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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

25
Jul19

Sobre a Vida que há na morte...


A morte é o momento em que a Vida ganha corpo e o corpo se despede da Vida...

Afirmar que a morte é a minha "zona de conforto", talvez faça de mim uma pessoa "estranha", peculiar...

Não se preocupem... não tenho ideação suicida, nem sou depressiva... AMO a Vida e AMO ESTAR VIVA e SENTIR-ME VIVA... mas foi na morte (a partir dela) que encontrei "caminho"... um propósito para a Minha Vida...

Foi depois de ter vivenciado o acontecimento mais terrivelmente doloroso da minha existência (a morte e o morrer do meu pai), que me tornei uma pessoa diferente (talvez só me tenha, mesmo, tornado PESSOA a partir desse evento) e, certamente, melhor...

Encarei a morte do meu pai (resultante de um tumor cerebral) como um fracasso (eu já era enfermeira... "salvava" os outros e não fui capaz de salvar o meu pai), senti uma frustração e uma culpa avassaladoras... a dor tomou conta da Minha Vida (quase enlouqueci, literalmente)... e... o AMOR (dos meus AMIGOS) salvou-me de mim própria, foi a âncora que me prendeu do "lado certo da Vida"...

Decidi que não queria ser vítima de uma dor que ameaçava consumir-me e resolvi dar sentido (e significado) ao sofrimento do meu pai, que tanto me AMOU e AMAVA a Vida (e que, sempre que eu estava triste, me dizia que, "mais vale rir mal do que chorar bem" e que, "chore o diabo que tem os olhos grandes") e merecia que a sua dor não fosse em vão, que fosse transformada em ESPERANÇA, em AMOR...

Sempre acreditei que nada acontece por acaso (que há um propósito para tudo... mesmo que só sejamos capazes de o perceber muito tempo depois...)!

Mas, muitas vezes, questionei os "porquês" e, só muitos anos depois, uma "alma gémea", imbuída da sua Fé inesgotável, me ensinou que só os "para quê" fazem sentido e nos ajudam a evoluir (obrigada "Amiga Linda" por me mostrares o caminho da serenidade... eternamente grata serei...)!

Procurei "conhecer" a morte e as formas de morrer e... encontrei os Cuidados Paliativos (Sir Twycross e depois Madame Hennezel, 2006)... estudei muito, li tudo o que havia para ler, estava ávida de conhecimento... tinha encontrado o meu propósito e o Universo encarregou-se de trazer as circunstâncias "certas" à Minha Vida...  e, assim, no final de 2007, ajudava a dar Vida à primeira equipa domiciliária de Cuidados Paliativos do Algarve...

Aprendi a entender a morte como a última etapa da Vida (independentemente das crenças de cada um), aprendi a respeitá-la e a encará-la como algo natural e expectável, aprendi a conviver com ela sem a temer... deixei-a entrar na Minha Vida e fazer parte do meu Ser e, assim, aprendi a VIVER, a AMAR a Vida e a agradecer cada instante da minha maravilhosa existência, com todos os meus defeitos e limitações, sempre, com muito AMOR no coração...

 

24
Jul19

Sobre a morte e o morrer...


Ontem, ao ler um post da Minha Querida AG, não resisti a fazer esta partilha...

Ao longo de mais de uma década da minha actividade profissional, a morte, foi a minha realidade diária... centenas, são as histórias de vida (e de morte) que tive o enorme privilégio de partilhar...

Quem costuma passar por aqui já percebeu que sou enfermeira (paliativista) e, apesar de me ter afastado do exercício profissional, sê-lo-ei para o resto da vida (de alma e coração)...

No momento da morte não há "filtros", tudo é transparente... as pessoas que estão a morrer adquirem uma clarividência que as transcende... conseguem aceder à nossa alma, aos nossos pensamentos, nada lhes conseguimos esconder (mesmo que queiramos)... 

A morte, como uma cuidadora, uma vez, me disse: "é um momento solene"... não há que ter medo, não é preciso "fingir" que se é forte ou indiferente... só precisamos de SER (nós mesmos, genuínos, fiéis à nossa essência)... de ESTAR e dar expressão às nossas emoções e sentimentos... deixar fluir o nosso sentir... sem culpas, ressentimentos, arrependimentos...

O grande "privilégio" de se ter uma doença crónica, incapacitante, limitadora da vida (fatal), é que nos permite que haja tempo (oportunidade) para "fechar o ciclo", para as despedidas, para as reconciliações, para dizer: AMO-TE... PERDOO-TE... PERDOA-ME... ADEUS...

 

25
Fev19

No rescaldo dos óscares...


No rescaldo dos óscares... apresento-vos o meu (Óscar) favorito:

 

web-oscar.jpg

Gostaria de partilhar um pequenino livro GENIAL... "um hino à VIDA!"... considero que é daqueles livros que todo o cidadão deveria ser "obrigado" a ler!...
 
"Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa" relata a amizade entre uma criança com leucemia e uma voluntária que o visita, assiduamente, na ala pediátrica do Hospital onde está internado. No decurso das conversas, ambos combinam que: «cada dia equivale a dez anos». A partir de então, o pequeno Óscar imagina que avança no tempo e que desfruta da vida nas suas diferentes idades. Cria um "Mundo paralelo" , tendo por base a cor dos sonhos e da fantasia, e desafia a morte com um olhar irreverente e comovente...

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