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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

26
Mar21

A Liberdade de... Maria


Liberdade
 
És livre quando o teu coração se sente solto, mesmo que o tenhas entregado alguém, se amares e respeitares esse alguém  e de igual modo fores retribuída.
 
Deves trabalhar, mas só és livre dentro desse trabalho se o estiveres a desempenhar com prazer, com gosto, aí nem dás pelas horas passarem e não te sentes presa a ele, ele é parte da tua vida. 
 

A tua família é a tua vida, todos se amam e respeitam, todos se sentem responsáveis uns pelos outros, nunca te sentirás presa por dedicar a tua vida inteiramente a eles, tu és um elemento dela e ela é o melhor que a vida te pode dar, jamais sentirás que a família é uma prisão.

Fazes parte da vida de um País, tens deveres para com ele, mas revoltam-te certas leis, certos impostos que tens que cumprir sob pena de sofrer coimas. Aqui não há como fugir deles, estás presa mas, desde que cumpras a tua liberdade não será afetada.

Este é o meu conceito de Liberdade. Liberdade não é nem nunca foi poder se fazer tudo o que nos apetecer, é poder fazer as coisas com responsabilidade cumprindo as regras para o bom funcionamento de um todo, seja numa relação, num emprego, na família e num país!

A tua Liberdade não é como a água de um rio, que corre e entra em qualquer brecha sem pedir licença a ninguém!

 

rio.jpg

 

Texto e foto da autoria de: Maria

 

18
Out19

A Liberdade de... Maria


A MJP pediu-me um texto sobre a Liberdade de...

Fiquei honrada pelo convite para escrever numa casa que não a minha.

“Todas as vitórias ocultam uma abdicação.”

Simone de Beauvoir

 

“Liberdade, liberdade quem a tem chama-lhe sua,

eu não tenho liberdade nem para pôr os pés na rua”

Meu avô trauteava esta canção quando eu era criança. Tinha imensa pena da senhora, sempre assumi que fosse do sexo feminino, pois eramos educadas para ser recatadas.

Eu tinha tanta liberdade pensava.

Vivia numa ilha e numa cidade pequena, não se falava de pedofilia nem de raptos.

A rua era o meu mundo, onde jogávamos ao berlinde, corríamos o arco, jogávamos à macaca, saltávamos à corda, e de vez em quando “pregávamos” umas partidas aos vizinhos.

Só havia uma regra, o horário de regressar a casa, imposto pela mãe, tinha de ser cumprido ao segundo, qualquer atraso significava dias sem sair. Aconteceu apenas uma vez, tentei negociar, um açoite em vez do castigo, a resposta foi não, fiquei 3 dias sem sair.

E assim fui crescendo convencida que tinha liberdade.

Um dia, no 7º ano do liceu, num teste de OPAN, para os mais modernos – Organização Política e Administrativa da Nação – armada em intelectual, referi que a Constituição de 1933 tinha sido inspirada nos ideais fascistas de Mussolini.

O que fui escrever! Fui chamada à reitoria, o Reitor, um gentleman, alertou-me para a gravidade do que escrevera. 

Meu pai também foi chamado e alertou-me que havia determinados assuntos que não se podia referir.

E assim, descobri que a tal liberdade que pensava ter era muito relativa, estava apenas associada à responsabilidade é à confiança que tinham em mim.

A verdadeira liberdade, a de pensamento, não me era permitida.

Já em casa, meu pai falou-me que na Colónia Penal do Tarrafal, que ficava na ilha onde vivia, havia muitos presos, com histórias sinistras e humilhantes, porque tinham ousado desafiar o poder vigente. 

Foi quando percebi que uns nunca se deixavam subjugar, preferiam perder a liberdade numa prisão, que perder uma outra liberdade muito mais importante - a de  pensamento e do sentido crítico - pois só assim seriam verdadeiramente livres.

Muito obrigada, MJP

 

Texto da autoria de: Maria

 

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