Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

03
Ago20

Alimentos de A a Z... Ameixa


 

Dando sequência à rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos a ameixa.

 

Alimentos de A a Z_ameixa.gif

 

Existe um vasto número de espécies de ameixas espalhadas pelo mundo. Pensa-se que a ameixa europeia tenha sido descoberta há cerca de dois mil anos atrás, sendo originária da área próxima do Mar Cáspio.

Já na época Romana, existiam mais de 300 variedades de ameixas europeias. Estas cruzaram o Oceano Atlântico com os peregrinos, que as levaram para os Estados Unidos da América no século XVII.

As ameixas pertencem ao género Prunus e são da família do pêssego e da nectarina. São consideradas drupas, frutos carnudos de caroço duro, o qual contém as sementes. A ameixa pode ter uma cor púrpura, vermelha, azul-escura, verde, amarela ou âmbar. Além de ser consumida fresca, também se consome seca, em conserva, sendo também comum em alguns pratos de doçaria tradicional.
 
 
Informação Nutricional
 

A ameixa fresca tem quase 90% de água e um baixo valor calórico, fornecendo cerca de 40 kcal/100g. É rica em  reguladores como  e  e ainda em fibra.

 

Composição nutricional
(100g de parte edível)

Ameixa Encarnada
Energia (kcal)41
Água (g)88
Proteínas (g)0,8
 (g)0,2
monoinsaturados (g)0,1
 (g)7,4
Fibra (g)1,9
Caroteno (µg)420
 (µg)70
 (mg)0,02
 (mg)0,6
 (mg)190
 (mg)13

g = grama; mg = miligrama e µg = micrograma. Parte Edível = diz respeito ao peso do alimento que é consumido depois de rejeitados todos os desperdícios. 

Fonte: Tabela da Composição de Alimentos – Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

 
Vantagens e desvantagens
 

A ameixa tem um leve efeito diurético pelo seu conteúdo em água e , que poderá ser benéfico no caso de  e hipertensão arterial ou em caso de perdas excessivas de , como durante a utilização de diuréticos. É desaconselhada em casos de insuficiência renal, visto que nesta condição o consumo de  é restrito.
Este mesmo mineral desempenha um papel importante na regulação da , no equilíbrio dos fluidos do corpo e na contração muscular.

A   está presente em variadas reações químicas no nosso organismo, funcionando como co-enzima. É necessária na metabolização das proteínas,  e ácidos nucleicos.

Os carotenos são transformados em  depois de absorvidos pelo organismo. A  é um componente dos pigmentos visuais responsáveis pela receção da luz na retina. Além disso, é importante para uma pele saudável, para um crescimento saudável, para o desenvolvimento ósseo e para a reprodução.

 tem uma importante acção antioxidante. Evita a oxidação e protege a integridade de diversos componentes celulares, nomeadamente das lipoproteínas que transportam o  no sangue e ajudam, assim, a prevenir problemas cardiovasculares.

A ameixa seca é amplamente conhecida como promotora do bom funcionamento intestinal, graças ao seu alto teor de fibra insolúvel que facilita a absorção de água ao nível do intestino.

A ameixa é conhecida pelas suas propriedades laxantes mas, em concreto, é muito mais que isso. Além de ser um fruto delicioso e fresco, a ameixa possui uma grande variedade de benefícios.

Benefícios da ameixa

  • São baixas em calorias – 46 kcal por 100 gr.
  • Não contém gorduras saturadas;
  • Possuem diversos compostos, como minerais, fibras dietéticas e vitaminas, bem como sorbitol e isatina, conhecidas por ajudar a regular o funcionamento do sistema digestivo e assim, aliviar a prisão de ventre.
  • A ameixa madura é uma fonte moderada de vitamina C, um poderoso antioxidante natural. Alem do mais, os alimentos ricos em vitamina C ajudam o corpo a desenvolver resistência contra agentes infecciosos, bem como inflamações e permitem eliminar os radicais livres nocivos;
  • A ameixa fresca, especialmente a amarela, é uma fonte de betacaroteno e vitamina A, sendo esta vitamina essencial para a visão, mas também ajuda na prevenção do cancro de pulmão e a cavidade oral;
  • Contém flavonóides poli-antioxidantes fenólicos, tais como a luteína, criptoxantina e zeaxantina, em quantidades razoáveis. Estes compostos permitem eliminar os radicais livres e espécies reactivas de oxigénio que actuam em processos de envelhecimento. A zeaxantina, é um carotenóide importante, concentrado na mácula lútea da retina, que proporciona funções antioxidantes e protege a retina dos raios ultravioletas nocivos;
  • É rica em minerais como fluoreto de potássio e ferro. O ferro é necessário para a formação de glóbulos vermelhos, enquanto que o potássio é um componente importante dos fluídos das células e do corpo, que ajuda a controlar a frequência cardíaca e a pressão sanguínea;
  • É uma fonte moderada de vitamina B, tais como a niacina e o ácido pantaténico. Essas vitaminas actuam como co-factores e ajudam o corpo a metabolizar os carbohidratos, proteínas e gorduras;
  • São ricas em potássio, um mineral essencial que, juntamente com o sódio, participa da transmissão dos impulsos nervosos e contracção dos músculos;
  • Ajuda a controlar a glicémia por apresentar um baixo índice glicémico;
  • Ajuda a melhorar a saúde dos ossos. Os flavonóides e demais compostos fenólicos presentes na fruta auxiliam na reversão da perda de massa óssea;
  • Ajuda a prevenir a anemia e a melhorar a resistência imunológica. O ferro é fundamental para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue e transporte de oxigénio. Além de ser rica nesse mineral, a ameixa também é uma boa fonte de vitamina C, que melhora a absorção do ferro pelo intestino, combatendo assim a deficiência desse nutriente que pode levar à anemia.

Recomenda-se que as sejam consumidas com casca, pelo facto de nela estarem contidos uma boa parte dos nutrientes responsáveis por todos os benefícios da fruta.

 

Como comprar e conservar
 

Se desejar comprar ameixas que estão maduras e prontas para consumir, escolha aquelas que resistem a pequenas pressões mas que se apresentam ligeiramente macias ao toque. Se prefere ameixas para amadurecerem em casa evite aquelas que se apresentem demasiado duras, uma vez que, devido à sua imaturidade, não desenvolverão bom gosto nem textura.

As ameixas que ainda não amadureceram podem ser conservadas à temperatura ambiente. Uma vez que este fruto amadurece rapidamente, verifique o seu estado um ou dois dias após a compra, de forma a garantir que não amadureceram demais. Uma vez maduras, as ameixas podem ser conservadas no frigorífico durante alguns dias.

 

https://saboreiaavida.nestle.pt/bem-estar/ameixa

https://clinicaspersona.com/beneficios-ameixa/

 

20
Jul20

Alimentos de A a Z... Alfarroba


 

Hoje trago-vos a Alfarroba (do árabe al karrub, a vagem), fruto da alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.)

 

Alimentos de A a Z_alfarroba.gif

 

História

Originária das zonas costeiras do Médio Oriente, de onde se estendeu para Ocidente, terá chegado à Península pela mão dos Árabes.

Julga-se que as suas sementes tenham sido usadas, no antigo Egipto, para a preparação de múmias (foram, encontrados vestígios de suas vagens em túmulos).

Existem,também, indícios de que os romanos mastigavam as suas vagens secas, muito apreciadas pelo seu sabor adocicado.

A semente da alfarroba, devido ao seu baixo peso e uniformidade, foi utilizada por mercadores para avaliar jóias, nomeadamente diamantes - a unidade quilate (carat) era o peso de uma semente de alfarroba.

As vagens, conhecidas na literatura anglo-saxónica por «St. John Bread», terão sido utilizadas na alimentação por S. João Baptista aquando da sua passagem pelo deserto.

Em 1841, Silva Lopes afirma que a Alfarroba é utilizada como «alimento de gente pobre, e torrada não deixa de ser saborosa» e informa que, em 1777, a alfarroba ocupava o 5.° lugar das exportações feitas por via marítima algarvia. Há referências datadas de 1579 segundo as quais a alfarroba já era comercializada em feiras algarvias, como a de Tavira.

 

Uso 

A pele da alfarroba é utilizada, na forma de crob powder, no fabrico de tabletes dietéticas, cobertura de bolos, pão, etc. A polpa é muito utilizada na indústria agro-pecuária como ração animal. Da polpa também se obtém um xarope, usado na cobertura do café torrefacto, como corante na indústria alimentar e farmacêutica e como substituto açucarado na produção de gomas por via microbiológica. Da semente obtém-se o endosperma e o germe. Do endosperma é extraída a goma de semente de alfarroba (E 410) usada como espessante, estabilizante, emulsionante e gelificante em gelados, sopas, etc., bem como na indústria farmacêutica e cosmética. A farinha de germe utiliza-se na alimentação humana, em produtos dietéticos, como fonte proteíca.

Na cozinha tradicional algarvia tem grande expressão o Pão de Alfarroba.

A farinha de alfarroba é a fracção obtida pela trituração e posterior torrefacção da polpa da vagem. Contém, em média, 48-56% de açúcar (essencialmente sacarose, glucose, frutose e manose), 18% de fibra (celulose e hemicelulose), 0,2-0,6% de gordura, 4,5% de proteína e elevado teor de cálcio (352 mg/100 g) e de fósforo. Por outro lado, as características particulares dos seus taninos (compostos polifenólicos) levam a que a farinha de alfarroba seja muitas vezes utilizada como antidiarreico, principalmente em crianças.

 

Benefícos para a saúde

Uma das principais vantagens do uso da alfarroba é o facto de ela ser naturalmente doce, pelo que a adição de açúcar nas receitas pode tornar-se dispensável. Além disso, este fruto apresenta outros incríveis benefícios para a saúde: 

  • ajuda a metabolizar a gordura;
  • é rica em vitamina A, cálcio e magnésio;
  • não contém glúten, lactose ou cafeína.
  • melhora a digestão;
  • reduz o colesterol.



Sugestões de utilização:

Pão de alfarroba

Bolo de Alfarroba

Panquecas de Alfarroba

Queques de Alfarroba

 

https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/pao-e-produtos-de-panificacao/316-pao-de-alfarroba

https://www.adral.pt/pt/rrsilvestres/recursos/Paginas/A-Alfarroba1216-9741.aspx

https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/frutos-secos-secados-e-similares/272-alfarroba

http://www.cgalgarve.com/produtos/alfarroba.htm

 

13
Jul20

Alimentos de A a Z... Alecrim


Alimentos de A a Z_alecrim.gif

 

O alecrim é um arbusto perene, de origem mediterrânica, com altura média de 1,2m, muito ramificado, sempre verde, com hastes lenhosas, folhas pequenas e finas, opostas, lanceoladas.

A parte inferior das folhas é de cor verde-acinzentado enquanto a superior é verde brilhante. As flores reúnem-se em espiguilhas terminais e são de cor azul ou esbranquiçada. Floresce quase todo o ano e não necessita de cuidados especiais nos jardins.

Toda a planta exala um aroma forte e agradável. É utilizada para fins culinários, medicinais e religiosos, o seu óleo essencial também é utilizado em perfumaria, nomeadamente, na produção da água-de-colónia - contém tanino, pineno, cânfora e outros princípios activos que lhe conferem propriedades excitantes, tónicas e estimulantes.

A sua flor é muito apreciada pelas abelhas, resultando num mel de extrema qualidade. (Há quem plante alecrim perto de apiários, para influenciar o sabor do mel)

Fresco (preferencialmente) ou seco, é apreciado na preparação de aves, caça, carne de porco, salsichas, linguiças e batatas assadas. Em Itália é utilizado em assados de carneiro, cabrito e vitela e na famosa focaccia. Na preparação de churrascos, recomenda-se espalhar um bom punhado sobre as brasas, perfumando a carne e difundindo um agradável odor no ambiente. Pode ser utilizado, também, em sopas e molhos.1

Por ser uma das ervas mais completas no que concerne a benefícios para a saúde, tem vindo a ser objecto de estudo da ciência.2 

 

Benefícios para a saúde: 

O alecrim apresenta múltiplos benefícios para a saúde, nomeadamente propriedades: antibacterianas, antifúngicas, anti-inflamatórias e analgésicas, antioxidantes, anti-tumorais/cancerígenas e antidiabéticas. É considerado um protector do fígado e um aliado no controlo do peso e na melhoria da circulação sanguínea. São-lhe, ainda, atribuídas propriedades neuroprotectoras (protecção contra doenças neurodegenerativas) e antidepressivas.  

Acção antimicrobiana, anti-dispética e anti-espasmódica: melhora a digestão e contribui para o tratamento de infecções urinárias, vómitos e diarreia. A infusão de alecrim pode ser tomada imediatamente após as refeições, sendo útil para o processo digestivo, combatendo a azia e o excesso de gases. 

Diurético: aumenta a produção de urina, diminuindo a retenção de líquidos. 

Combate o cansaço: estudos já comprovaram a eficácia do alecrim contra o cansaço, stress e ansiedade e depressão. 

Contribui para o bom funcionamento do fígado: tem um efeito hepatoprotector e diminui as dores de cabeça decorrentes de uma alimentação desregrada e excessivo consumo de bebidas alcoólicas. 

Melhora a circulação: melhora a circulação sanguínea e evita a formação de trombos (coágulos de sangue) que podem obstruir os vasos sanguíneos (veias e artérias)

 

Sugestões de utilização

Arroz de alecrim

Lombo de porco com alecrim

Focaccia de alecrim

Bolo de alecrim coberto com pêra caramelizada

 

1https://pt.wikipedia.org/wiki/Alecrim

2https://www.researchgate.net/publication/330517417_Rosmarinus_officinalis_L_an_update_review_of_its_phytochemistry_and_biological_activity

 

06
Jul20

Alimentos de A a Z... Agrião


 

Dando seguimento à rubrica Alimentos de A a Z... hoje, o protagonista será o agrião!

 

Alimentos de A a Z_agrião.gif

 

De sabor forte e ligeiramente amargo, o agrião é o ingrediente perfeito para saladas e sopas, sendo uma das hortaliças mais consumidas em Portugal. Pertence à família das crucíferas (tal cmo os brócolos, rábano e couves). Gosta de humidade e tempo fresco, crescendo em terrenos que tenham lençóis de água e alguma sombra.1

 

 

A origem1

 

O agrião é cultivado no Mediterrânico, pelo menos, desde o tempo da Grécia Antiga, altura em que era consumido pelos soldados, que acreditavam que a planta constituía uma fonte primordial para os manter saudáveis em combate.

No século XIX, no Reino Unido, era consumido ao pequeno-almoço, entre duas fatias de pão. Caso o rendimento não possibilitasse comprar o pão, o que era frequente, o agrião era comido sem acompanhamento algum. A partir daí o agrião ficou conhecido como “the poor man’s bread” - o pão dos pobres. Também os monges irlandeses eram grandes consumidores de agrião com pão e, já na altura, pregavam os seus benefícios nutricionais.

Antigamente, por nascer selvagem junto a águas paradas, tinha uma má reputação sendo associado a águas poluídas e contaminações. Hoje em dia é vendido em supermercados e não representa qualquer tipo de malefício para a saúde.2

Em Portugal existem três tipos de agrião: o agrião de água (ou de rio), o agrião da horta e o agrião de jardim. Normalmente o primeiro é o que tem o sabor mais forte.

O agrião é bastante perecível o que quer dizer que as suas folhas ficam amarelas rapidamente. Torna-se uma vantagem no sentido em que, se o estiver a consumir verde, quer dizer que está no seu estado de maior frescura.

 

Como comprar e conservar2
 

Ao comprar agrião, escolha os molhos com aparência fresca e viçosa, com verde intenso e sem folhas amarelas ou acastanhadas. Pode também optar por comprar agrião embalado, tendo em atenção o estado das folhas e o prazo de validade.

À temperatura ambiente o agrião mantém-se por cerca de 1 dia. Caso opte por armazená-lo no frigorífico, mantém-se durante cerca de 3 dias, desde que protegido em plástico ou recipiente fechado.

 

Informação Nutricional2
 

O agrião é um alimento de baixo valor calórico, apenas 23 calorias por cada 100 gramas e uma importante fonte de fibra. É rico em vitamina A, C e ácido fólico e minerais (cálcio, ferro, potássio e fósforo). Tendo sido considerado o mais nutritivo de todos os vegetais.3

 

Princípios activos4

 

Os princípios activos mais importantes são os isotiocianatos, constituintes fitoquímicos comuns em todas as plantas desta família, com uma forte acção anticancerígena. Contém também caroteno, luteína e vitamina C, com acção no sistema imunitário e no sistema circulatório, vitaminas do complexo B, que contribuem para o tratamento de doenças do sistema nervoso e vários minerais, entre os quais o ferro, útil na formação de hemoglobina.

 

Principais propriedades4

 

O agrião é indicado na quimioprevenção, prevenção do cancro através da ingestão regular de alimentos com propriedades anticancerígenas. Este alimento é ainda antianémico, aumentando a concentração de glóbulos vermelhos e hemoglobina. Muito apreciado e utilizado em Portugal, sobretudo em sopas e saladas, o agrião tem uma acção odontálgica, aliviando as dores de dentes de forma natural.

O agrião tem, também, um efeito remineralizante, sendo um alimento utilizado em casos de convalescença, na alimentação de desportistas e ainda na alimentação de crianças em crescimento. Este vegetal potencia, também, o crescimento do cabelo por aplicação interna e externa. Depurativo e diurético, pode ser usado como coadjuvante no tratamento da diabetes, como defendem muitos médicos e nutricionistas.

 

Utilização1

Apesar de o usarmos bastante  em saladas e sopas, o agrião é bastante mais versátil do que isso. Pode dar um um óptimo esparregado, ou até um nutritivo molho pesto para juntar a massas por exemplo. Seguindo a tradição britânica, pode-se juntar a pão, consumido em sandes, tostas e até hambúrgueres. Se for consumido cru, tanto melhor – maiores são os benefícios.

 

Sugestões de receitas:

Sopa de agrião

Salada de agrião com beterraba e laranja

Sanduíche vegetal

Bolo de agrião

 

 

1https://www.pingodoce.pt/escola-de-cozinha/ingredientes/agriao-o-aquatico/

2https://saboreiaavida.nestle.pt/bem-estar/agriao#gs.9u6krn

3https://www.cdc.gov/pcd/issues/2014/13_0390.htm#table2_down

4https://lifestyle.sapo.pt/saude/peso-e-nutricao/artigos/agriao

 

29
Jun20

Alimentos de A a Z... açúcar


Hoje vou falar-vos sobre um inimigo invisível: o açúcar!

 

Alimentos de A a Z_açucar.gif

Nem todos os açúcares são iguais!1

A atracção pelo doce é o motivo de sobrevivência do ser humano desde sempre. Sabendo que, na natureza, nada do que é doce é simultaneamente tóxico, podia colher plantas desse tipo sem correr risco de vida. O açúcar processado só entrou mais tarde na dieta: até ao século XVII, era uma especiaria de luxo, como o cardamomo.

 

O que é, afinal o açúcar (ou, melhor dizendo, açúcares)?2,3

 

“Açúcares” é um termo genérico utilizado para designar alguns dos hidratos de carbono que ingerimos.

 

Os hidratos de carbono podem ser classificados em simples ou complexos:

Os hidratos de carbono simples são compostos por uma ou duas moléculas de açúcares, de fácil digestão e rápida absorção pelo organismo – a lactose (leite e derivados), a frutose (fruta, milho e leguminosas) e a sacarose (o comum açúcar de mesa).

Por sua vez, os hidratos de carbono complexos são compostos por várias moléculas de açúcares, o que torna a sua digestão e absorção muito mais lenta. Estes são os hidratos de carbono que devemos priorizar na nossa alimentação, sobretudo o amido, presente na batata e nos cereais.

 

Tipos de açúcar:

1. Açúcar mascavado

É o primeiro tipo de açúcar a ser extraído do sumo da cana-de-açúcar, não sofrendo qualquer refinação. Este contém menos sacarose (95%) do que o vulgar açúcar branco (99,9%), os restantes 5% dizem respeito a sais minerais e matéria orgânica que dão ao açúcar mascavado a cor e aroma específico (baunilha e rum).

Apresenta melhor qualidade nutricional. É menos solúvel que os outros açúcares. Existe em versão mais clara, mais aromático e em versão mais escura. É útil quando se pretende dar cor a bolos sem usar, por exemplo, o chocolate.

 

2. Açúcar cristalizado branco (refinado)

Este é constituído por 99,9 % de cristais de sacarose, que são naturalmente brancos.

 

3. Açúcar em pó

Trata-se de um açúcar granulado normal moído finamente. Existem dois tipos de açúcar em pó: (1) açúcar em pó com amido onde é adicionado uma pequena percentagem (inferior a 3 %) de antiaglomerante, que evita a formação de grumos e torna os produtos finais mais leves. (2) açúcar em pó sem amido que também é um açúcar moído, mas sem antiaglomerante. Os principais utilizadores deste produto são empresas da indústria farmacêutica.

 

4. Açúcar light

É uma mistura de açúcar de cana e de um adoçante feito a partir do açúcar, a sucralose. A sucralose é um derivado do açúcar obtido através da modificação da molécula de açúcar tornando-se aproximadamente 600 vezes mais doce que o açúcar, garantindo o mesmo paladar com zero calorias. Deste modo, quando usado para adoçar comidas ou bebidas, não é acrescentada nenhuma caloria.

 

5. Açúcar amarelo

É parcialmente refinado. O melaço não é totalmente eliminado, o que lhe confere a cor dourada. Apresenta maior teor de humidade e é ideal para receitas de bolos em que se pretende uma maior durabilidade.

 

6. Xarope de açúcar

Consiste na combinação de sacarose com água. Pode ter adição de aromas e cor. É utilizado, por exemplo, em bebidas, bolachas e rebuçados.

 

7. Açúcar Demerara

É obtido por um processo mais simples de refinação do açúcar. A sua cor é o resultado da adição de xaropes no processo de fabrico. Mantém alguns minerais da cana, mas não tanto como o mascavado.

 

8. Biológico

O seu cultivo (da cana) é realizado sem recurso a fertilizantes químicos e utiliza processos protectores do meio ambiente. Apresenta características nutricionais similares às do açúcar mascavado.

 

9. Frutose

É um açúcar natural, presente em frutas, milho e leguminosas. Adoça mais do que os restantes açúcares, pelo que se pode usar em menor quantidade.

 

10. Mel

É um alimento produzido pelas abelhas a partir do néctar recolhido das flores e processado pelas suas enzimas digestivas. Ao contrário do açúcar refinado o mel possui inúmeros benefícios para a saúde nomeadamente: poder antioxidante; cicatrização de feridas; propriedades antidiabéticas (devido ao baixo índice glicémico) e actividade antimicrobiana.

 

11. Açúcar de coco

A extracção do açúcar de coco é feita a partir das flores da palma de coco. O néctar dessas flores é retirado e aquecido criando um caramelo espesso. Esse caramelo é então triturado em pequenos cristais. 

 

E... os adoçantes?!...

De forma a substituir o açúcar surgiram os adoçantes, também designados de edulcorantes, que possuem um poder adoçante muito superior ao açúcar. Existem dois tipos: os calóricos e os não calóricos.

Os calóricos contêm calorias, mas em quantidades significativamente inferiores ao açúcar [Polióis (Sorbitol, Manitol, Xilitol, Maltitol) e Stévia]. Os não calóricos, tal como o nome indica, não contêm calorias nem alteram a glicémia. Possuem um poder adoçante muito superior ao açúcar (Acessulfame de Potássio, Sacarina, Aspartame, Sucralose, Ciclamato).

Os adoçantes, quando consumidos nas quantidades diárias recomendáveis, não representam perigo para a saúde humana nem se relacionam com um aumento do risco de cancro ao contrário do que tem sido afirmado ao longo das últimas décadas.

 

Valor energético comparado

O açúcar mascavado é ligeiramente menos calórico do que o açúcar branco, pelo que, em cada 100g de açúcar mascavado existem 377 kcal enquanto que 100g de açúcar branco contêm 391 kcal. Para além disso, com o processo de refinação, o açúcar branco perde minerais como cálcio, magnésio, fósforo e potássio. No entanto estas características não tornam o açúcar mascavado mais interessante nutricionalmente do que o açúcar branco - a sua ingestão pode ser tão prejudicial, para a saúde, quanto a ingestão de açúcar branco.

Em cada 100g de açúcar de coco existem 360 kcal, menos que no açúcar mascavado e refinado. O açúcar de coco é considerado um substituto mais saudável para o açúcar refinado devido ao seu baixo índice glicémico.

O mel possui 304 kcal por cada 100g, valor substancialmente mais baixo que o açúcar mascavado e refinado.

 

Consumo de açúcar em Portugal4

O consumo médio nacional de açúcares simples é de 90 g/dia. Cerca de 9,8 milhões de Portugueses (mais de 95% da população) consomem açúcares simples acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (10% do aporte energético). Um quarto das crianças consome uma quantidade superior a 32 g/dia.

O açúcar é necessário, constituindo a principal fonte de energia do organismo e está presente em diversos alimentos. O verdadeiro inimigo dá pelo nome de: açúcar(es) simples, livres ou vazios (a glicose e a frutose que formam a sacarose ou o açúcar de mesa), que apenas acrescentam calorias sem adicionarem qualquer outro valor nutricional.

 

Malefícios do consumo excessivo de açúcar

Obesidade

5,9 milhões de Portugueses (quase 6 em cada 10 Portugueses) têm obesidade ou pré-obesidade. Os idosos são o grupo mais vulnerável - 8 em cada 10 têm obesidade ou pré-obesidade.

Os números do Inquérito Alimentar demonstram ainda que 80% dos idosos e 50% da população adulta portuguesa está em risco de obesidade abdominal (gordura visceral)

A gordura visceral é a responsável pelo aparecimento de diabetes, hipertensão; aumenta 20 vezes a probabilidade de cancro de colo do útero, do ovário, da bexiga, de enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular-cerebral, insuficiência renal, infertilidade.

 

Diabetes

Um dos problemas dos açúcares simples ainda não referido é que estes têm um índice glicémico muito precoce. Dito de outro modo: se comer pão branco, talvez em meia hora a sua glicémia esteja alta. E esta disponibilidade rápida de glicose vai exigir que o pâncreas produza insulina. A diabetes surge quando o pâncreas é constantemente estimulado – na medida em que ingere mais e mais açúcares simples.

 

Fígado gordo e insuficiência renal

Robert Lustig, endocrinologista pediátrico norte-americano, assegura que o consumo excessivo de açúcar tem "os mesmos efeitos crónicos para a saúde que o álcool: a depressão, a cirrose, os riscos cardiovasculares".5

O fígado é o filtro do organismo humano - transforma o açúcar em triglicéridos (gordura). É um órgão inteligente, que reage de acordo com as necessidades do organismo: quando não há açúcar, fabrica e, quando há excesso, armazena-o. O problema surge quando o fígado ultrapassa a sua capacidade máxima de armazenamento, tornando-se disfuncional - o chamado fígado gordo - que pode evoluir para inflamação hepática e, eventualmente, cancro do fígado.

No caso dos rins, o excesso de açúcar origina a formaçao de compostos tóxicos que, numa primeira fase, prejudicam o funcionamento e a longo prazo conduzem a insuficiência renal.

 

Doenças Cardiovasculares

Uma revisão de estudos científicos publicada no British Medical Journal6, por dois investigadores, sugere que uma dieta em que 25% das calorias são açúcares adicionados (quando comparada com uma em que estes representam apenas 10%) triplica o risco de mortalidade cardiovascular (em Portugal são cerca de 35 mil por ano).

 

Comprometimento do sistema Imunitário

Os parasitas intestinais, sobretudo a Candida albicans, adoram açúcar. O que significa que, quanto mais deste hidrato de carbono ali chegar, mais estes parasitas vão crescer, alterando a flora intestinal e destruindo as bactérias benéficas, fazendo com que o intestino diminua a sua capacidade de absorção de nutrientes, vitaminas e minerais, com consequências nefastas para o sistema imunitário.

Como o organismo recebe mais açúcares do que nutrientes essenciais para o seu funcionamento, inicia-se um processo inflamatório que pode levar a doenças auto-imunes. Se este ocorrer na mielina, uma camada que envolve as fibras nervosas do cérebro, pode originar esclerose múltipla; se for nas articulações, artrite reumatóide.

 

Alterações cerebrais

De acordo com Celso Pontes, neurologista da Associação Alzheimer Portugal, a ligação entre demência e diabetes é conhecida "há muito". Através das alterações na circulação (com excesso de açúcares no sangue), a diabetes "pode ser causa directa de uma demência vascular, que muitas vezes acompanha a doença de Alzheimer"

 

Doenças orais

A cárie dentária é a doença mais comum no mundo, segundo a OMS. E apenas 3% dos portugueses nunca tiveram este problema, de acordo com o último estudo epidemiológico de doenças orais.7 

A ingestão de alimentos açucarados (sobretudo quando feita fora das refeições e antes de dormir, porque não se lavam os dentes) cria ácidos que levam à perda mineral e, por fim, às cáries. Em casos mais avançados perde-se o dente. Mas as consequências vão muito além de uma dor. São "mais de 150 as doenças que podem ser agravadas por doenças orais, de uma simples cárie até infecções bacterianas que podem alastrar a órgãos vitais", alerta a médica dentista Marta Novais.

 

Alterações da pele

Quando o açúcar se liga às proteínas, o colagénio e a elastina perdem a sua flexibilidade e tornam-se rígidos, consequentemente, a pele perde o seu aspecto saudável, torna-se seca, baça, flácida e com rugas.

 

1https://www.cmjornal.pt/viver-com-saude/bem-estar-e-nutricao/detalhe/acucar-amigo-ou-inimigo

2https://lifestyle.sapo.pt/saude/peso-e-nutricao/artigos/os-seis-tipos-de-acucar-quais-os-seus-beneficios

3https://saboreiaavida.nestle.pt/alimentacao-saudavel/nutricao/374/tipos-acucar/#gs.7tgopn

4https://nutrimento.pt/activeapp/wp-content/uploads/2017/03/IAN_Apresentacao-sumaria-resultados.pdf

5https://www.lepoint.fr/sante/dr-robert-lustig-le-sucre-a-tous-les-criteres-d-une-substance-toxique-et-addictive-19-10-2017-2165646_40.php

6https://openheart.bmj.com/content/4/2/e000729

7https://www.dgs.pt/em-destaque/iii-estudo-epidemiologico-nacional-das-doencas-orais-ppt.aspx

 

 

22
Jun20

Alimentos de A a Z... açafrão


 Hoje trago-vos: açafrão e açafrão-da-terra!

Alimentos de A a Z_açafrão.gif

Começo por clarificar uma dúvida que subsiste para muitas pessoas: açafrão e curcuma, também conhecido por açafrão-da-terra ou açafrão-das-índia (daí a confusão), são a mesma coisa?... são partes distintas da mesma planta?...

A resposta é: NÃO!

O açafrão é extraído dos estigmas (ou pistilos), pequenos filamentos vermelhos, localizados no centro das flores de Crocus sativus, uma planta da família das Iridáceas. Quando seca, a flor liberta um pigmento amarelo e um óleo volátil, tradicionalmente usado como corante de tecidos.

É utilizado desde a Antiguidade como especiaria, principalmente na cozinha Mediterrânica — região de onde a variedade é originária — na preparação de risotos, aves, caldos, massas e doces. É um ingrediente essencial à paelha espanhola.[1]

Estima-se que o açafrão seja cultivado há mais de 3.500 anos, por várias civilizações, em diferentes continentes. Sempre foi considerada uma das substâncias mais caras do mundo, sendo de referir que para obter um quilo de açafrão é necessário colher (manualmente), pelo menos, 150 a 200.000 flores, requerendo toda a cultura (para 150.000 flores) até 400 horas de trabalho. 

No mercado internacional a cotação do açafrão (granel) varia entre os 1.000€/kg (açafrão iraniano) e os 3.000€/kg (açafrão espanhol), diferenças estas que estão relacionadas com a qualidade do produto.

Muitos estudos indicam que as propriedades encontradas no açafrão se devem aos carotenoides - crocina e safranal - com propriedades antioxidantes (que evitam a oxidação das lipoproteínas, aumentando a protecção cardiovascular) e receptores selectivos de radicais livres.[2] 

 

Saffran_crocus_sativus_moist.jpg

Açafrão_florIran_saffron_threads.jpgAçafrão_estigmas

 

O açafrão-da-terra (Curcuma longa), conhecido também como curcumaturmérico, raiz-de-sol, açafrão-da-índia, açafroa e gengibre amarelo, é uma planta herbácea da família do gengibre (Zingiberaceae), originária da Ásia (Índia e Indonésia). É da raiz seca (e moída) que resulta a especiaria homónima, utilizada como condimento ou corante (de cor amarela e brilhante) na culinária e na elaboração de medicamentos.[3]

A primeira referência literária desta planta data de 600 a.C. onde é descrita como uma planta corante.

O seu uso na culinária é, actualmente, amplamente difundido, integrando a mistura que designamos por caril. É ainda usada na confecção de inúmeros pratos de peixe e arroz. Uma vez que é (muito) mais barato que o açafrão e possui, igualmente, coloração amarela, é muitas vezes utilizado como substituto deste último como corante alimentar.

Esta planta é tradicionalmente utilizada pelas medicinas Ayurvédica e Chinesa, devido à presença de fitoquímicos, denominados curcuminoides, encontrados em grande quantidade nas raízes (rizomas) da planta.

Os curcuminoides são pigmentos que possuem poderosas propriedades: antioxidantes, antimicrobianas, anti-inflamatórias e moduladoras do sistema imunitário. De entre os curcuminoides, destaca-se a curcumina, que representa 77%.

À curcumina são atribuídas varias propriedades com acções benéficas para o organismo, nomeadamente: antidispéptica (atenua dor e sensação desagradável relacionada com a função digestiva), carminativa (atenua o desenvolvimento de gases intestinais), colerética (aumenta a secreção de bílis), espasmolítica (inibe os espasmos musculares), hepatoprotectora (protege o fígado) e antidepressiva.[4]

Atualmente, o seu uso é indicado como eupéptico (auxílio ao processo digestivo), estimulante das secreções digestivas e carminativo nas disquinesias hepatobiliares, hepatites e cólicas gastrointestinais.

São-lhe ainda atribuídas propriedades antiagregante plaquetária e antioxidante, estando também descritos benefícios da sua administração na prevenção de hiperlipidemias (níveis sanguíneos elevados de colesterol e triglicéridos), arteriosclerose e tromboembolias. Alguns estudos sugerem uma acção antimutagénica, não sendo, no entanto, suficientes para que se afirme, neste momento, qualquer acção anticancerígena da planta.

Mais recentemente, têm sido realizados alguns estudos acerca das suas propriedades anti-inflamatórias, cujas conclusões permitem a sua inclusão em diversos suplementos alimentares indicados como coadjuvantes no tratamento de artrites e de outras condições inflamatórias do foro reumatológico, com resultados francamente positivos.

Externamente, algumas preparações cosméticas à base de açafrão-da-índia são tradicionalmente aplicadas em infecções e eczemas.

Apesar dos benefícios que estão associados ao seu consumo, o uso de açafrão-da-índia está, no entanto, contra-indicado em caso de obstrução das vias biliares.[5]

 

Curcuma_longa_001.jpg

Açafrão-da-terra_flor

 

Curcuma_longa_roots.jpgAçafrão-da-terra_raíz

 

[1]https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7afr%C3%A3o

[2]https://www.agazeta.com.br/revista-ag/vida/curcuma-e-acafrao-saiba-a-diferenca-entre-elas-e-conheca-beneficios-1119

[3]https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7afr%C3%A3o-da-terra

[4]https://www.noticiasmagazine.pt/2020/acafrao-prozac-medieval-viagra/estilos/218255/

[5]https://lifestyle.sapo.pt/saude/peso-e-nutricao/artigos/acafrao-da-india-uma-especiaria-medicinal

 

15
Jun20

Alimentos de A a Z... Abóbora


Dando sequência à rubrica "Alimentos de A a Z" , hoje, apresento-vos a multifacetada abóbora!

Alimentos de A a Z_abóbora.gif

A abóbora é uma planta, oriunda da América Central, que se espalhou por todo o Mundo e se tornou parte integrante da alimentação mediterrânica.

Existem relatos históricos que evidenciam que a abóbora constituiu, em tempos idos, um dos principais pilares da alimentação na cultura nativa americana, onde nada era desperdiçado. Supõe-se que a primeira tarte de abóbora terá nascido pelas mãos dos colonos que escavaram uma abóbora, encheram-na de mel, leite e especiarias e a colocaram a assar. O resultado foi um delicioso e perfumado manjar que foi aperfeiçoado posteriormente.

Em termos botânicos, é considerada um fruto da família do melão e da melancia, no entanto, é habitualmente integrada na categoria dos hortícolas.

Existem centenas de espécies de abóboras, mas as mais conhecidas (e consumidas) resumem-se a cerca de meia dezena: Menina, Gila (com casca verde e branca, de forma oval e muito usada na pastelaria portuguesa)Butternut (em forma de cabaça), Porqueira (grande, de casca rugosa amarela e verde), Abóbora Muscade de Provence (de formato semelhante à Menina, mas de cor mais alaranjada).

Entre os grandes produtores de abóbora, destacam-se os EUA, México, Índia e China. Em Portugal, as freguesias da Lourinhã e Atalaia costumam juntar-se para o Festival da Abóboracom exposições de belos exemplares, muita animação e especialidades gastronómicas. 

 

Composição nutricional:

No que concerne à sua composição nutricional, destaca-se o baixo valor energético (11 Kcal/100g) e o elevado teor de água (96,6%), bem como um interessante conteúdo em compostos biológicos activos - os carotenoides - (α-caroteno, β-caroteno, luteína e xantinas) responsáveis pela sua cor laranja/amarela tão característica. O β-caroteno é o pigmento predominante e apresenta como particularidade a conversão parcial em vitamina A, no organismo. Para além da presença destas substâncias com elevado potencial antioxidante, a abóbora contém também bioflavonóides, bloqueadores dos receptores de determinadas hormonas relacionadas com o cancro, e esteróis que são convertidos em vitamina D (no organismo) e quantidades apreciáveis de potássio e outros minerais e vitaminas (ferro, cálcio, magnésio, vitaminas do complexo B e C). Todas estas propriedades elencadas convertem a abóbora num promotor de saúde de baixo custo, com um elevado valor nutricional, associado a um baixo teor calórico.

 

Tabela-Abóbora-1-1024x628.pngFonte: Nutrimento

 

Em Portugal, a abóbora é consumida durante todo o ano. Na cozinha pode ser considerada um alimento sustentável - amigo do ambiente - uma vez que todos os seus componentes ( casca, polpa, sementes e flores) adquirem uma possível funcionalidade:

  • Casca: elemento decorativo (usada para esculpir no dia das Bruxas ou como recipiente para servir uma sopa quentinha ou uma salada fresquinha).
  • Polpa: ingrediente utilizado nos mais diversos pratos (entradas, sopas, pratos principais e sobremesas) da gastronomia portuguesa.
  • Sementes: torradas e salgadas podem ser consumidas como aperitivo ou adicionadas (cruas, sem casca) a cereais de pequeno-almoço, iogurte, sopas, saladas frias, legumes cozinhados, pão e fruta.
  • Flores: podem ser recheadas (envolvidas em polme e fritas) ou consumidas cruas, em saladas.

 

Benefícios da abóbora:

  • Apresenta um reduzido teor calórico;
  • Constitui uma importante fonte de vitaminas;
  • É rica em minerais (cálcio, magnésio, ferro, fósforo, manganês e zinco);
  • Apresenta um baixo índice glicémico (adequada para diabéticos);
  • Contribui para a prevenção de diversos tipos de cancro (mama, do cólon, pele, colo do útero e pulmão), por ser rica em antioxidantes (carotenoides);
  • É uma aliada da saúde cardiovascular por ser fonte de magnésio, folatos e carotenoides;
  • Contribui para a protecção da retina ocular (face à exposição aos raios UV e ao aparecimento de cataratas), por ser rica em antioxidantes (zeaxantina e luteína);
  • É rica em fibras alimentares, que contribuem para o bom desempenho intestinal
  • Contribui para o fortalecimento dos ossos e do esmalte (dos dentes), devido à presença de magnésio e de zinco;
  • Apresenta propriedades anti-inflamatórias, que ajudam a prevenir a artrite;
  • Ajuda a melhorar/reforçar o sistema imunológico, devido à presença de vitamina C e β-caroteno;
  • É altamente recomendada na alimentação infantil, a partir dos 6 meses, por ser rica em ferro, vitaminas, potássio e β-caroteno.

 

Benefícios das sementes: 

  • Ajudam a reduzir o nível de colesterol no organismo promovendo a saúde cardiovascular (contêm fitoesteróis, que contribuem para a diminuição do LDL (o mau colesterol) e para o aumento do HDL ( o bom colesterol));
  • Têm propriedades anti hipertensoras (ajudam a diminuir a pressão arterial).
  • Ajudam a relaxar, a combater o stress e a aumentar o bem-estar e a qualidade do sono, devido à presença de magnésio e triptofano (um aminoácido essencial percursor da serotonina - um neurotransmissor - que ajuda a relaxar, a melhorar o humor e a dormir melhor).
  • Regulam a absorção de açúcares.
  • Conferem protecção celular, devido à presença de antioxidantes.
  • Contribuem para diminuir as inflamações, por conterem ómega-3.
  • Contribuem para melhorar a saúde da próstata, devido à presença de zinco. 

 

Comprar e conservar: 

Na hora de comprar, deve dar preferência a abóboras de tamanho pequeno ou médio, evitando as de grandes dimensões porque têm geralmente um interior mais oco (com menos polpa). Opte por aquelas com um peso elevado em relação ao tamanho, que evidenciam uma polpa abundante .
Escolha exemplares cuja casca se apresente íntegra, sem amolgadelas ou fissuras. Manuseie as abóboras com cuidado porque, apesar de parecerem resistentes, apodrecerão rapidamente se sofrerem danos na casca, mesmo que não sejam evidentes.

Uma abóbora inteira conserva-se por cerca de dois a três meses após a colheita, à temperatura ambiente, em local arejado e seco, sempre com o pé.

Para congelar, deve cortar-se a abóbora em cubos ou fatias. Se se destinar a sopa pode ser congelada crua; para outras utilizações é necessário fazer um branqueamento (para não se desfazer aquando da sua utilização), mergulhando-a em água a ferver durante 3 minutos. Depois de fria, acondicionar num saco plástico de congelação e guardar no congelador. Também pode ser congelada em forma de puré.  
De salientar que a abóbora é sensível ao frio. Quando conservada a temperaturas inferiores a 10 º C, existe o risco dos seus valores nutricionais se deteriorarem. 

 

Sugestões de utilização:

A abóbora é um alimento muito versátil e de fácil utilização.

Eu gosto, particularmente, de a consumir assada (com casca) no forno com ervas aromáticas e um fio de azeite, em sopas, purés, bolos, pudins, doce...

Também sou grande apreciadora das sementes, que gosto de adicionar ao pão, a sopas, saladas (inteiras ou trituradas) e torradas no forno (com sal) constituem um saboroso aperitivo.

Sugiro que se deixem inspirar por estas 10 receitas com abóbora, deliciosas e de fácil preparação.

 

08
Jun20

Alimentos de A a Z... Abacaxi/Ananás


Dando seguimento à rubrica "Alimentos de A a Z", hoje apresento-vos o abacaxi e o ananás...

Alimentos de A a Z_abacaxi.gif

Pessoalmente, sou grande apreciadora deste(s) fruto(s). Confesso que consumo muito mais abacaxi do que ananás, devido à sua disponibilidade no mercado (e, sobretudo, ao preço).

Existem variedades mais ácidas ou mais doces, mas na realidade trata-se do mesmo fruto, o que muda é o local onde é produzido e o modo de cultivo.

O ananás é oriundo do Sul do Brasil e Paraguai, demora entre 18 a 24 meses a crescer e só é colhido quando está maduro. Em Portugal, os Açores são a principal região produtora, onde o cultivo se faz em estufas de vidro.

O abacaxi, por ser mais doce e uma alternativa mais económica, parece agradar mais aos portugueses. Oriundo de países tropicais como a Costa Rica, distingue-se do ananás por ser cultivado ao ar livre e pela sua forma mais alongada.

 

Composição nutricional:

Tabela nutricional ananás.jpgFonte:INSA

 

Para além de constituir uma importante fonte de fibra, este fruto é também rico em vitamina C sendo que, apenas, 150g (o equivalente a uma rodela) satisfazem cerca de ¼ das necessidades médias desta vitamina (para um adulto saudável).

O ananás contém bromelina (ou bromelaína), uma enzima que tem sido estudada devido às suas potenciais propriedades digestivas, anti-inflamatórias e anticancerígenas. Convém salientar que esta enzima é inactivada quando submetida a altas temperaturas, pelo que, se confeccionar este fruto não tirará partido das referidas propriedades.

O ananás fresco (ao natural) é uma opção mais saudável relativamente à versão enlatada dado que esta última contém aproximadamente o dobro da quantidade de hidratos de carbono (açúcar) e um menor teor de vitamina C.

 

Benefícios do consumo de ananás

  • Possui acção diurética, proporcionada pela bromelina e pelo potássio, constituindo um importante aliado no acombate à retenção de líquidos e ao excesso de peso.
  • Tem efeito depurativo, visto que 87,6% do seu conteúdo é água, ajudando a drenar e eliminar as toxinas do corpo.
  • Apresenta propriedades anti-inflamatórias (ajudando a acalmar dores relacionadas com artrite, tendinites, entorses e luxações), antialérgicas, antibióticas e anti tumorais.
  • Constitui um importante aliado no combate à hipertensão arterial por ser rico em potássio.
  • Devido ao elevado teor de fibra, favorece o trânsito intestinal e bloqueia a absorção de gorduras.
  • Ajuda a retardar os efeitos do envelhecimento da pele por ser rico em antioxidantes.
  • Promove a digestão.
  • O seu consumo proporciona uma acção refrescante, purificadora, laxante e mineralizadora.

 

Como escolher e conservar

O ananás está maduro quando a polpa cede um pouco à pressão dos dedos, apresentando um aroma intenso e a ponta das folhas alaranjada (que se arrancam com facilidade).

Este fruto é sensível às mudanças bruscas de temperatura. Por isso, após descascar e cortar o ananás, mantenha-o alguns dias num lugar fresco e seco (fora do frigorífico), envolvido em plástico. O frigorífico deteriora o fruto, que não suporta temperaturas inferiores a 7°C. Quando maduro, deve utilizar de imediato, para não perder o sumo.

 

Sugestões de utilização

O ananás é um fruto muito versátil que se presta a múltiplas utilizações. Fresco (ao natural) constitui uma excelente sobremesa, refrescante e pouco calórica... mas... a imaginação é o limite... podendo dar vida vida a inúmeros pratos salgados e doces, assim como, deliciosas bebidas.

Partilho algumas sugestões de utilização:

Batido de ananás e manga

Salteado de frango com ananás

Bolo de ananás com iogurte

 

01
Jun20

Alimentos de A a Z... Abacate


Para dar início à nova rubrica, "Alimentos de A a Z" , apresento-vos o abacate:

Alimentos de A a Z_abacate.gif

O abacate (ou pêra-abacate), cujo nome deriva da palavra asteca Ahuacuatl, é originária do centro-sul do México. É tão antiga que os arqueólogos encontraram sementes deste fruto em sepulturas do povo Inca, datadas de 750 antes de Cristo. Na altura, pensava-se que a semente do abacate tinha propriedades afrodisíacas na vida após a morte.

É uma fruta exótica proveniente do abacateiro, uma árvore da família das Laureáceas, nativa das regiões tropicais e subtropicais da América Central. Em Portugal é cultivado, sobretudo, no Algarve e na Madeira e as variedades mais frequentemente comercializadas são a Hass, Fuerte, Reed, Bacon e Pinkerton. A cor/tipo da casca e a forma desta fruta dependem da sua variedade e a sua polpa é verde-amarelada e tem uma consistência macia e pastosa.

Ao contrário de outras frutas comuns, o abacate tem baixo teor de açúcares e alto teor de gorduras monoinsaturadas com benefícios a nível cardiovascular. Esta fruta é ainda fonte de vitaminas E, K e B6, potássio e cobre, e tem alto teor em fluoreto. Possui ainda quantidades consideráveis de compostos antioxidantes (compostos fenólicos e carotenóides) e fitoesteróis, que estão associados a inúmeros efeitos benéficos para a saúde.

 

Tabela com o valor nutricional do abacate.

 

Sugestões de utilização:

 

De forma a acelerar a maturação, os abacates podem ser fechados num saco de papel juntamente com uma banana (o etileno libertado pela banana ajuda no processo de maturação). Os abacates só devem ser refrigerados quando estão maduros, porque caso contrário, a sua estrutura celular pode ser danificada, o que torna o processo de amadurecimento mais difícil. Para evitar o escurecimento após a abertura, a polpa do abacate pode ser colocada numa embalagem hermética coberta com película (de maneira a impedir a exposição ao oxigénio) ou, em alternativa, pode ser adicionado sumo de limão.

Há muitas maneiras de incluir o abacate na alimentação, pelo que poderá:

  • Cortar o abacate em tiras e juntar a sandes, tostas e hambúrgueres;
  • Amassar a polpa para fazer: guacamole (molho de abacate), húmus e patês para barrar tostas ou galetes; molhos para salada ou para dips de vegetais; mousses para sobremesa (ex.: mousse de morango);
  • Adicionar no final das confeções para engrossar sopas ou molhos;
  • Incluir em batidos e smoothies.

Fonte: Auchan_artigo da autoria da nutricionista Renata Vicente

 

Como preparar:

Passo-a-passo

Como descascar abacate 11. O abacate deve maduro, mas não demasiado. Vai precisar de uma boa faca de cozinha.

 

Como descascar abacate 22. Dê um golpe à volta do abacate, verticalmente, rodando o fruto. A faca deve ir até ao caroço.

 

Como descascar abacate 33. Com as mãos, rode o abacate para separar as metades.

 

Como descascar abacate 44. Deverá ficar com este aspecto, com as duas metades perfeitamente separadas.

 

Como descascar abacate 55. Para tirar o caroço de forma a deixar o fruto sem mazelas e inteiro, enterre num só golpe a faca no caroço e puxe rapidamente.

 

Como descascar abacate 66. Com a ajuda de uma colher, tire a polpa do abacate. Coloque a colher bem rente à casca e vá rodando o fruto para que a polpa saia inteira.

 

Como descascar abacate 77. A polpa deverá sair inteira e sem desperdício. 

Fonte: pingodoce.pt/escola-de-cozinha

 

28
Mai20

Alimentos de A a Z...


Hoje venho partilhar uma ideia...

Decidi criar uma nova rubrica, aqui no blog, que denominei: "Alimentos de A a Z".

Será uma rubrica semanal, a iniciar em Junho, em que abordarei um alimento por cada publicação.

O principal objectivo é dar a conhecer diversos alimentos, suas propriedades, benefícios (ou não) para a saúde e formas (mais ou menos) criativas de os introduzir na nossa alimentação...

Outro dos objectivos, igualmente importante, é promover hábitos de poupança e  desperdício zero!

O que vos parece?!... acham que é uma boa ideia?!...

Se quiserem, podem sugerir alimentos (na caixa de comentários ou por e-mail) que gostassem de ver explorados, que eu terei o maior prazer em dar resposta às vossas sugestões...

Fiquem Bem e tenham um dia muito Feliz!

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D