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Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

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12
Jun19

Burnout: algumas estratégias de prevenção...


Hoje... regresso a um tema que já abordei em dois post's (aqui e aqui), no blog: o burnout!

Lamentavelmente, é um problema muito sério e com grande impacto negativo na vida de muitos trabalhadores, o que lhe valeu a integração na lista de doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Partilho um artigo sobre o tema, que considero bastante pertinente e educativo...

Deixo, também, algumas notas sobre estratégias de prevenção do burnout...

Para prevenir eficazmente o burnout, além de dotar o trabalhador de estratégias para enfrentar determinadas situações da sua actividade laboral, é imprescindível actuar sobre as condições laborais e o ambiente de trabalho. Devem, assim, considerar-se três níveis de actuação (organizacional; interpessoal e individual).

 

1) Intervenções sobre o nível organizacional:

  • Programas de socialização antecipatória: facilitam o desenvolvimento de estratégias individuais para enfrentar as expectativas irreais que os profissionais têm sobre a profissão. Questionam-se os ideais e analisam-se as divergências de como se realizam as tarefas no trabalho e como deveriam realizar-se.
  • Programas de retro-informação: mediante aplicação de questionários de satisfação, aos utilizadores dos serviços, obtém-se informação sobre a actividade e o serviço que os profissionais oferecem.
  • Desenvolvimento organizacional: o objectivo é melhorar os processos de renovação e a resolução de problemas das organizações.

 

2) Intervenções sobre o sistema interpessoal:

burnout tem a sua origem na deterioração das relações interpessoais dos profissionais que integram uma equipa de trabalho, assim como na relação dos profissionais com os utilizadores dos serviços. Pines (1983) descreve diferentes formas de oferecer apoio social no trabalho, nomeadamente:

  • Escutar a pessoa, de forma activa, mas sem emitir conselhos ou juízos de valor.
  • Dar apoio técnico, recorrendo a peritos que informem o trabalhador de como realizar o seu trabalho.
  • Estimular os profissionais a identificar necessidades e desafios, promovendo a criatividade e envolvimento no trabalho, com a ajuda de outros profissionais peritos.
  • Apoio emocional aos trabalhadores.

 

3) Intervenções sobre o indivíduo:

  • Treino de resolução de problemas.

Pretende ajudar os profissionais a resolver problemas e melhorar a sua tomada de decisão. Facilita o reconhecimento e a identificação do problema, assim como a resposta impulsiva perante o mesmo. Apresentam-se diferentes alternativas de resposta face ao problema e propõem-se formas para escolher a resposta mais adequada e verificar a sua adequação.

  • Treino da gestão eficaz do tempo.
  • Melhoria de habilidades sociais, de comunicação e de gestão de emoções.
  • Adopção de estilos de vida que favoreçam um distanciamento mental do trabalho em horário extra-laboral, como praticar desporto, recorrer a técnicas redutoras da ansiedade (hipnose, ioga, meditação).
  • Tornar os objectivos explícitos, reais e exequíveis.
  • Técnicas cognitivo-comportamentais.

O objectivo destas técnicas visa ajudar o profissional a alcançar um alívio dos sintomas de stress, mediante reestruturação dos pensamentos, enfrentamento do stress, terapia relacional-emotiva, afirmação encoberta, teste comportamental.

 

24
Abr19

Síndrome de burnout e suas consequências...


Hoje, regresso a um tema que já abordei, aqui, no blog: o burnout

“O burnout é um esgotamento físico e mental que está ligado ao exercício da profissão em condições físicas, emocionais, cognitivas e comportamentais desgastantes e acima da capacidade da pessoa lidar com elas", explica a psiquiatra Maria Antónia Frasquilho”, in Observador.

“Há três características que definem a síndroma de burnout: a despersonalização (quando a pessoa começa a ser insensível, cínica ou indiferente em relação aos problemas e aos sentimentos dos outros); a sensação de baixa auto-eficácia (que leva a insatisfação e a um sentimento de incompetência) e a exaustão emocional. "Quer dizer que aquilo que eu sempre gostei de fazer, agora massacra-me, cansa -me", explica o psicólogo clínico David Barreira, in Sábado

Trata-se de um quadro clínico complexo, que apresenta um desenvolvimento contínuo e flutuante, no tempo, em que se podem observar três fases [1ª fase: stress psicossocial, em que se produz um desequilíbrio entre as exigências e os recursos; 2ª fase: situação de tensão psico-fisiológica; 3ª fase: alterações de comportamento].

As consequências são múltiplas e variadas e não afectam, apenas, o trabalhador que sofre, mas também a sua rede de contactos (família, amigos) e a organização onde este desenvolve a sua actividade profissional.

 

Consequências para o profissional:

  • Físicas: cansaço; perda de apetite; mal-estar geral; problemas osteo-articulares (dores lombares; dores cervicais; contracturas musculares); alterações imunológicas (aumento das infecções; alergias; problemas dermatológicos); problemas cardíacos (palpitações; dor pré-cordial; hipertensão arterial); problemas respiratórios (catarro frequente; crises de taquipneia; crises asmáticas); problemas digestivos (gastrite; úlcera duodenal; náuseas; diarreia); alterações do sistema nervoso (enxaquecas; perturbações do sono, sobretudo, insónia; sensação de vertigem); problemas sexuais (impotência; ausência de ejaculação; vaginismo); alterações hormonais (transtornos menstruais, nas mulheres).

 

  • Emocionais: esgotamento; sentimento de vazio e fracasso; baixa tolerância à frustração; sensação de impotência perante os problemas; nervosismo; inquietação; dificuldade de concentração (esquecimentos frequentes, falta de atenção e memória); tristeza com tendência a depressão; falta de compromisso laboral; escassa ou nula realização pessoal; baixa auto-estima; despersonalização.

 

  • Comportamentais: comportamentos aditivos (tabaco; álcool; medicamentos), irritabilidade; mudanças bruscas de humor; hostilidade; isolamento; agressividade; cinismo; problemas conjugais; falta de eficácia; diminuição da capacidade para tomar decisões; menor rendimento e absentismo laboral.

 

Consequências familiares e pessoais: deterioração da vida conjugal e familiar; isolamento, com consequente deterioração das relações sociais.

Consequências para a entidade empregadora: conflitos com outros profissionais; ineficácia na actividade diária; diminuição da qualidade dos serviços prestados; mudanças recorrentes de posto de trabalho; absentismo laboral; acidentes de trabalho.

 

29
Mar19

Acerca do Burnout...


O burnout é um processo dinâmico e desenvolve-se por acumulação de estímulos.

Pode aparecer mais tarde ou mais cedo, dependendo das expectativas que cada pessoa tenha face à sua realização pessoal com o trabalho.

Ocorre, geralmente, depois de se verificar que o processo "idílico" inicial, de realização e aporte pessoal, não corresponde aos resultados de reconhecimento esperados.

É descrito como um tipo específico de stress laboral a que se encontram, particularmente, susceptíveis os profissionais de saúde, no seu desejo em adaptar-se e responder eficazmente a um excesso nas exigências e pressões laborais.

Resulta da tensão, da exigência e do esforço excessivos, componentes que afectam negativamente o rendimento e a qualidade do desempenho profissional.

Trata-se de um quadro clínico, cujo curso evolutivo apresenta um desenvolvimento contínuo e flutuante no tempo, em que se podem descrever três fases [1ª fase: stress psicossocial, em que se produz um desequilíbrio entre as exigências e os recursos; 2ª fase: situação de tensão psico-fisiológica; 3ª fase: alterações de comportamento].

As consequências são múltiplas e variadas e não afectam, apenas, o trabalhador que sofre, mas também a organização onde este desenvolve a sua actividade.

Agora, mais do que nunca, vivemos tempos difíceis, em que o grau de exigência e o avolumar de tarefas é cada vez maior, coexistindo com a degradação das condições de trabalho e de vida, por força do aumento da carga laboral e diminuição da retribuição financeira, com graves implicações na vida pessoal do trabalhador e da sua família.

Nas actuais circunstâncias é muito difícil encontrar motivação, por mais que se goste do trabalho que se faz, para manter o nível de excelência no desempenho da actividade profissional e aumentar a produtividade, que nos é exigida diariamente.

Por isso, é de suma importância o desenvolvimento de estratégias de prevenção do burnout, quer por parte do trabalhador, quer da entidade empregadora.

Partilho um vídeo da revista VISÃO que, esta semana, decidiu trazer à capa este tema tão importante (e preocupante), que afecta cada vez mais pessoas...

 

Dia Feliz!