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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

13
Out21

Pai...


Pai, a Minha Sombra és Tu

a cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma

e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu

Jorge Reis-Sá, in "A Palavra no Cimo das Águas"

 

Sagres_CSV.jpg

O Nosso lugar...

 

13
Out20

Pai, dizem-me que ainda te chamo...


Pai, dizem-me que ainda te chamo, às vezes, durante
o sono - a ausência não te apaga como a bruma
sossega, ao entardecer, o gume das esquinas. Há nos
meus sonhos um território suspenso de toda a dor,
um país de verão aonde não chegam as guinadas
da morte e todas as conchas da praia trazem pérola. Aí

nos encontramos, para dizermos um ao outro aquilo
que pensámos ter, afinal, a vida toda para dizer; aí te
chamo, quando a luz me cega na lâmina do mar, com
lábios que se movem como serpentes, mas sem nenhum
ruído que envenene as palavras: pai, pai. Contam-me

depois que é deste lado da noite que me ouvem gritar
e que por isso me libertam bruscamente do cativeiro
escuro desse sonho. Não sabem

que o pesadelo é a vida onde já não posso dizer o teu
nome - porque a memória é uma fogueira dentro
das mãos e tu onde estás também não me respondes.

Maria do Rosário Pedreira, in 'Nenhum Nome Depois'

 

DSC08587 (2).JPGO Nosso Lugar...

 

13
Out19

Para Ti...


Hoje, escrevo para Ti, Meu Querido Pai...

Se fosses vivo, completarias, hoje, 90 anos (que bela idade!)... mas, infelizmente, há muito que me deixaste (apenas fisicamente, eu sei!)... tempo de mais... demasiado cedo... mas... "é a Vida" (como, sempre, me dizias)...

Não te preocupes, não vou queixar-me da Vida, nem das suas circunstâncias... sempre me ensinaste a ser corajosa (modéstia à parte, até, acho que nem te saiste nada mal...), a encarar a Vida "de frente", a assumir, a aceitar e a integrar os acontecimentos da Vida (causados por mim ou por terceiros)... a "dar a volta por cima", a lutar para mudar o que não me agradava, a renascer a cada "tropeção" ("só se levanta quem cai", como Tu dizias...), a não ter medo nem vergonha de expressar sentimentos e opiniões (mesmo que o resultado final não seja o esperado)... a ser humilde, genuína, honesta, generosa, tolerante, leal, AMIGA...

Ensinaste-me o valor da Liberdade (teria, eu, uns quatro anos!... um dia conto, por aqui...), algo que tanto prezavas e respeitavas...

Ensinaste-me tantas coisas que não "cabem" em palavras... és a prova clara de que sabedoria e instrução (académica) são coisas bem distintas... eras bem mais sábio, com a tua 4ªclasse, do que eu, alguma vez serei, com os meus sucessivos graus académicos...

Foste o Meu Melhor exemplo, o Meu Melhor Professor... nunca falavas das coisas antes de as fazeres... primeiro exemplificavas (fazendo) e depois explicavas-me o procedimento e as razões subjacentes a cada pormenor... ensinaste-me a ser curiosa... a não ter medo de questionar e de assumir (o) que não sabia... ensinaste-me que a dúvida corrói e que não devemos viver com ela...

Ensinaste-me a AMAR a Vida e tudo o que ela contém (sem lhe querer subtrair peças)...

Ensinaste-me a ser uma Pessoa, com gente dentro (como Tu eras!)...

AMO-TE Muito!

 

Sagres

Sagres... (...do Nosso lugar...) 

 

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