Carta aberta à Plataforma SAPO
Partilho (e subscrevo), na íntegra esta "carta aberta" do José
Carta aberta à plataforma SAPO
José da Xã 06.09.25
Caríssimos,
Ter um blogue foi para muita gente uma maneira de se tornar mais ou menos conhecido. Mas foi também um mundo que rodou muito para além dos umbigos de cada um dos autores.
Com o tempo a passar em velocidade excessiva e os interesses a dispersarem por outras ideias, a blogosfera definhou.
Muitos dos que escreviam fecharam os seus espaços apenas porque “não dava pica”. Havia o feicebuque, o tiquetoque, o iutube ou o instagrame. Tudo aplicações onde a imagem importava. O resto surgia como supérfluo.
Todos sabemos que nestes modernos dias em que muitos querem viver a vida antes de tempo, escasseia este para olharem o Mundo que os rodeia. Um Mundo ora feito de plástico, de pessoas rapidamente descartáveis e de sentimentos tão frios quão uma pedra de gelo.
Os blogues perderam assim pujança e passaram a ser… dispensáveis.
Só que o lema dos blogues da plataforma SAPO diz “blogs com gente dentro”! Touché!
Mas é essa gente que do dia para a noite deixou de ser visada, especialmente na Página Principal da SAPO. Já faz algum tempo que se percebeu que a blogosfera deste Sapal estaria mais ou menos condenada ao abandono.
As razões para tal nunca foram devidamente explicadas e poderão ter diversas visões estratégicas: custos no alojamento do espaço ocupado, ausência de publicidade e o mais provável as reduzidas visitas. E o resultado das opções editoriais da SAPO foi deixar cair os blogues.
Decisões que levarão ainda muita mais gente a desistir de escrever, o que parece ser algo dramático.
Não vou requerer com esta missiva um lugar ao Sol dentro da SAPO, longe disso. Todavia atirar para o anonimato tantos e tão bons espaços que por aqui poderíamos encontrar, arrisco a dizer que é dar um tiro no próprio pé. É que há ainda muita gente, muita gente mesmo a sentir este universo blogosférico como parte integrante da sua vida.
Imagino que seja difícil reformular a nova página para alojar uma singela ligação a alguns blogues, mas convém jamais olvidar que durante algum tempo a blogosfera foi usada, também, como contrapoder.
Obrigado a todos quantos cuidaram dos meus espaços e muitas vezes os destacaram. Tem sido um privilégio aqui residir. Espero sinceramente continuar por cá!
E vocês, também quererão?
José
PS - As amizades que à sombra desta plataforma se foram cimentando jamais desaparecerão. Esta é uma certeza!
A gente não quer deixar de ler-se por aí...









