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Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

Liberdade aos 42

... a vida depois da enfermagem...

07
Nov19

O Sonho... a Vida...


O sonho

Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

Clarice Lispector

 

DSC08468 (2).JPG

Uma doce e alegre descida... seguida de uma difícil subida... assim é a Vida!

 

22
Ago19

E se...


E se... após algumas rasteiras (apenas para testar o teu equilíbrio), a Vida te convidasse a percorrer um caminho alternativo... um atalho, sem GPS, sem "ancoragem"... um trilho de aventura e incerteza, repleto de pontes e muralhas, de encontros e desencontros, de lágrimas e sorrisos, de música e silêncio, de luz e de sombra, de estrelas brilhantes e nuvens cinzentas, de pingos de chuva e raios de Sol, de Mares profundos e altas montanhas, de planaltos e planícies, de voracidade e de saciedade, de gáudio e fleuma, de sucessos e fracassos, de avanços e recuos, de junções e separações...

Aceitarias o desafio?!...

 

trilho.JPG

Um trilho de aventura...

 

14
Ago19

A urgência de ser urgente...


Clarice diz-nos que, a saudade, é sentimento urgente...

Eugénio afirma que é urgente o AMOR...

No dia-a-dia, mais ou menos frenético, mais ou menos real, mais ou menos virtual, há sempre urgência em ser urgente... mesmo que, no caminho, pouco se viva, pouco se aproveite (realmente), muito passe ao lado...

Parece que é "suposto" viver, hoje, o amanhã, sem tempo "de ser", "de estar", onde (apenas) "parecer" ganha destaque, onde a ilusão ganha espaço, onde a vida ficcional se sobrepõe à Vida real, onde as pessoas usam máscaras, filtros, simplesmente, por falta de "coragem" de observar o seu reflexo no espelho...

Será, isto, urgente?!... será isto viver?!... existir?!...

 

08
Ago19

E... de repente...


O dia amanhecera acinzentado, com o Sol, tímido, a espreitar sorrateiramente... a temperatura mantinha-se, contudo, acima do desejável... mas, afinal, estamos em pleno verão, no Algarve... (querias o quê?!...)

Sais de casa... 5 minutos depois, estacionas o carro e fazes o percurso habitual, a pé, sempre de olho nas gaivotas e nos pardais, nos barcos e na água cristalina, que ondula ao sabor da brisa... um cheiro a maresia invade-te as narinas... sorries... sentes-te grata por todas estas sensações... em Paz... pronta para mais um dia de trabalho...

 

RA-c.JPGRia de Alvor

 

E... de repente... o telemóvel toca... desconheces o número que aparece no ecrã, mas decides atender... do outro lado, uma voz "familiar"... e um convite desafiante (inesperadamete esperado)... "tocam-te" no ponto sensível: "criar", "fazer acontecer"... e descobres que, afinal, o "bichinho" continua vivo... que ainda gostas, que ainda queres (talvez a missão, ainda, não tenha terminado) ... mas, agora, de forma diferente, muito mais "madura", mais ponderada, "menos emotiva"... impões as tuas regras... as tuas condições.. já não será "a qualquer preço", de "qualquer jeito"... apercebes-te, então, que (pelo caminho, na pausa, na reflexão) aprendeste a valorizar-te e a respeitar-te... que o desejo, afinal, pode ser refreado, comedido, contido... sem, no entanto, ser abandonado, desvalorizado ou desvirtuado... "empurras" para 2020, porque 2019 é só "teu"... (será ao teu ritmo, do teu jeito...) mas "deixas a porta aberta"...

A conversa acaba e ficas a reflectir... sentes-te feliz, em Paz com as tuas escolhas... sorries...

Ergues o olhar e observas os cães que passam, acompanhados dos respectivos donos, e recordas um, em especial, "que te ficou na retina", lindo, do qual nem sabes o nome, mas não consegues esquecer a figura, o porte majestoso, o olhar... e voltas a sorrir...

Pegas no novo livro, que acabaste de escolher, e inicias a leitura... o tempo corre sereno e despreocupado, ao ritmo do teu pensamento, da tua vontade...

  

31
Jul19

Desafio dos 50...


Já sabem o quanto gosto de fotografar (Natureza) e partilhar algumas das minhas fotos...

Ultimamente (desde meados de Junho) é, a observar esta paisagem (e rodeada de livros), que escrevo a maior parte dos textos que publico, aqui, no blog...

 

Ria Alvor_.JPGRia de Alvor

 

É, mesmo, o Melhor de dois Mundos, os livros que AMO e que, sempre, me acompanharam ao longo da Vida, e a Ria de Alvor que, aprendi a AMAR, quando me mudei para o Barlavento, em 2012...

Serve, esta nota introdutória, como ponte, para escrever sobre emoções, evolução, aprendizagem... "maturidade"...

Encontrando-me à beirinha dos 43... mas, ainda, a alguma distância dos 50... quando a imsilva, autora do blog pessoas e coisas da vida me desafiou a escrever sobre o tema... hesitei... porque não me revejo em datas, em "marcos" ditados pelos números da idade...

Sempre associei "maturidade" a experiência de Vida e, nunca, a anos acumulados... recuso-me a aceitar que a Minha Vida seja "definida" por um (qualquer) número... já me senti mais velha (e muito mais nova) do que a idade, que os números insistiam em atribuir-me, dependendo da fase da Vida em que me encontrava, determinada pelas experiências que ia vivenciando.

A verdade é que, não gosto de celebrar o aniversário e, não é por me sentir mais velha ou sentir que estou em "contagem decrescente", é pelo, simples, facto de celebrar a Vida todos os dias... e não sentir, por isso, o dia do meu aniversário como uma data Especial, a merecer destaque...

Gosto de celebrar a simplicidade do quotidiano... os gestos singelos e banais, os sorrisos, os abraços, os pormenores (que passam despercebidos, ao comum dos mortais), a beleza que se dissipa e se renova a cada instante, a água que se agita ao sabor do vento, o suave aroma da brisa marítima, a Luz do Sol que ilumina e aquece... a subtileza dos instantes efémeros..

Não tenho, por isso, expectativas sobre o que serão os meus 50... vivo um dia de cada vez, grata por cada instante que me é concedido...

A Vida (não creio que, a idade) ensinou-me a ser menos impulsiva (menos reactiva), mais tolerante, a escolher as batalhas que quero travar, a alhear-me do que nada me acrescenta (e que, apenas, me desorienta e consome), a viver no presente, a reconhecer o meu tempo como o meu activo mais precioso e a usá-lo com critério e sabedoria, a dedicar-me a quem AMO e ao que AMO... a Viver de forma intensa e apaixonada, sem me preocupar com juízos alheios... a Ser Livre nas (minhas) escolhas e a respeitar Liberdades (e escolhas) alheias... a Saborear a Vida com a certeza de que, cada momento, é único, efémero e irrepetível...

E... basicamente, é isto que espero para o resto da Minha Vida... acrescentar Vida aos anos, muito mais do que, acrescentar anos à Vida...

  

25
Jul19

Sobre a Vida que há na morte...


A morte é o momento em que a Vida ganha corpo e o corpo se despede da Vida...

Afirmar que a morte é a minha "zona de conforto", talvez faça de mim uma pessoa "estranha", peculiar...

Não se preocupem... não tenho ideação suicida, nem sou depressiva... AMO a Vida e AMO ESTAR VIVA e SENTIR-ME VIVA... mas foi na morte (a partir dela) que encontrei "caminho"... um propósito para a Minha Vida...

Foi depois de ter vivenciado o acontecimento mais terrivelmente doloroso da minha existência (a morte e o morrer do meu pai), que me tornei uma pessoa diferente (talvez só me tenha, mesmo, tornado PESSOA a partir desse evento) e, certamente, melhor...

Encarei a morte do meu pai (resultante de um tumor cerebral) como um fracasso (eu já era enfermeira... "salvava" os outros e não fui capaz de salvar o meu pai), senti uma frustração e uma culpa avassaladoras... a dor tomou conta da Minha Vida (quase enlouqueci, literalmente)... e... o AMOR (dos meus AMIGOS) salvou-me de mim própria, foi a âncora que me prendeu do "lado certo da Vida"...

Decidi que não queria ser vítima de uma dor que ameaçava consumir-me e resolvi dar sentido (e significado) ao sofrimento do meu pai, que tanto me AMOU e AMAVA a Vida (e que, sempre que eu estava triste, me dizia que, "mais vale rir mal do que chorar bem" e que, "chore o diabo que tem os olhos grandes") e merecia que a sua dor não fosse em vão, que fosse transformada em ESPERANÇA, em AMOR...

Sempre acreditei que nada acontece por acaso (que há um propósito para tudo... mesmo que só sejamos capazes de o perceber muito tempo depois...)!

Mas, muitas vezes, questionei os "porquês" e, só muitos anos depois, uma "alma gémea", imbuída da sua Fé inesgotável, me ensinou que só os "para quê" fazem sentido e nos ajudam a evoluir (obrigada "Amiga Linda" por me mostrares o caminho da serenidade... eternamente grata serei...)!

Procurei "conhecer" a morte e as formas de morrer e... encontrei os Cuidados Paliativos (Sir Twycross e depois Madame Hennezel, 2006)... estudei muito, li tudo o que havia para ler, estava ávida de conhecimento... tinha encontrado o meu propósito e o Universo encarregou-se de trazer as circunstâncias "certas" à Minha Vida...  e, assim, no final de 2007, ajudava a dar Vida à primeira equipa domiciliária de Cuidados Paliativos do Algarve...

Aprendi a entender a morte como a última etapa da Vida (independentemente das crenças de cada um), aprendi a respeitá-la e a encará-la como algo natural e expectável, aprendi a conviver com ela sem a temer... deixei-a entrar na Minha Vida e fazer parte do meu Ser e, assim, aprendi a VIVER, a AMAR a Vida e a agradecer cada instante da minha maravilhosa existência, com todos os meus defeitos e limitações, sempre, com muito AMOR no coração...