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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

24
Set19

"Vamos falar de Demência"...


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Ao longo do mês de Setembro irá assinalar-se, em todo o Mundo, o mês da Doença de Alzheimer (DA). O lema da campanha internacional deste ano: "Vamos falar de Demência" pretende combater o estigma associado à doença e alertar para a especificidade e exigência dos cuidados que estas pessoas necessitam, ao longo da sua vida.

A DA engloba cerca de 50% a 70% de todos os casos de Demência sendo, por isso, a forma mais comum. O seu nome deve-se a Alois Alzheimer, médico alemão que, em 1906, descreveu a patologia pela primeira vez. É uma doença neurodegenerativa, caracterizada pela deterioração global, progressiva e irreversível de diversas funções cognitivas (memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, entre outras). Esta deterioração provoca alterações no comportamento, na personalidade e na capacidade funcional da pessoa, dificultando a realização das suas actividades de vida diária. As células cerebrais vão sofrendo uma redução, de tamanho e número, formando tranças neurofibrilhares no seu interior e placas senis no espaço exterior existente entre elas. Esta situação compromete (inviabiliza) a comunicação dentro do cérebro e danifica as conexões (ligações) existentes entre as células cerebrais, que acabam por morrer, o que se traduz na incapacidade de recordar a informação, razão pela qual, à medida que a DA vai afectando as diversas áreas cerebrais, vão-se perdendo determinadas funções ou capacidades.

Qualquer pessoa pode desenvolver a DA. No entanto, é mais frequente ocorrer após os 65 anos. A taxa de prevalência da demência aumenta com a idade. A nível mundial, a demência afecta 1 em cada 80 mulheres, com idades compreendidas entre os 65 e 69 anos, sendo que no caso dos homens a proporção é de 1 em cada 60. Nas idades acima dos 85 anos, para ambos os sexos, a demência atinge, aproximadamente, 1 em cada 4 pessoas.

Existem dois tipos diferentes de DA. A DA esporádica que pode atingir adultos de qualquer idade, mas ocorre, habitualmente, após os 65 anos, constitui a forma mais comum e afecta pessoas que podem ter, ou não, antecedentes familiares da doença. Até à presente data o único factor de risco evidente para o seu desenvolvimento parece ser a existência prévia de um traumatismo craniano severo. A DA Familiar é uma variante mais rara, em que a doença é transmitida de uma geração para outra. Se um dos progenitores tem um gene mutado (alterado), cada filho terá 50% de probabilidade de herdá-lo. A presença do gene traduz a possibilidade da pessoa desenvolver a DA, normalmente, entre os 40 e 60 anos. Este tipo de DA afecta um número muito reduzido de pessoas.

Não existe qualquer teste específico para identificar a DA. O diagnóstico é realizado após uma observação clínica cuidadosa (pelo neurologista e/ou psiquiatra) que deverá incluir: historial clínico detalhado, exame físico, neurológico e do funcionamento intelectual, avaliação psiquiátrica e neuropsicológica e análises laboratoriais ao sangue e urina.

Nas fases iniciais, os sintomas da DA podem ser muito subtis, manifestando-se, frequentemente, por lapsos de memória e dificuldade em encontrar as palavras certas para objectos do quotidiano. Estes sintomas agravam-se à medida que as células cerebrais vão morrendo e a comunicação entre estas fica alterada.

Outros sintomas característicos:

• Dificuldades de memória persistentes e frequentes, especialmente, de acontecimentos recentes;

• Apresentar um discurso vago durante as conversações;

• Perder entusiasmo na realização de actividades, anteriormente apreciadas;

• Demorar mais tempo na realização de actividades de rotina;

• Esquecer-se de pessoas ou lugares conhecidos;

• Incapacidade para compreender questões e instruções;

• Deterioração de competências sociais;

• Imprevisibilidade emocional.

Os sintomas variam e a doença progride a um ritmo diverso, atendendo às áreas cerebrais lesadas e à predisposição do indivíduo afectado. As capacidades do doente podem alterar-se de dia para dia ou, até, durante o mesmo dia, com tendência a piorar em períodos de exposição ao stress, fadiga e a outros problemas de saúde. No entanto, é certo que existirá uma deterioração ao longo do tempo, visto que, a DA é progressiva e degenerativa e, actualmente, irreversível.

 

Para mais informações, consulte: Alzheimer Portugal

 

03
Jul19

Demência: Uma Prioridade de Saúde Pública?!...


 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a Demência, uma prioridade de Saúde Pública, revelando que, a cada 4 segundos, é diagnosticado um novo caso de Demência.

Actualmente, cerca de 35,6 milhões de pessoas vivem com demência. Este número deverá duplicar até 2030 (65,7 milhões) e mais que triplicar em 2050 (115,4 milhões), mas a realidade continua a ser ignorada. Em Portugal, estima-se que, o número de pessoas afectado por esta patologia, ronde os 150.000. 

Cuidar de pessoas com demência requer um investimento financeiro (estatal) substancial, incluindo a prestação de cuidados de saúde e serviços sociais, assim como a redução ou perda de rendimentos dos doentes e dos seus cuidadores.

Muito poucos são os países, que têm um plano de actuação para as Demências. A OMS incita os governos, de todo o mundo, a desenvolverem um Plano Nacional para as Demências, com soluções e abordagens que impulsionem o diagnóstico precoce, sensibilizem a opinião pública para a doença, reduzam o estigma e proporcionem um melhor atendimento e mais apoio aos cuidadores.

Nesse sentido, há pouco mais de um ano, a 19 de Junho de 2018, foi publicado o Despacho 5988/2018  que, aprovou a "Estratégia da Saúde na Área das Demências e determina a constituição e a composição da Coordenação do Plano Nacional da Saúde para as Demências" (do qual se aguardam "resultados"). 

Cuidar de alguém com Demência constitui uma tarefa muito cansativa (física e emocionalmente) e uma enorme fonte de stress.

As famílias/cuidadores podem, facilmente, ver-se privados dos contactos sociais, sobretudo, se não tiverem possibilidade de deixar a pessoa de quem cuidam.

Os intervalos na prestação de cuidados proporcionam uma pausa necessária nas responsabilidades e exigências de cuidar de alguém com Demência, permitindo às famílias/cuidadores descansar, sair, trabalhar ou ir de férias.

Para muitas pessoas, fazer um interregno regular na prestação de cuidados permite “recarregar baterias” e evitar o desgaste. Do mesmo modo, proporciona ao doente uma oportunidade de socializar e conhecer outras pessoas.

Mas, muitas famílias/cuidadores têm muita dificuldade em fazer uma pausa na prestação de cuidados, sobretudo, porque:

»Colocam o seu bem-estar pessoal em último lugar

»Sentem que não merecem fazer o intervalo

»Desejam a pausa, mas a pessoa de quem cuidam não a quer

»Desconhecem os apoios disponíveis ou estão demasiado cansados para organizar o intervalo

»Sentem que toda a organização vai dar muito trabalho

»Acreditam que são responsáveis por prestar os cuidados à pessoa durante todo o tempo

Existem muitas formas de fazer um intervalo. Pode ser um tempo para o cuidador relaxar e “retemperar forças”, da forma que mais lhe agradar, afastado das rotinas habituais e/ou para o doente se divertir com experiências novas ou conhecidas, nos centros de dia, através da participação em actividades de grupo, cuja duração pode variar entre algumas horas e vários dias por semana.

Alguns centros disponibilizam, ainda, cuidados em horas extra, fins-de-semana e a possibilidade de pernoitar no centro. Outra forma de fazer um intervalo é contratar um cuidador formal que venha a casa. A prestação de cuidados (por cuidadores formais) também pode ser utilizada numa emergência, ou durante um período de tempo mais longo, num lar residencial.

É frequente as pessoas com Demência sentirem-se perturbadas em novos ambientes e junto de pessoas desconhecidas. Por esta razão, é importante planear o intervalo para que a experiência seja positiva, sendo aconselhável começar por intervalos de curta duração e aumentar progressivamente para períodos maiores. Pode ser útil falar com outras famílias/cuidadores no sentido de saber o que fizeram para tornar os serviços de prestação de cuidados numa experiência agradável e obter algumas ideias práticas para lidar com a situação.

É fundamental que todos os familiares/cuidadores cuidem de si próprios. Apesar de difícil, é importante manter um equilíbrio entre as suas próprias necessidades e as exigências diárias de cuidar de alguém com Demência. É essencial manter os contactos sociais, prestar mais atenção à dieta (alimentação) e exercício e organizar pausas regulares na prestação dos cuidados para não ficarem desgastados.

Muitas pessoas encontram apoio e ajuda através da participação em grupos de suporte que, aproximam as famílias/ cuidadores e amigos de pessoas com Demência, sob a orientação de um facilitador de grupo.

Pode encontrar mais informação no site da Associação Alzheimer Portugal:  http://alzheimerportugal.org/pt.

 

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