segundo ou terceiro dia; ao contrário de uma grande amiga, que nunca esmoreceu na audácia de as vestir.

Não sei se por isso, o meu, e só meu, conceito de liberdade foi-se adensando com o passar dos anos, não tendo, porém, mudado dramaticamente com a pandemia e o confinamento que nos amordaçaram os últimos dias; os últimos meses. Mas, talvez me tenha dado conta de que muitos de nós não éramos tão livres quanto supúnhamos; e outros não eram tão livres quanto gostariam. Eventualmente, alguns ter-se-ão dado conta de que, afinal, não gostavam assim tanto da liberdade de que se sentiam donos. Não será sempre assim? Ser livre arrasta consigo a responsabilidade tremenda de assumir as consequências dessa liberdade que se quer agarrar com teimosia e zelo. Nesse sentido, ser livre pode ser também – e é! – um acto de provocação. Como a mini-saia da minha amiga, mas não só.

Há liberdades fáceis de definir nos pergaminhos da Lei. Umas mais fáceis de definir que outras, é certo, mas a Liberdade? Talvez só a de Cícero, a do pensamento. Ou a de Aristóteles, um homem livre é senhor da sua vontade e somente escravo da sua própria consciência, e naquele somente, talvez, caiba tudo o que é preciso para sermos verdadeiramente livres.

E há os que julgam ser livres, e nunca alguém será livre enquanto existirem os flagelos, como sentenciou Camus, na sua peste de 1947, um esquisso dos dias de hoje, medonhos, um acto de adivinhação de que só os mais livres são capazes. Acho que a Liberdade é sobretudo isso. Não nos trairmos, não abdicarmos de nós. Não abdicar de mim. Desses instantes que me mantêm inteira. Não adulterar nenhuma parte importante de nós; eleger armas e batalhas sem desobedecer a quem somos; escolher os silêncios ou as palavras, o sol ou a chuva, querer e não querer sem mandamentos impostos contra a nossa vontade, essa vontade de que nos fazemos, passo-a-passo, e que, por isso, não é volúvel, mesmo que possa durar um instante: um pôr-do-sol em chamas, um abismo, um engano, um pecado consentido, sem sentido, uma manhã de chuva, como esta, em que te escrevo, querida MJP, embalada pelo restolhar dos pingos, grossos, que se estilhaçam, lá fora, no asfalto enegrecido da rua. Nas cidades não cheira a terra, mas tenho a liberdade de o imaginar, e, imaginando-o, de o sentir. O cheiro a terra molhada. E agradeço-te a liberdade, e o carinho, de me teres convidado a invadir o teu espaço. Obrigada. 

Obrigada também aos que, passando por cá, tomam a liberdade de emprestarem, à minha, parte do seu precioso tempo.

 

Texto e imagem da autoria de: outradecoisanenhuma

 

25
Set20

A Liberdade de... 1 Mulher


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Liberdade de @mar

 

Estou em crer que muitas pessoas não viveram o verdadeiro @mor, porque esse é tão raro e puro, que não é fácil duas pessoas estarem na mesma sintonia, com a mesma vontade de caminhar lado a lado e ainda fazerem cedências, porque para crescerem juntos isso é uma necessidade. O @mor no verdadeiro sentido da palavra é chegar a casa e descalçar os sapatos sem cerimónias. É entender os silêncios do outro, e antecipar as suas necessidades, por querer vê-lo bem, porque se ele estiver bem nós também estamos...e também ficar em silêncio, com a cabeça no seu colo e acalmar o coração… É dizer parvoíces. É desmaterializar uma situação complicada em algo leve, e dar umas gargalhadas bem cá de dentro. @mar é calçar os sapatos do outro, ajudá-lo a fazer o caminho e entender todos os quês… É respeitar o seu espaço… É caminhar ao seu lado, de mão dada… @mar é amizade, porque não magoamos um amigo… É dizer ao outro o que queremos e sermos entendidos… É um beijo quente, um sorriso e um toque.. É deixar viver e não prender o outro…É ter as suas “coisas” e as “nossas coisas” e estar tudo bem… É brigar porque o pacote de leite está vazio no frigorifíco, e depois fazer as pazes.

Di

 

Texto e imagem da autoria de: 1 Mulher

 

18
Set20

A Liberdade de... Malik


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Liberdade


Não te iludas nunca.

A liberdade por inteiro

pertence a uns poucos

privilegiados do dinheiro

nos sistemas político e económicos.

O comum dos mortais

tem toda a liberdade para ir trabalhar

cumprir um horário

a troco de um salário

quase sempre baixo de mais.

A sociedade

condiciona a liberdade

de tal forma

que o humano aceita a norma

sem questionar a realidade.

Uma gaivota a voar

um casal jovem de mãos dadas

as liberdades do amar

tal como as do pensar

nunca nos serão tiradas.


Malik

 

Texto da autoria de: Malik

 

11
Set20

A Liberdade de... Milord


06571_0010044629.jpg/Freedom/, de Zenos Frudakis

 

Caríssimos,

Milord foi convidado pela Madame Zé a escrever um texto sobre a 
liberdade. Confesso que aqui, do meu lado direito, está uma pilha de 
papeis amachucados cheios de rabiscos que fui rejeitando, e o meu 
reservatório de tinta está quase vazio tal são as minhas ideias sobre 
um assunto que dá azo a muito debate.

Antes de mais, é importante realçar que Milord tem uma criada, a 
Maria, mas esta minha criada que tanto estimo tem toda a liberdade que 
deseja nesta minha humilde mansão. Tem toda a liberdade para passar a 
ferro, limpar o pó, encerar o chão, cozinhar, e ainda passar o 
corredor a pano quando ela quiser e lhe apetecer!

Agora que já brinquei um pouco sobre o assunto, e para fazer jus a 
esta palavra importante para todos nós (antes que a Zé me entre pelo 
computador adentro e me dê um par de bofetadas), vou deixar a 
personagem de lado e vou escrever como autor.

Todos nós, que diariamente escrevemos e partilhamos ideias nos nossos 
blogues, temos uma coisa muito importante que se chama LIBERDADE DE 
EXPRESSãO! Sem ela todos os autores e todos estes blogues não 
existiriam. Tão simples como isto.

Enquanto autor de um blogue, eu tenho a oportunidade de dar liberdade 
e voz às minhas personagens que se debatem dentro da minha cabeça para 
se fazerem ouvir. Sempre que posso, sento-me em frente ao computador, 
esqueço tudo o resto e concentro-me naquilo que eles querem que 
escreva. E é tão divertido!

Por isso mesmo quero dizer a todos vocês que não tenham medo de dar 
voz a todos esses pensamentos e ideias que povoam a vossa mente, 
porque vivemos num país livre e devemos desfrutar disso.

É a liberdade!

 

Texto da autoria de: Milord

 

04
Set20

A Liberdade de... Viajar porque sim!


Momentos de liberdade

 

Subir o Erg Chebbi à tardinha, os pés a afundarem-se na areia, a sombra das dunas a projectar-se na encosta. Sentar-me a descansar, olhar o mar de areia até onde a vista alcança, e sentir-me muito pequenina.

 

Merzouga - Erg Chebbi.jpgMerzouga - Erg Chebbi

 

Descer até à Lagoa do Congro, em São Miguel, entre árvores tão altas que não deixam o sol passar. O cheiro a terra, musgo e húmus é avassalador. Só se ouve o estalar das folhas e dos ramos, e um outro pássaro que pia de vez em quando. Até o som dos passos é abafado. E depois ver a lagoa, e perceber uma vez mais que a natureza é perfeita.

Tomar o pequeno-almoço na varanda do apartamento em Seget Donji, com o sol a transformar em espelho a água do Adriático, e em mancha negra as formas arredondadas da ilha vizinha. Lá em baixo, a praia desenha-se em curvas suaves de areia cor de pérola, e a mancha turquesa de uma piscina chama por mim. Fechar os olhos e sentir o prazer do dolce far niente dos dias de férias.

 

Seget Donji.jpgSeget Donji

 

Passear sob os chapéus coloridos que cobrem as ruas de Águeda no Verão e me fazem ter vontade de dançar, iluminada por mil cores que me pintam de felicidade.

***

Em viagem sinto-me como se não tivesse limites. Não é que não os tenha – eles estão lá, são vários e de vária ordem. Mas é o meu estado de espírito.

É quando viajo que me sinto realmente livre.

Ana CB / Agosto 2020

 

Texto e fotos da autoria de: Viajar porque sim

 

28
Ago20

A Liberdade de... bii yue


palavra liberdade tornou-se a minha esperança ao crescer, comecei a saboreá-la apesar do gosto áspero. Aproveitei o que consegui e o que me era possível. Até ao momento de ter a liberdade que sempre desejei.

Sozinha, comigo mesmalonge do que conhecia, do ninho onde fui programada, no desconhecido conhecido. Algo que sonhava em criança e caiu no esquecimento por medo. Distante de laços criados, com um pesar no coração, mas com a alma livre e feliz

Ser livre, dona de mim mesma, viver a felicidade que sonhava e ia sendo esquecida, ser a verdadeira eu. Sou capaz, a liberdade sentia-se e transformava. A liberdade desejada do exterior provocou o respirar profundo interior. Descoberta, contemplação, gratidão.

A minha interpretação levou um impacto com estas palavras de uma alma especial: "Liberdade de ser quem eu quero ser e não permitir que ninguém me tire outra vez". Mais transparente que a água ou vidro, ressoou. A liberdade começa de dentro. Com a oportunidade de descobrir, de ser, de fazer. 

Senti a liberdade exterior. Num trabalho para a liberdade interior. Trazer tudo bem junto ao coração, sentir aquele calor e sorrir porque a liberdade sempre chegou.

 

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Texto da autoria de: bii yue

 

 

21
Ago20

A Liberdade de... Sílabas à Solta


A LIBERDADE
 
Era uma manhã de estranhas nuvens. O Dente de Leão olhava pasmado aquele ponto pequenino tombado na terra, de aspeto tão frágil, mas mais brilhante que uma gota de orvalho a dormir ao sol. O ponto pequenino, sentindo-se observado, sorriu e apresentou-se. Liberdade era o seu nome. 

As estranhas nuvens soltaram a chuva que caiu noite e dia sem parar. Rios encheram-se de vida. Campos ficaram cobertos de cereais. As árvores viram os seus ramos a servirem de abrigo às aves cansadas de voar. Animais de grande porte caminharam pelo interior de densas florestas. Baleias cruzaram os oceanos.

Quando a chuva parou, o Sol foi fazer companhia ao Dente de Leão. Este, feliz, quis logo apresentar a sua nova amiga, a Liberdade. Contudo, não a encontrou mais ali a seu lado. Foi o vento, que sem pressa passeava por perto, quem esclareceu o triste Dente de Leão: a Liberdade tinha partido. Nascera o Ser Humano e a Liberdade agora já tinha onde morar: no coração de todos os homens! 

O Dente de Leão queixou-se ao vento:
- Mas a Liberdade era tão pequenina!
- O Homem tem a capacidade de fazê-la crescer para que ela possa chegar a toda a Humanidade...

Isso não convenceu o Dente de Leão:
- Tinha um ar tão frágil...
- Mas é forte. A Liberdade tem vontade própria. Quando a sua essência toca a vontade do Homem, a Liberdade consegue fazer milagres!

Indignado, o Dente de Leão bateu o pé:
- O Ser Humano não saberá o que fazer com a Liberdade!
- Mas a Liberdade saberá o que fazer com o Ser Humano! Fá-lo-á crescer!

Vendo o ar duvidoso do Dente de Leão, o vento explicou:
- Lembras-te como a Liberdade brilhava? Isso acontece porque encerra em si todo o poder: a liberdade de sonhar e criar; a liberdade de errar e crescer; a liberdade de perdoar e pedir perdão; a liberdade de ensinar e aprender; a liberdade de escolher, de decidir, de lutar e conquistar. O melhor de tudo: a liberdade de amar o próximo, a natureza, o mundo, a si mesmo! 

O Dente de Leão sorriu feliz. O vento viu que a ideia da Liberdade habitar no coração do Homem tinha sido finalmente compreendida e aceite. 

Sim, era bem capaz de resultar...
Então o vento soprou o Dente de Leão. Este, sentindo no seu coração um pouco daquela liberdade que um dia conhecera, soltou com determinação as raízes que o prendiam ao solo e voou leve para longe!
 
 
Texto da autoria de: Sílabas à Solta