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Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

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10
Set19

Dia Mundial da Prevenção do Suicídio


World Suicide Prevention Day 2019 banner #wspd 2019Imagem: aqui

 

Hoje, 10 de Setembro, assinala-se o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, instituído em 2003, pela IASP (e apoiado pela OMS). Pretende-se, com esta comemoração, disseminar informação, reduzir o estigma e sensibilizar governos, instituições, profissionais de saúde, comunidade escolar, forças de segurança e população, em geral, para esta problemática, que atinge proporções alarmantes e tantas vidas ceifa, anualmente, em todo o Mundo.

Os dados, das investigações mais recentes, dão conta que, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio (25 fazem tentativas falhadas e muitas outras manifestam ideação suicida), o que se traduz em 800 mil vidas perdidas, por ano, em todo o Mundo.

Apesar de, o suicídio, poder atingir qualquer pessoa, a faixa etária correspondente aos 15-29 anos, requer especial atenção (onde o suicídio constitui a segunda causa de morte) sendo, também, mais frequente em indivíduos do género masculino (excepto na faixa etária 15-19 anos). Em Portugal, o comportamento suicidário dos homens é três vezes superior ao das mulheres.

É importante alertar para o facto de se tratar de uma causa de morte prevenível/ evitável, para tal, é fundamental desfazer alguns mitos.

Ao contrário do que, muitas vezes, ouvimos dizer:

  • as ameaças não devem ser ignoradas ou consideradas "chamadas de atenção", devem ser "levadas a sério" e constituir sinais de alerta;
  • após uma tentativa falhada a pessoa não "aprendeu a lição", permanece em risco e precisa de acompanhamento especializado;
  • o suicídio, nem sempre, constuitui um acto de impulsividade, muitas pessoas falam da sua intenção antecipadamente;
  • apesar de se verificar uma forte correlação, nem sempre, quem comete suicídio sofre de perturbação mental;
  • é importante abordar o tema, de forma responsável e aconselhar as pessoas com ideação suicida a procurar ajuda especializada.

 

O suicídio é um fenómeno complexo e multifacetado que requer, por isso, uma abordagem multi e interdisciplinar. 

Em Portugal, existe um Plano Nacional de Prevenção do Suicídio 2013 - 2017 (inserido no Programa Nacional de Saúde Mental), elaborado pela DGS, que se encontra muito aquém do seu cumprimento...

Por outro lado, a Sociedade Portuguesa de Suicidologia, fundada em 2010, tem desempenhado um papel relevante no que concerne à discussão e formação multidisciplinar em torno desta temática.

Muito, ainda, há a fazer, nomeadamente, no que se refere à partilha de informação fidedigna e combate ao estigma...

Partilho um vídeo, disponível no Youtube, que me parece conter informação relevante e acessível, que merece ser difundida... peço-vos, no entanto, que ignorem o final do vídeo, no que se refere aos locais/contactos, dado tratar-se de um vídeo brasileiro...

 

 

Contactos úteis:

Centro SOS-Voz Amiga: ajuda na solidão, ansiedade, depressão e risco de suicídio
Telef.: 21 354 45 45 - Diariamente das 16 às 24h
Telef.: 91 280 26 69 - Diariamente das 16 às 24h
Telef.: 96 352 46 60 - Diariamente das 16 às 24h

Linha Verde gratuita - 800 209 899 / Entre as 21.00 e as 24.00 horas
website: www.sosvozamiga.org

 

Saúde 24

 

02
Set19

Cuidados Paliativos: informar para desmistificar...


Os Cuidados Paliativos (CP), de acordo com a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), adoptada no Plano Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) e na Lei de Bases dos Cuidados Paliativos (LBCP), são:

“cuidados activos, coordenados e globais, prestados por unidades e equipas específicas, em internamento ou no domicílio, a doentes em situação de sofrimento decorrente de doença incurável ou grave, em fase avançada e progressiva, assim como às suas famílias.”

Estes cuidados específicos e especializados têm como principal objectivo: “promover o bem-estar e a qualidade de vida dos doentes e respectivas famílias/cuidadores, através da prevenção e alívio do sofrimento físico, psicológico, social e espiritual, com base na identificação precoce e no tratamento rigoroso da dor e outros problemas físicos, mas também psicossociais e espirituais.”

Apesar do PNCP e da LBCP reconhecerem a complexidade destes doentes, o seu enorme sofrimento e as suas necessidades muito específicas (que só podem ser colmatadas, adequada e eficazmente, com recurso à prestação de cuidados paliativos), a realidade actual demonstra que, infelizmente, poucos são os doentes que sabem o que são cuidados paliativos e, apenas, uma ínfima parte, destes, tem a oportunidade de lhes aceder.

Existem, ainda, inúmeros mitos associados aos Cuidados Paliativos, tais como:

Mito: só beneficia de CP quem está a morrer

Facto: os CP não se destinam só a doentes em fim de vida. Trata-se de uma abordagem holística (integral) que inclui controlo de sintomas, apoio à família/cuidadores, apoio no luto (e muito mais).

A verdade é que os CP visam garantir a melhor qualidade de vida possível até ao fim (da vida). Os doentes paliativos têm doenças graves que culminarão na morte mas, até que esse momento chegue, é importante que vivam sem dor, com sintomas controlados e com o mínimo sofrimento possível. Estudos recentes demonstram que muitos doentes que recebem CP podem viver mais tempo, comparativamente aos que recebem cuidados baseados no modelo curativo (biomédico).

Mito: os CP destinam-se apenas a doentes oncológicos

Facto: todos os doentes com doença crónica progressiva, incapacitante e limitadora da vida podem (e devem) beneficiar de CP.

A verdade é que muitas pessoas continuam a pensar que os CP são só para os doentes com cancro. Quando surgiram os CP, de facto, a maior parte dos doentes cuidados tinham cancro mas, os CP cresceram e desenvolveram-se e, actualmente, cada vez mais doentes não oncológicos, portadores de doenças crónicas incapacitantes, tais como: doenças cardíacas, pulmonares, hepáticas, renais, cerebrais, neurodegenerativas, assim como grandes idosos, são alvo de CP.

Investigações internacionais, recentes, vieram demonstrar que cerca de 70%, de todas as pessoas que morrem, teriam melhor qualidade de vida se tivessem acesso a serviços de CP.

Mito: os CP tratam a dor com recurso a drogas que causam dependência

Facto: os CP são cuidados globais que consideram a pessoa na sua totalidade, providenciando apoio psicossocial e espiritual, para além do controlo de sintomas, incluindo a dor.

A verdade é que a fundadora do movimento hospice (CP) moderno, Dame Cicely Saunders, introduziu o conceito de “dor total” para descrever como os doentes, com doenças crónicas incapacitantes, experienciam o sofrimento em várias dimensões, onde se incluem aspectos físicos, sociais, psicológicos e espirituais ou sofrimento existencial.

Os analgésicos, como a morfina, são essenciais para prestar CP de qualidade, para aliviar a dor e outros sintomas e podem ser usados com segurança, mas outras medidas, tais como, aconselhamento e apoio psicológico e social são também importantes no controlo da dor.

Mito: só existem CP no hospital

Facto: os serviços de CP estão disponíveis em diversos lugares, incluindo hospitais, Unidades (de internamento) de CP (UCP) e no domicílio.

A verdade é que os programas de CP deverão providenciar CP onde o doente e a família se encontrar. Geralmente no lugar a que se chama “casa”, quer seja uma casa privada (domicílio), um centro de dia, um lar ou centro de acolhimento. Na realidade a maioria dos CP são cuidados domiciliários/comunitários. Os CP podem ser, também, prestados no hospital ou em UCP, por curtos períodos de tempo.

Mito: os CP são, regra geral, só para doentes idosos

Facto: os CP destinam-se a pessoas de todas as idades.

A verdade é que as pessoas não gostam de pensar que as crianças também morrem, contudo, uma grande parte dos CP são prestados a crianças. Uma pessoa pode desenvolver uma doença crónica incapacitante em qualquer idade e os programas de CP devem ser concebidos para receber doentes de qualquer faixa etária. Alguns países dispõem de serviços e UCP específicos e exclusivos para crianças.

Mito: qualquer pessoa tem acesso a CP

Facto: apesar de todas as pessoas terem o direito a beneficiar de CP, existem muitos doentes privados do acesso a CP. De facto, apenas cerca de 10% das necessidades de CP, em todo o mundo, se encontram satisfeitas.

A verdade é que o acesso a CP é um Direito Humano. Nenhum Serviço Nacional de Saúde se encontra completo se não incluir serviços de CP acessíveis à população. Todavia, os CP estão muito limitados aos países da Europa Ocidental, América do Norte e Austrália. Apesar dos esforços para expandir os CP para países com escassos recursos económicos, 42% dos países não dispõem de qualquer serviço de CP e 80% das pessoas não têm acesso a medicação adequada para o tratamento da dor moderada a forte.

Em Portugal, o número de equipas domiciliárias e unidades de internamento específicas para estes doentes é, manifestamente, insuficiente para fazer face às necessidades evidenciadas.

 

16
Jul19

Perturbação Mental: sinais precoces e mitos associados...


Sinais precoces

Como identificar sinais precoces de perturbação mental:

Conhecer os sinais precoces que podem indiciar uma perturbação mental, conduz, habitualmente, à procura de ajuda médica mais cedo, o que pode contribuir para a redução da severidade dos sintomas ou, mesmo, retardar ou prevenir o desenvolvimento de uma perturbação mental.

Os sinais e/ou sintomas das perturbações mentais mais severas (tais como a esquizofrenia e a perturbação bipolar) raramente surgem de forma repentina.

A vergonha, o medo, a negação e outros sentimentos podem constituir entraves, para os doentes e/ou as famílias e amigos, no que se refere à procura de ajuda especializada. No entanto, actualmente, com a evolução das diferentes abordagens terapêuticas (farmacológicas e não farmacológicas), é possível ajudar e tratar de forma segura e eficaz.

  

Quais os sinais de "alerta"?

* Perda de interesse ou abandono do convívio com as pessoas habituais

* Alteração na maneira habitual de "funcionar" (na escola, no trabalho ou em casa)

* Problemas de concentração, memória, ou do pensamento lógico e da maneira de falar, difíceis de explicar

* Aumento da sensibilidade ao som, luz, cheiros e evitamento de locais barulhentos

* Falta de vontade ou desejo de participar nas actividades habituais, ou apatia

* Uma vaga sensação de estar desligado de si próprio e dos que os rodeiam (sensação de "irrealidade")

* Crenças pouco habituais ou exageradas acerca de poderes pessoais em compreender significados ou de mudar acontecimentos

* Medo ou desconfiança dos outros ou uma estranha sensação de se sentir nervoso

* Alterações graves no padrão de sono ou no apetite

* Alteração dos hábitos de higiene

* Oscilações grandes e bruscas nos sentimentos, ou nos níveis de energia

 

Mitos

Regra geral, as pessoas receiam falar sobre saúde mental, porque existem muitos mitos associados às doenças/perturbações mentais. É fundamental conhecer a realidade para combater a discriminação e a exclusão social.

1. Mito: Não há esperança para os “doentes mentais”

Realidade: Todos os dias surgem novos tratamentos e novas abordagens para combater a perturbação mental. A imagem do passado, do doente mental que não conseguia funcionar ou ser produtivo, já não é uma realidade. Actualmente, as pessoas com perturbação mental podem ser activas e produtivas.

2. Mito: As pessoas com doença mental são violentas

Realidade: A maioria das pessoas afectadas por perturbações mentais não é mais violenta do que a população, em geral. (É muito provável que conheça alguém, muito perto de si, que sofre de uma perturbação mental... e, provavelmente, nem se apercebeu).

3. Mito: As doenças mentais não me atingem

Realidade: As perturbações do foro mental são muito frequentes; podem atingir qualquer pessoa, independentemente da idade, etnia, religião, género, orientação sexual, personalidade, nacionalidade, condição económica e/ou social...

4. Mito: As doenças mentais surgem nas pessoas fracas de carácter

Realidade: Cada pessoa tem as suas características específicas e já foi amplamente demonstrado (cientificamente)  que as perturbações mentais têm origem multifactorial (variáveis genéticas, biológicas e psicológicas,  condições sociais adversas ou fatores ambientais).  Existem famílias com vários casos da mesma perturbação mental e há factores sociais que podem precipitar o aparecimento da perturbação, como, por exemplo, o desemprego de longa duração.

5. Mito: Os medicamentos são químicos e provocam dependência

Realidade: A evolução das Ciências da Saúde tem esmiuçado o conhecimento sobre o corpo humano e as alterações que as doenças provocam, assim como o desenvolvimento dos medicamentos para as tratar, tornando-os seguros e eficazes, aliados a terapias não farmacológicas. 

6. Mito: As psicoterapias e auto-ajuda são uma perda de tempo

Realidade: A psicoterapia é uma forma de terapia não farmacológica, realizada por técnicos com formação específica (psicólogos, psiquiatras). Muitas vezes são usadas em associação com o tratamento farmacológico.