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Liberdade aos 42

Liberdade aos 42

29
Set20

Use o Coração...


World-Heart-Day-2020-Poster-Mosaic-Portuguese.jpg

 

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, sendo responsáveis por mais de um terço da mortalidade total. Não podemos ignorar que antes da pandemia morriam cerca de 100 pessoas por dia, devido a patologia cardiovascular. Nestes primeiros seis meses de pandemia esse número ainda é superior.

No Dia Mundial do Coração chamamos a atenção para que a inegável gravidade da pandemia Covid-19, não deve obscurecer outras pandemias, como a das doenças cardiovasculares, que devido aos progressos da medicina, são hoje em dia doenças em grande parte evitáveis. Para agravar a atual situação cardiovascular, é bem conhecido que o Sars-Cov-2 pode causar doença vascular, provocada pela resposta imunitária com libertação de citoquinas inflamatórias. Em consequência, os doentes podem vir a sofrer enfartes do miocárdio, miocardites que eventualmente evoluem para insuficiência cardíaca e até causar morte súbita, AVCs e, claro, também doenças de outros órgãos.

A adoção de medidas de estilo de vida saudável e o controlo dos fatores de risco têm um efeito duplo, ao contribuir não só para reduzir as doenças cardiovasculares, como também para ajudar na luta contra a Covid-19. Os doentes idosos com fatores de risco controlados (hipertensão, obesidade e diabetes) têm, não só menor risco de sofrer de complicações da Covid-19, como de morrer de doença cardiovascular.

Professor Doutor Manuel Carrajeta

 

 

28
Set20

Alimentos de A a Z... Avelã


No seguimento da rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos a avelã.

 

Alimentos de A a Z_avelã.gif

 

A aveleira (Corylus avellana L.), da família das coriláceas (betuláceas), é um arbusto alto, podendo atingir cerca de cinco metros de altura. Cresce um pouco por toda a Europa (excepto no extremo norte do continente), na Ásia ocidental e central e no norte de África.

Em Portugal, é cultivada sobretudo na região norte. Encontra-se em matas e bosques, mas também em parques e jardins, margens de riachos e sebes. A maioria dos portugueses adquire-as já prontas a comer. No final de 2016, um estudo que resulta da análise de 29 investigações internacionais, publicado pelo jornal médico BMC Medicine, evidenciou os benefícios do consumo avelãs, nomeadamente, a diminuição do risco de doença cardiovascular e da mortalidade associada a cancro, doenças respiratórias, diabetes e infecções. Os especialistas recomendam a ingestão de 20 gramas por dia.

As avelãs eram já conhecidas e muito utilizadas na antiguidade. Existem vários documentos egípcios onde a avelã era mencionada como tendo propriedades terapêuticas, tanto o fruto como o óleo extraído ou as próprias folhas. Sabe-se, também, que fazia parte da alimentação dos povos pré-históricos, existindo já na era terciária, tendo-se encontrado numerosos fósseis de folhas e resíduos de frutos em túmulos neolíticos.

Era muito apreciada por gregos e romanos. Na China, este fruto é cultivado há mais de 5.000 anos. Outrora acreditava-se que uma haste de aveleira em forquilha tinha poderes sobrenaturais, uma crença que perdurou durante anos e anos. Os romanos descrevem as qualidades mágicas dos ramos desta planta para procurarem água no solo e detectar a presença de minerais preciosos.

 

Composição nutricional e bebefícios associados ao consumo

100g de miolo de avelã (ou seja, a parte comestível), contém:

Energia689kcal
Proteína14g
Hidratos de carbono6g
Lípidos66,3g
– dos quais saturados4,9g
– dos quais monoinsaturados52,2g
– dos quais polinsaturados6,2g
– ácido linoleico6,1g
Hidratos de carbono6g
Proteína14g
Sal0g
Fibra6,1g
Vitaminas
– Tiamina0,3mg
– Riboflavina0,16mg
– Niacina1,8mg
– Equivalentes da niacina5,2mg
– Triptofano3,4mg
– Vitamina B60,59mg
– Folatos73µg
Minerais
– Sódio2mg
– Potássio730mg
– Cálcio250mg
– Fósforo270mg
– Magnésio160mg
– Ferro3mg
– Zinco2mg

 

A avelã é muito nutritiva e energética, antioxidante e vermífuga (elimina parasitas intestinais). Recomenda-se em casos de diabetes, tuberculose e hipertensão. É ainda aconselhada a desportistas, grávidas e adolescentes. Rica em arginina, que tem a capacidade de modificar a actividade dos receptores do colesterol, pode reduzi-lo e servir de regulador lipídico.

Na antiguidade, era utilizada principalmente para combater crises de rins, pois atribuíam-lhe a capacidade de dissolver os cálculos. O pólen das flores de aveleira é, também, um bom remédio para combater a epilepsia. Este fruto contém, ainda, inibidores de protease, que têm uma reconhecida acção anticancerígena. As folhas têm uma acção anti-inflamatória e adstringente.

Sendo recomendado como tónico venoso em situação de varizes, este fruto seco também serve para combater a fragilidade capilar e os edemas causados por insuficiência venosa. Esta fruta é ainda anti-diarreica e, em uso externo, alivia varizes, úlceras, hemerróidas e inflamações orofaríngeas. 

 

Na gastronomia

Este fruto combina bem com pratos de aves e caça, pode ser usado para guarnecer pratos de peixe e crustáceos e é, também, muito utilizado na confecção de sobremesas, de bolos, de biscoitos e de cremes. Aconselha-se a conservação do miolo de avelã no frigorífico para evitar que rance.

O seu valor nutritivo será ainda mais preservado se guardar as avelãs com casca e descascá-las só no momento de as utilizar. A manteiga de avelã é mais digestiva que a própria avelã. Em pastelaria, dá uma consistência mais cremosa que a avelã em pó e fica deliciosa barrada no pão.

 

Sugestões de utilização:

Aveludado de couve-flor e avelã

Croquetes de lentilhas com avelãs

Mousse de avelã

Brownie de avelã

Bolo de chocolate e avelãs na caneca

Bolinhos de chocolate e avelã

 

 

https://bmcmedicine.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12916-016-0730-3

https://lifestyle.sapo.pt/saude/peso-e-nutricao/artigos/emagrecer-com-avelas

https://www.vidaativa.pt/avela/

 

14
Set20

Alimentos de A a Z... Aveia


 

No seguimento da rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos a aveia.

 

Alimentos de A a Z_aveia.gif

 

A aveia é um cereal integral, cultivado principalmente na América do Norte e na Europa. É uma fonte de fibra, nomeadamente da fibra betaglucana, vitaminas, minerais (como manganês, fósforo, vitamina B1, ferro, selénio, magnésio e zinco) e antioxidantes. Deverá integrar uma dieta equilibrada e saudável devido aos seus inúmeros benefícios. Pode ser consumida sob a forma de flocos, farelo ou farinha.

Do ponto de vista nutricional, cada 100g de aveia contêm aproximadamente 350 calorias, 17g de proteína e 11g de fibra e 66g de hidratos de carbono.

O amido dos flocos de aveia é responsável pela melhoria da digestão e da saúde intestinal. Como já foi referido anteriormente, no que diz respeito à fibra, esta encontra-se em maior quantidade na forma de fibra solúvel – denominada por betaglucanos.

Por esta razão, a digestão da aveia é feita de forma mais lenta, aumentando a sensação de saciedade e, consequentemente, uma supressão do apetite. Sabe-se que os betaglucanos da aveia reduzem os níveis de colesterol LDL ("mau") e aumentam a produção de ácidos biliares. Por outro lado, reduzem os níveis de açúcar no sangue e, por sua vez, de libertação de insulina após uma refeição rica em hidratos de carbono.

A aveia é constituída por proteína de alta qualidade composta principalmente pela avenalina, substância que não se encontra em mais nenhum cereal sendo semelhante às proteínas das leguminosas. Ao contrário do que se pensa, a aveia não contém glúten na sua constituição, sendo o seu consumo seguro para a maioria das pessoas com intolerância ou hipersensibilidade ao glúten.

No entanto, os seus flocos poderão estar contaminados com outros grãos, como o trigo, tornando-os inadequados para essas mesmas pessoas. Para estes casos, a aveia a ser consumida deve ser a que se encontra certificada como "sem glúten" ou "pura".

Relativamente à relação entre o consumo de aveia e o peso corporal, estudos indicam que a fibra presente na constituição dos flocos de aveia (os betaglucanos), para além de promover a sensação de saciedade, liberta a PYY, uma hormona produzida no intestino que reduz a ingestão calórica e diminui o risco do desenvolvimento de obesidade. Além disso, estudos demonstraram que a introdução de aveia nos bebés pode prevenir, também, o aparecimento de asma crónica, a longo prazo, na criança.

Procure adicionar aos seus iogurtes, leites ou bebidas vegetais os flocos de aveia de forma "crua" ou faça, por exemplo, batidos, panquecas, bolos caseiros ou papas de aveia.

Caso não aprecie o sabor da aveia poderá adicionar canela, frutas, nozes e/ou sementes. Idealmente deve ser consumida durante o pequeno-almoço, como complemento ao seu pré-treino e durante a tarde para o lanche.

 

O que acontece se comer aveia todos os dias?

1 – Reduz o colesterol

As suas fibras são óptimas para o estômago e melhoram o funcionamento da flora intestinal. A sua fibra beta-glucano reduz, ainda, os níveis de colesterol do organismo.

2 – Previne o cancro colorrectal

Alguns estudos concluíram que o consumo diário de aveia poderá, eventualmente, diminuir o risco de desenvolver cancro colorrectal.

3 – Ajuda na perda de peso

Alguns estudos experimentais demonstraram que quem ingere regularmente aveia, sobretudo ao pequeno-almoço, consegue controlar melhor o apetite e, assim, emagrece, porque sente necessidade de comer menos.

4 – Dá energia

A aveia é rica em hidratos de carbono e, por isso, uma boa fonte de energia. O ideal é consumir o cereal moído, para um efeito mais saciante. Além disso, a aveia ajuda, também, o sistema imunitário, pois contém vitaminas B e E.

5 – Previne doenças cardiovasculares

A gordura saudável da aveia protege as células do coração e do sistema circulatório, contribuindo para a prevenção de doenças cardiovasculares.

6 – É rica em proteína

A aveia é o cereal com mais proteína, ácidos gordos e aminoácidos (8 colheres de sopa de aveia contêm 15% da quantidade diária de proteína recomendada).

7 – Facilita a digestão

Como tem fibra, a aveia ajuda ao bom funcionamento do intestino, evitando a obstipação e aumentando a sensação de saciedade.

8 – Melhora o aspecto da pele

A aveia atenua algumas condições inflamatórias da pele, como o eczema e as irritações.

9 – Contém muitos antioxidantes

Como é rica em antioxidantes, a aveia é uma boa aliada no controlo da tensão arterial e ajuda a combater as inflamações do corpo.

 

Sugestões de utilização:

Batido de mirtilos com aveia

Bolachas caseiras de aveia

Bolo de banana e aveia

Hambúrgueres de peru com aveia

Medalhões de novilho em crosta de aveia, mel e nozes

Panquecas de aveia com doce de tomate

Papas de aveia simples

 

https://lifestyle.sapo.pt/saude/peso-e-nutricao/artigos/aveia-e-os-seus-beneficios

https://ncultura.pt/comer-aveia-todos-os-dias/

https://www.celeiro.pt/cuide-de-si/temas-de-saude/aveia

https://nit.pt/fit/06-14-2015-6-razoes-por-que-deve-mesmo-comer-aveia

https://saboreiaavida.nestle.pt/bem-estar/aveia#gs.g2ic5a

https://www.pingodoce.pt/escola-de-cozinha/ingredientes/aveia-o-super-cereal/

https://nabexigamandoeu.pt/blog/alimentacao/propriedades-da-aveia/

 

07
Set20

Alimentos de A a Z... Atum


No seguimento da rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos o saboroso atum!

 

Alimentos de A a Z_atum.gif

 

Os peixes são usados na nossa alimentação há pelo menos 380.000 anos. Espécie migrante, o atum (género Thunnusé um dos peixes mais importantes do ponto de vista pesqueiro. Pertence à família da cavala apesar de apresentar um sabor mais forte. Este tipo de peixe encontra-se nas mais diversas águas do mundo: do Mar Mediterrâneo ao Mar Negro, do Pacífico ao Atlântico passando pelo Índico.

Na Grécia Antiga, já se usava conservar o atum em azeite ou salmoura. Os seus sucessores romanos preferiam o atum fresco e eram bastante exigentes na escolha, o bom atum tinha de vir de Bizâncio (actual Istambul) e ser  em épocas específicas do ano. 

Alguns séculos depois, os habitantes do sul da Sicília iniciaram a tradição de preparar grandes quantidades de atum em conserva, a forma mais popular de consumo, até hoje, no Ocidente. Como o atum só aparecia nas águas daquela região por um curto período de tempo, os sicilianos, a partir do século V, começaram a cortar os peixes obtidos no período de pesca em pequenos pedaços e salgá-los para que se conservassem por mais tempo. Este método de conservação permitiu que o atum fosse levado para cidades longe do mar.

No século XIV, o desenvolvimento das técnicas de conservação de alimentos popularizou ainda mais o atum, tanto no continente Europeu como no Novo Mundo.
Existem diversas variedades de atum incluindo anchova, albacora e atum. Normalmente, a melhor época para a pesca do atum vai de Setembro a Abril.

 

Informação Nutricional
 

O atum é um alimento densamente nutritivo. É uma excelente fonte de  de alta qualidade, é rico numa variedade de  importantes, incluindo os  , e as , niacina, B1, B6 e B12. Os peixes de água fria, como o atum, são uma fonte rica de 

O atum torna-se também rico em  devido ao facto dos óleos que o embalam serem ricos nesta .

 
Composição nutricional
(100g de parte edível)
Atum Fresco CrúAtum Conserva Óleo
Energia (kcal)141214
Água (g)68,761
Proteínas (g)24,124,3
 (g)4,913
 (g)00
Fibra (g)00
 (mg)0,10,02
 (mg)0,560,23
g = grama; mg = miligrama e µg = micrograma. Parte Edível = diz respeito ao peso do alimento que é consumido depois de rejeitados todos os desperdícios. Fonte: Tabela da Composição de Alimentos – Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.
 
 
Vantagens e desvantagens
 

Além de ser uma óptima fonte de proteínas de alta qualidade, como os peixes de modo geral, o atum faz parte do grupo de peixes ricos em  ómega 3, uma  essencial que demonstra ter um efeito protector na saúde cardiovascular. 

O atum também é rico em , essencial para o transporte de oxigénio e para a formação de glóbulos vermelhos no sangue, para a produção de energia e para o sistema imunitário. 

 e o  são  importantes para a saúde dos ossos e dentes e contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico.
O atum é um peixe rico em . O  tem uma importante acção antioxidante, contribuindo para a prevenção de doenças crónicas. 

Na forma de conserva, o atum também é muito rico em . Esse mineral participa em vários processos no organismo, como no funcionamento das contracções musculares, impulsos nervosos, equilíbrio de água no organismo etc. Porém, em excesso, o  pode levar ao aumento da pressão arterial, um dos factores de risco mais importantes para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. 

O atum também é especialmente rico em  B3 (niacina), B6 (piroxidina) e B12 (cobalamina). A niacina participa nos processos relacionados com o material genético, permitindo o crescimento e o desenvolvimento saudável. A  é importante para o bom funcionamento do sistema imunológico. A  juntamente com  diminui os níveis de . A  é um composto intermediário produzido durante o ciclo de metilação, é directamente prejudicial para as paredes da artéria, e níveis elevados de  no sangue são considerados um importante factor de risco para . A  é fundamental para o bom funcionamento das células nervosas e do sistema neurológico, além de participar na produção de glóbulos vermelhos e das células do tecido ósseo.

Porém, o atum contém um composto designado purina. Uma ingestão excessiva em  pode aumentar os níveis de  no sangue (e conduzir ao aperecimento de gota).

 

Como comprar e conservar
 

O peixe fresco deve ter a superfície limpa e brilhante e a carne firme – ao ser pressionada com o dedo a superfície não deve ficar marcada. Quando se compra o atum deve-se certificar que não se apresenta seco ou com manchas castanhas. O olfacto é um bom indicador de frescura. O odor do atum fresco deve fazer lembrar o odor das algas ou da maresia. Um odor muito forte, principalmente que faça lembrar o cheiro do amoníaco, indica que o peixe está deteriorado. Se o atum estiver em postas, a carne deve apresentar-se firme e a cor brilhante. 

Ao armazenar é importante mantê-lo no frio, pois é sensível à temperatura. 

Deve colocar-se o peixe dentro de um recipiente hermeticamente fechado cheio de gelo. Os peixes devem ser colocados na prateleira do frigorífico mais próxima do congelador, que é a sua zona mais fresca. Deve-se repor o gelo uma ou duas vezes por dia. O período de tempo que o atum fresco pode ficar armazenado nestas condições depende da sua frescura. O peixe que foi capturado no dia anterior à compra pode ser armazenado por cerca de quatro dias, enquanto o peixe que foi capturado na semana anterior só pode ser armazenado por cerca de um ou dois dias.

Pode-se estender a vida útil de atum através do congelamento. Para fazê-lo deve colocar-se o atum num recipiente hermeticamente fechado e conservá-lo na parte mais fria do congelador onde se irá manter por cerca de três meses.

Quando se compra atum em lata, deve-se ter o cuidado de verificar o estado intacto da embalagem, e verificar também o prazo de validade do produto.

 

Sugestões de utilização:

Podem encontrar várias receitas aqui.

 

https://saboreiaavida.nestle.pt/bem-estar/atum

https://nationalgeographic.sapo.pt/historia/44-edicoes/156/106-atum

https://www.pingodoce.pt/coleccoes/receitas-com-atum/?pagina=3

https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/peixe-e-produtos-do-mar-rio/1037-atum-em-conserva

https://pescazores.com/conhecer-o-pescado-de-portugal-2-atum-albacora/

31
Ago20

Alimentos de A a Z... Anona


No seguimento da rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos a anona.

 

Alimentos de A a Z_anona.gif

 

Originária das regiões tropicais da América do Sul, a anona, é cultivada em Portugal, sobretudo, na Região da Madeira.

Esta espécie de Anona é, provavelmente, originária do Peru e foi introduzida na Madeira no século XVII pelos Madeirenses que voltavam da América do Sul. A posição da Madeira nas grandes rotas marítimas comerciais explica, também, a exportação considerável desta fruta para o Norte da Europa e o Mediterrâneo. Existem muitos documentos históricos que atestam uma certa quantidade de comércio desta fruta e a sua presença nos mercados de Lisboa e Londres.

Em função da aparência da casca, a anona tem algumas semelhanças com a alcachofra, podendo ser lisa ou escamosa. No primeiro caso a casca é fina, com retículas pouco salientes em forma de “u”, enquanto no segundo apresenta a epiderme mais grossa, sendo as auréolas mais vincadas e de rebordos proeminentes. A sua polpa é, em geral, branca, aveludada e doce. Há quem considere que o seu sabor é uma mescla dos da banana, do abacaxi e com notas de morango, outros comparam-no a uma mistura que, além do paladar daqueles frutos, ainda acrescenta os da manga, da papaia e do côco. 

 

Benefícios e propriedades:

  • Por ser rica em fibras, contribui para o bom funcionamento do intestino e para manter a flora intestinal saudável, além de prolongar a sensação de saciedade e exercer impacto positivo na diminuição dos níveis do colesterol LDL;
  • A polpa da anona, tem propriedades anti-ácidas, exercendo efeito benéfico sobre o estômago, sendo recomendada para quem sofre de gastrite ou de úlcera gastroduodenal;
  • A anona possui um teor considerável de antioxidantes, que ajudam a combater os radicais livres e contribuem de forma positiva para reduzir do risco de desenvolver doenças cardíacas e diabetes;
  • Alguns estudos revelaram a presença de duas classes de fitoquímicos na anona: os flavonóides e as acetogeninas, aos quais são atribuídos efeitos anti-inflamatórios e anti tumorais. Publicações recentes na revista Nutrition and Cancer registaram um efeito protector da anona, por inibição do crescimento tumoral, no carcinoma da mama;
  • À semelhança do que acontece com outras frutas tropicais, muitas pessoas evitam consumir anona por considerarem que “engorda”. De facto, à semelhança da banana e da uva, a anona é um pouco mais calórica e rica em açúcares, no entanto, o importante é a moderação: basta consumir meia anona (cerca de 130g) para usufruir de todas as propriedades benéficas, sem colocar em causa a sua “linha”.

 

Composição nutricional:

100g de anona contêm:

  • 68 calorias
  • 1,5g de proteína
  • 0,2g de gordura
  • 17,1g de hidratos de carbono
  • 3,2g de fibra
  • 179mg de potássio

 

Efeitos adversos:

Embora os potenciais benefícios para saúde sejam bastante interessantes, a anona apresenta compostos tóxicos em doses diminutas. A anonacina presente neste fruto está comprovadamente associada a danos no cérebro e sistema nervoso.

De facto, estudos observacionais realizados em zonas tropicais associam o consumo de anona a um aumento do risco de doença de Parkinson refractária ao tratamento médico.

Todas as partes da anona contêm este composto, mas a concentração é maior nas sementes e pele, pelo que, se as rejeitar, pode consumir o fruto sem medo de efeitos adversos. No entanto, se sofre de doença de Parkinson ou outra doença que afecte o sistema nervoso central, é melhor evitar o consumo de anona.

 

Como escolher:

Escolha anonas que cedam ligeiramente ao toque. Anonas duras estão demasiado verdes e provavelmente são secas. Manchas acastanhadas não são um problema, mas sim um defeito provocado pelos ramos na árvore.

 

Como armazenar e conservar:

Mantenha-as à temperatura ambiente até amadurecerem. De salientar que as anonas amadurecem muito depressa. Depois de maduras, pode mantê-las no frigorífico durante dois a três dias.

 

Como consumir:

De modo a preservar todas as suas propriedades, a anona deve ser preferencialmente consumida ao natural, cortando-a ao meio e retirando-lhe as sementes. Pode também ser transformada em puré e utilizada em geleias, compotas, batidos, sumos, gelados ou sobremesas variadas.

 

Sugestões de utilização:

Anona com lima e camarão chileno

Batido de anona

Bolo de anona

Cheesecake de anona da Madeira com doce de limão

Creme de anona

Mousse de anona

Pudim de anona

 

 

http://www.visitmadeira.pt/pt-pt/o-que-fazer/eventos/pesquisa/anona

https://clinicaspersona.com/anona-beneficios-propriedades/

https://www.vidaativa.pt/anona/

https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/frutos-frescos/940-anona-da-madeira-dop

 

17
Ago20

Alimentos de A a Z... Amendoim


Bom dia a tod@s!

No seguimento da rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos o amendoim.

 

Alimentos de A a Z_amendoim.gif

 

O amendoim é um fruto seco muito apreciado e popular. É ingrediente de alguns produtos de pastelaria e é a partir dele que se pode obter a manteiga de amendoim.

Os amendoins comercializam-se crus ou tostados, salgados, caramelizados, picantes... Podem ser consumidos como aperitivo ou formando parte de grande variedade de pratos. São utilizados para a obtenção de farinha que, misturada com a de trigo, se emprega no fabrico de pão, bolachas e outros produtos de pastelaria.

Dos amendoins também se pode extrair óleo, muito utilizado na gastronomia portuguesa. 

Os frutos secos possuem um elevado valor calórico e por esse motivo o seu consumo deve ser controlado.

 

O amendoim é um excelente alimento que quando consumido com moderação, devido ao seu valor energético, pode constituir uma boa fonte de diversos minerais, vitaminas e fitoquímicos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias na nossa alimentação. Surpreendentemente, o seu valor nutricional é ainda pouco conhecido.

Na composição do amendoim podemos encontrar mais de 20 aminoácidos (100g de amendoim fornecem aprox. 28g de proteína), polifenóis, diversos antioxidantes, vitaminas e minerais. Entre as vitaminas destacam-se a Vitamina E, os folatos e as vitaminas do complexo B, em particular a niacina (Vit. B3) e a vitamina B6. Nos minerais, o amendoim é uma fonte interessante de magnésio, fósforo, potássio, zinco, cobre e manganésio. Recentemente descobriu-se que na sua composição existem ainda resveratrol (um polifenol que pode ser encontrado na película das uvas pretas e no vinho tinto), ácidos fenólicos, flavonóides e fitoesteróis que podem ter um papel importante na regulação do colesterol e na proteção celular. No seu todo, os minerais, vitaminas e substâncias químicas presentes possuem um elevado potencial antioxidante e anti-inflamatório podendo ser muito importantes na luta contra os radicais livres de oxigénio que parecem estar na base da doença cardiovascular e oncológica.

Ainda por cima, os amendoins quando vão ao forno parecem ficar com concentrações aumentadas destes compostos com propriedades bioactivas.

Por outro lado, as gorduras presentes no amendoim, essencialmente insaturadas (mono e poli), podem ter um papel interessante na redução das lipoproteínas de baixa densidade (LDL-C) também conhecido como o “colesterol mau” e na proteção cardíaca, podendo ser mais uma alternativa interessante à gordura de origem animal, como a manteiga, para barrar o pão, por ex.

O amendoim possui diversos aminoácidos, mas falta-lhe a L-metionina, um aminoácido essencial. Este aminoácido encontra-se no pão, em particular no pão integral e noutros cereais integrais. Assim, a manteiga de amendoim e o pão integral, complementam-se bem como fonte proteica.

 

Informação Nutricional
 
Composição nutricional
(100g de parte edível)
Amendoim
Energia (kcal)589
Proteínas (g)25,4
 (g)47,7
 (g)10,1
Fibra (g)8,8
 (mg)0,9
 (mg)0,13
 (mg)180
 (mg)7
 (mg)680

g = grama; mg = miligrama e µg = micrograma. Parte Edível = diz respeito ao peso do alimento que é consumido depois de rejeitados todos os desperdícios. Fonte: Tabela da Composição de Alimentos – Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

 

Devido ao seu elevado valor calórico, o amendoim e em particular a manteiga de amendoim, devem ser consumidos com bastante moderação. Mas podem ser uma excelente opção com elevado valor nutricional face a outras gorduras de origem animal. E uma alternativa energética nos regimes vegetarianos e não só. Um dos grandes problemas da manteiga de amendoim pode ser ainda a sua elevada quantidade em sal e gorduras adicionadas no processo de fabrico, mas a manteiga de amendoim pode ser facilmente produzida em casa, com menor custo, teores de sal reduzidos e sem adição de gordura.

O amendoim é um alimento que gera diversos benefícios, mas deve ter-se em conta que, para os obter, é necessário que se faça um consumo relativamente regular de amendoim e também moderado. Comer amendoins em excesso pode levar a que não se obtenha o retorno desejado.

São muitas as pessoas que têm vindo a aderir à moda dos ginásios. Para os adeptos da actividade física, o amendoim também pode revelar-se um bom aliado, sendo uma fonte de energia que é importante, pois permite melhorar o desempenho na actividade. Além de favorecer a recuperação muscular, também auxilia a atingir os objectivos de quem treina, pois promove a hipertrofia. A presença de magnésio e potássio permite a este alimento contribuir para manter a saúde dos músculos e ainda favorecer a contração muscular.

O amendoim também é rico em antioxidantes (que previnem o envelhecimento precoce), triptofano, um aminoácido essencial (que favorece a produção de hormonas do bem-estar, o que permite diminuir o stress acumulado e melhorar o humor)ácido fólico (que contribui para diminuir o risco de malformação fetal) e previne a anemia.

 

O amendoim deve ser evitado por quem tem pele oleosa, nomeadamente na adolescência, pois este alimento pode mesmo agravar a oleosidade da pele e os problemas de acne. Outro problema que o consumo de amendoim pode causar é azia.

 

Como comprar e conservar:

O amendoim é um fruto seco que não corre grandes riscos de contaminação e por esse motivo não são requeridos grandes cuidados na sua conservação. Basta apenas que se mantenha num recipiente fechado, em ambiente fresco e seco, de forma a aumentar o seu tempo de prateleira.

O amendoim pode ser útil para a saúde, mas na cozinha também o é. Pode comprá-lo cru e depois em casa optar por torrá-lo, colocando no forno por 10 minutos, uma boa opção é criar uma pasta. Basta colocar o amendoim no liquidificador e triturá-lo até ter uma consistência cremosa.

Por isso, apesar de idealmente poder ser consumido fresco e cru são várias as criações gastronómicas que recorrem a este ingrediente para fornecer aquele toque especial aos pratos. As sobremesas são as que mais usam o amendoim, pois as suas características tornam-no num alimento particularmente enriquecedor para bolos, chocolates e doçarias.

 

https://nutrimento.pt/noticias/o-amendoim-e-a-saude/

https://ncultura.pt/conheca-os-beneficios-do-amendoim/

https://saboreiaavida.nestle.pt/bem-estar/amendoim#gs.dm9sm0

 

10
Ago20

Alimentos de A a Z... Amêndoa


Dando seguimento à rubrica Alimentos de A a Z, hoje, apresento-vos a amêndoa!

 

Alimentos de A a Z_amêndoa.gif

 
A história mítica de Portugal anda em grande parte ligada aos amendoais. São bem conhecidas as histórias de princesas nórdicas que, raptadas ou vindas de livre vontade para Portugal, definham por falta das suas neves natais e de como os estimados consortes plantam ocultamente amendoais para que, na altura da floração (Janeiro/Fevereiro), elas se julguem rodeadas de neve devido ao branco rosado das suas flores. A introdução da amendoeira está documentada a partir do século XII e terá sido introduzida pelos Árabes. A cultura em Portugal definiu-se em dois pólos distintos — o Duriense e o Algarvio. É no século XVI e XVII que a amêndoa algarvia começa a ser exportada, principalmente para Inglaterra. É de referir que o mercado belga cotava a amêndoa algarvia a preços superiores, denominando-a Faro's almonds.
 
A amêndoa (Amygdalus comunis) é o caroço do fruto da amendoeira, uma árvore de porte médio que dá flores perfumadas, cor-de-rosa e brancas. Originárias de regiões da Ásia ocidental e da África do Norte, a amendoeira, tal como outras árvores semelhantes, o pessegueiro, a cerejeira e a ameixoeira, produz frutos que contêm dentro um caroço. É a este caroço que chamamos amêndoa.
 
As amêndoas podem ser durázias ou de casca dura (as mais vulgares), molares (possuem um caroço frágil) e as cocas, cuja casca se parte com os dedos. A amêndoa é uma drupa proveniente de um híbrido de A. bucharica e A. fenziliana. Apresenta, mais vulgarmente, as seguintes dimensões: 30 mm de comprimento por 20 mm de largura e 15 mm de espessura. O miolo representa cerca de 25% do peso da amêndoa e pesa aproximadamente 1,5 g.


A amêndoa é encontrada de duas formas: a doce, de uso mais amplo, e, a amarga de sabor marcante que deve ser consumida com bastante moderação. Um dos componentes da amêndoa amarga, o ácido cianídrico, pode causar sérios problemas de saúde. Normalmente este tipo de amêndoa é utilizado na indústria na fabricação de aromatizantes, mas sempre em pequenas proporções.

 

Informação Nutricional
 

A amêndoa é rica em proteínas (20% de sua composição),  E, B1, , fibras e  (aproximadamente 50%) do tipo insaturada, sendo a maior parte monoinsaturada, que, associada a uma dieta saudável, pode ajudar a controlar as taxas das LDL-, o conhecido 'mau '.

 

Composição nutricional
(100g de parte edível)

Amêndoa
Energia (kcal)643
Água (g)4,9
Proteínas (g)21,6
 (g)56
dos quais monoinsaturados (g)34,5
 (g)7,2
Fibra (g)12
 (mg)0,21
 (mg)24
 (mg)410
 (mg)860
g = grama; mg = miligrama e µg = micrograma. Parte Edível = diz respeito ao peso do alimento que é consumido depois de rejeitados todos os desperdícios. Fonte: Tabela da Composição de Alimentos – Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.
 
 
Vantagens e desvantagens
 

A amêndoa é um fruto rico em , mineral que desempenha um papel importante na regulação da , no equilíbrio dos fluídos do corpo e na contracção muscular. Tem um leve efeito diurético pelo seu conteúdo em água e , que poderá ser benéfico no caso de  e hipertensão arterial ou em caso de perdas excessivas de , como durante a utilização de diuréticos. É desaconselhado em casos de insuficiência renal, visto que nesta condição o consumo de  é restrito.

A amêndoa também é rica em , o segundo mineral mais abundante no organismo e cerca de 80% está localizado nos ossos e dentes. O  está presente em todas células do organismo onde desempenha funções muito variáveis e todas elas da maior importância. Tem relevante papel na formação molecular do ADN e do ARN, bem como do ATP,  tri-fosfato. As células utilizam-no para armazenar e transportar a energia na forma de fosfato de 

 é um nucleosídeo formado pela união de uma adenina com uma ribose.

, igualmente presente em boa quantidade na amêndoa, desempenha funções a nível da transmissão neuromuscular, participa na regulação dos fluxos através das membranas celulares, coadjuva a actividade de algumas  em variados processos enzimáticos, e está envolvido na replicação de ADN.

, também presente, é um mineral importante para a função imunitária e reprodutiva e participa no metabolismo de inúmeros componentes no organismo.

 está presente em variadas reacções químicas no nosso organismo, funcionando como co-enzima. É necessária na metabolização das proteínas,  e ácidos nucleicos.

 evita a oxidação e protege a integridade de diversos componentes celulares, nomeadamente das lipoproteínas que transportam o  no sangue e ajudam, assim, a prevenir problemas cardiovasculares.

Por fim, os compostos encontrados na pele das amêndoas parecem ajudar o organismo a combater os vírus mais comuns que causam gripe e constipações.

 
Como comprar e conservar
 

Ao adquirir amêndoas, observe a casca, e certifique-se que esta não se apresenta rachada, bolorenta ou com manchas. Se adquirir amêndoas descascadas prefira as que estejam em embalagens hermeticamente fechadas. Se comprar amêndoas que sejam conservadas em grandes recipientes assegure-se de que existe uma grande rotação de produto, e que este se encontra bem fechado protegido do calor, do ar e da humidade de forma a garantir a máxima frescura. Procure as amêndoas que apresentem uma cor uniforme, textura firme e cheiro adocicado.

Uma vez que as amêndoas possuem elevado conteúdo em , é importante conservá-las correctamente, de forma a protegê-las da rancificação. As amêndoas descascadas devem ser colocadas num recipiente bem fechado, num local fresco e seco, protegidas da luz solar. Manter as amêndoas frescas irá protegê-las da rancificação e prolongar a sua frescura. As amêndoas refrigeradas podem ser conservadas por longos meses. Se forem mantidas no congelador podem ser conservadas por mais de 1 ano. Pedaços de amêndoa descascados rancificam mais rapidamente que amêndoa inteira descascada. As amêndoas conservadas com casca possuem um tempo de vida mais longo.

 
Como utilizar
 

A amêndoa (ou seja, o miolo da amêndoa) é consumida como aperitivo, ao natural, salgada ou torrada. Pode também ser consumida coberta de açúcar ou de chocolate. Entra também na maior parte da doçaria regional. Por possuir um sabor delicado é muito utilizada na confeitaria como base de sobremesas, bolos e tortas. Pode ser usada sob a forma de farinha, em lascas, inteira e até mesmo como "leite". O principal benefício do leite de amêndoas é a ausência de lactose, o que faz desta bebida ideal para quem tem intolerância ou  à lactose e também à soja. É usada, também, na indústria farmacêutica e cosmética.

 

Sugestões de utilização:

Smoothie de nectarinas e amêndoa

Madalenas de leite condensado e amêndoa

Bolo de maçã e amêndoa

Tarte de amêndoa tradicional

Bolinhos de amêndoa

 

 

https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/frutos-secos-secados-e-similares/274-amendoa-do-algarve

https://saboreiaavida.nestle.pt/bem-estar/amendoa#gs.cfnge4

 

03
Ago20

Alimentos de A a Z... Ameixa


 

Dando sequência à rubrica "Alimentos de A a Z", hoje, apresento-vos a ameixa.

 

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Existe um vasto número de espécies de ameixas espalhadas pelo mundo. Pensa-se que a ameixa europeia tenha sido descoberta há cerca de dois mil anos atrás, sendo originária da área próxima do Mar Cáspio.

Já na época Romana, existiam mais de 300 variedades de ameixas europeias. Estas cruzaram o Oceano Atlântico com os peregrinos, que as levaram para os Estados Unidos da América no século XVII.

As ameixas pertencem ao género Prunus e são da família do pêssego e da nectarina. São consideradas drupas, frutos carnudos de caroço duro, o qual contém as sementes. A ameixa pode ter uma cor púrpura, vermelha, azul-escura, verde, amarela ou âmbar. Além de ser consumida fresca, também se consome seca, em conserva, sendo também comum em alguns pratos de doçaria tradicional.
 
 
Informação Nutricional
 

A ameixa fresca tem quase 90% de água e um baixo valor calórico, fornecendo cerca de 40 kcal/100g. É rica em  reguladores como  e  e ainda em fibra.

 

Composição nutricional
(100g de parte edível)

Ameixa Encarnada
Energia (kcal)41
Água (g)88
Proteínas (g)0,8
 (g)0,2
monoinsaturados (g)0,1
 (g)7,4
Fibra (g)1,9
Caroteno (µg)420
 (µg)70
 (mg)0,02
 (mg)0,6
 (mg)190
 (mg)13

g = grama; mg = miligrama e µg = micrograma. Parte Edível = diz respeito ao peso do alimento que é consumido depois de rejeitados todos os desperdícios. 

Fonte: Tabela da Composição de Alimentos – Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

 
Vantagens e desvantagens
 

A ameixa tem um leve efeito diurético pelo seu conteúdo em água e , que poderá ser benéfico no caso de  e hipertensão arterial ou em caso de perdas excessivas de , como durante a utilização de diuréticos. É desaconselhada em casos de insuficiência renal, visto que nesta condição o consumo de  é restrito.
Este mesmo mineral desempenha um papel importante na regulação da , no equilíbrio dos fluidos do corpo e na contração muscular.

A   está presente em variadas reações químicas no nosso organismo, funcionando como co-enzima. É necessária na metabolização das proteínas,  e ácidos nucleicos.

Os carotenos são transformados em  depois de absorvidos pelo organismo. A  é um componente dos pigmentos visuais responsáveis pela receção da luz na retina. Além disso, é importante para uma pele saudável, para um crescimento saudável, para o desenvolvimento ósseo e para a reprodução.

 tem uma importante acção antioxidante. Evita a oxidação e protege a integridade de diversos componentes celulares, nomeadamente das lipoproteínas que transportam o  no sangue e ajudam, assim, a prevenir problemas cardiovasculares.

A ameixa seca é amplamente conhecida como promotora do bom funcionamento intestinal, graças ao seu alto teor de fibra insolúvel que facilita a absorção de água ao nível do intestino.

A ameixa é conhecida pelas suas propriedades laxantes mas, em concreto, é muito mais que isso. Além de ser um fruto delicioso e fresco, a ameixa possui uma grande variedade de benefícios.

Benefícios da ameixa

  • São baixas em calorias – 46 kcal por 100 gr.
  • Não contém gorduras saturadas;
  • Possuem diversos compostos, como minerais, fibras dietéticas e vitaminas, bem como sorbitol e isatina, conhecidas por ajudar a regular o funcionamento do sistema digestivo e assim, aliviar a prisão de ventre.
  • A ameixa madura é uma fonte moderada de vitamina C, um poderoso antioxidante natural. Alem do mais, os alimentos ricos em vitamina C ajudam o corpo a desenvolver resistência contra agentes infecciosos, bem como inflamações e permitem eliminar os radicais livres nocivos;
  • A ameixa fresca, especialmente a amarela, é uma fonte de betacaroteno e vitamina A, sendo esta vitamina essencial para a visão, mas também ajuda na prevenção do cancro de pulmão e a cavidade oral;
  • Contém flavonóides poli-antioxidantes fenólicos, tais como a luteína, criptoxantina e zeaxantina, em quantidades razoáveis. Estes compostos permitem eliminar os radicais livres e espécies reactivas de oxigénio que actuam em processos de envelhecimento. A zeaxantina, é um carotenóide importante, concentrado na mácula lútea da retina, que proporciona funções antioxidantes e protege a retina dos raios ultravioletas nocivos;
  • É rica em minerais como fluoreto de potássio e ferro. O ferro é necessário para a formação de glóbulos vermelhos, enquanto que o potássio é um componente importante dos fluídos das células e do corpo, que ajuda a controlar a frequência cardíaca e a pressão sanguínea;
  • É uma fonte moderada de vitamina B, tais como a niacina e o ácido pantaténico. Essas vitaminas actuam como co-factores e ajudam o corpo a metabolizar os carbohidratos, proteínas e gorduras;
  • São ricas em potássio, um mineral essencial que, juntamente com o sódio, participa da transmissão dos impulsos nervosos e contracção dos músculos;
  • Ajuda a controlar a glicémia por apresentar um baixo índice glicémico;
  • Ajuda a melhorar a saúde dos ossos. Os flavonóides e demais compostos fenólicos presentes na fruta auxiliam na reversão da perda de massa óssea;
  • Ajuda a prevenir a anemia e a melhorar a resistência imunológica. O ferro é fundamental para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue e transporte de oxigénio. Além de ser rica nesse mineral, a ameixa também é uma boa fonte de vitamina C, que melhora a absorção do ferro pelo intestino, combatendo assim a deficiência desse nutriente que pode levar à anemia.

Recomenda-se que as sejam consumidas com casca, pelo facto de nela estarem contidos uma boa parte dos nutrientes responsáveis por todos os benefícios da fruta.

 

Como comprar e conservar
 

Se desejar comprar ameixas que estão maduras e prontas para consumir, escolha aquelas que resistem a pequenas pressões mas que se apresentam ligeiramente macias ao toque. Se prefere ameixas para amadurecerem em casa evite aquelas que se apresentem demasiado duras, uma vez que, devido à sua imaturidade, não desenvolverão bom gosto nem textura.

As ameixas que ainda não amadureceram podem ser conservadas à temperatura ambiente. Uma vez que este fruto amadurece rapidamente, verifique o seu estado um ou dois dias após a compra, de forma a garantir que não amadureceram demais. Uma vez maduras, as ameixas podem ser conservadas no frigorífico durante alguns dias.

 

https://saboreiaavida.nestle.pt/bem-estar/ameixa

https://clinicaspersona.com/beneficios-ameixa/

 

27
Jul20

Alimentos de A a Z... Alfazema


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A Alfazema é uma planta medicinal, também conhecida como Lavanda, Lavândula ou Nardo. Cresce espontaneamente em Portugal, mede entre 30 a 80 centímetros e caracteriza-se por apresentar um odor penetrante e bastante aromático.

O seu nome científico é Lavandula angustifolia, e pertence à família das Lamiáceas.

 

Propriedades da alfazema

As propriedades da Alfazema incluem a sua acção desinfectante, antisséptica, antiespasmódica, analgésica, cicatrizante, antiasmática, anticonvulsivante, ansiolítica, antiinflamatória e sudorífera.

Os constituintes do seu óleo essencial, linalol e acetato de linalila, têm propriedades antibióticas, sedativas e neurotónicas. [A inalação dos seus óleos essenciais melhoraram a capacidade cognitiva e o humor em 144 adultos (Int. J. Neuroscience, 2003)].

O óleo essencial aplicado na pele tem propriedades antisépticas (combate a bactéria da febre tifóide, difteria, Streptococcus e Pneumococcus), trata queimaduras, ferimentos, picadas, úlceras, previne as rugas e actua como regenerador da pele.

O óleo obtido das flores é ainda antiespasmódico e tónico, trata o mau-hálito, alívia as dores de cabeça e combate a flatulência. Utilizado, também, como antídoto de veneno de cobra.

A Alfazema  é um excelente relaxante. O chá alivia dores de cabeça, tosse e constipações.

Como estimulante respiratório, a alfazema pode ser utilizada em aerossol no tratamento de rinite, sinusite, bronquite e asma.

Ajuda a tratar cefaleias e facilita a digestão, especialmente se estes problemas se agravam com o stress ou ansiedade.

Em banhos, é um regenerador e calmante da pele.

 

Formas de utilização da alfazema:

As partes usáveis da Alfazema são as flores, as folhas e as hastes para fazer chás, óleo essencial ou para usar na culinária.

 

Como condimento

As flores são cristalizadas e utilizadas para aromatizar compotas, gelados, vinagres, saladas, infusões, sopas e guisados.

 

Infusão

Colocar 70 g de flores num 1 litro de água fervente durante 5 minutos. Coar e beber até 3 vezes por dia, após as refeições. O seu sabor intenso revela-se ácido com notas florais.

 

Contra-indicações/ Efeitos secundários /Observações:

 

O principal efeito colateral da Alfazema é a sonolência, quando ingerida em excesso.

Não se deve aplicar o óleo essencial na pele durante longos períodos de tempo porque pode causar irritações ou alergia. As folhas e as flores da Lavandula angustifolia possuem propriedades sedativas.

A Alfazema está, também, contra-indicada em pessoas com úlceras gástricas.

 

Sugestões de utilização:

10 ideias para utilizar alfazema

 

Receitas com alfazema:

Carne de porco com alfazema

Pãezinhos com sementes de papoila e infusão de alfazema

Bolachas de limão e alfazema

Leite-creme de alfazema

Gelado de alfazema

 

 

https://agriculturabiologica.pmvs.pt/blog/2014/09/06/plantas-aromaticas-alfazema/

https://www.researchgate.net/publication/8349334_Lavender_Lavandula_angustifolia_Miller

https://www.medicalnewstoday.com/articles/265922

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3612440/

https://www.webmd.com/vitamins/ai/ingredientmono-838/lavender

 

20
Jul20

Alimentos de A a Z... Alfarroba


 

Hoje trago-vos a Alfarroba (do árabe al karrub, a vagem), fruto da alfarrobeira (Ceratonia siliqua L.)

 

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História

Originária das zonas costeiras do Médio Oriente, de onde se estendeu para Ocidente, terá chegado à Península pela mão dos Árabes.

Julga-se que as suas sementes tenham sido usadas, no antigo Egipto, para a preparação de múmias (foram, encontrados vestígios de suas vagens em túmulos).

Existem,também, indícios de que os romanos mastigavam as suas vagens secas, muito apreciadas pelo seu sabor adocicado.

A semente da alfarroba, devido ao seu baixo peso e uniformidade, foi utilizada por mercadores para avaliar jóias, nomeadamente diamantes - a unidade quilate (carat) era o peso de uma semente de alfarroba.

As vagens, conhecidas na literatura anglo-saxónica por «St. John Bread», terão sido utilizadas na alimentação por S. João Baptista aquando da sua passagem pelo deserto.

Em 1841, Silva Lopes afirma que a Alfarroba é utilizada como «alimento de gente pobre, e torrada não deixa de ser saborosa» e informa que, em 1777, a alfarroba ocupava o 5.° lugar das exportações feitas por via marítima algarvia. Há referências datadas de 1579 segundo as quais a alfarroba já era comercializada em feiras algarvias, como a de Tavira.

 

Uso 

A pele da alfarroba é utilizada, na forma de crob powder, no fabrico de tabletes dietéticas, cobertura de bolos, pão, etc. A polpa é muito utilizada na indústria agro-pecuária como ração animal. Da polpa também se obtém um xarope, usado na cobertura do café torrefacto, como corante na indústria alimentar e farmacêutica e como substituto açucarado na produção de gomas por via microbiológica. Da semente obtém-se o endosperma e o germe. Do endosperma é extraída a goma de semente de alfarroba (E 410) usada como espessante, estabilizante, emulsionante e gelificante em gelados, sopas, etc., bem como na indústria farmacêutica e cosmética. A farinha de germe utiliza-se na alimentação humana, em produtos dietéticos, como fonte proteíca.

Na cozinha tradicional algarvia tem grande expressão o Pão de Alfarroba.

A farinha de alfarroba é a fracção obtida pela trituração e posterior torrefacção da polpa da vagem. Contém, em média, 48-56% de açúcar (essencialmente sacarose, glucose, frutose e manose), 18% de fibra (celulose e hemicelulose), 0,2-0,6% de gordura, 4,5% de proteína e elevado teor de cálcio (352 mg/100 g) e de fósforo. Por outro lado, as características particulares dos seus taninos (compostos polifenólicos) levam a que a farinha de alfarroba seja muitas vezes utilizada como antidiarreico, principalmente em crianças.

 

Benefícos para a saúde

Uma das principais vantagens do uso da alfarroba é o facto de ela ser naturalmente doce, pelo que a adição de açúcar nas receitas pode tornar-se dispensável. Além disso, este fruto apresenta outros incríveis benefícios para a saúde: 

  • ajuda a metabolizar a gordura;
  • é rica em vitamina A, cálcio e magnésio;
  • não contém glúten, lactose ou cafeína.
  • melhora a digestão;
  • reduz o colesterol.



Sugestões de utilização:

Pão de alfarroba

Bolo de Alfarroba

Panquecas de Alfarroba

Queques de Alfarroba

 

https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/pao-e-produtos-de-panificacao/316-pao-de-alfarroba

https://www.adral.pt/pt/rrsilvestres/recursos/Paginas/A-Alfarroba1216-9741.aspx

https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/frutos-secos-secados-e-similares/272-alfarroba

http://www.cgalgarve.com/produtos/alfarroba.htm